sábado, 11 de dezembro de 2021

VI Jornadas de Pré e Proto-história da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Balanço

O Projeto Outeiro do Circo marcou presença na 6ª edição das Jornadas de Pré e Proto-história da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra dedicadas ao tema "Territórios e Materialidade - Revelações e desafios na construção do conhecimento das sociedades pré e proto-históricas". 

As jornadas, que iniciaram com uma conferência a cargo de Ana Arruda sobre a Idade do Ferro no Sul de Portugal,  foram compostas por diversas mesas redondas que permitiram abordar temáticas muito distintas, contando ainda com sessões sobre arqueologia experimental e uma sessão de posters.

O Projeto Outeiro do Circo participou na mesa redonda dedicada aos "Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção", através de uma intervenção de Eduardo Porfírio sobre a estrutura de povoamento da Idade do Bronze na Margem Esquerda do Guadiana e na sessão sobre "A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social", com uma apresentação de Miguel Serra intitulada "Arqueologia Comunitária como forma de divulgação em meio rural".

Apresentação de Eduardo Porfírio 

Mesa redonda: Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção

Mesa redonda: A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social

Resumos das apresentações:

A Arqueologia Comunitária como forma de divulgação em meio rural

Miguel Serra

Câmara Municipal de Serpa; Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património

Resumo

Em termos muito sucintos podemos definir a Arqueologia Comunitária como uma prática de integração, de envolvimento e de partilha. Esta forma de atuação procura conectar uma comunidade, que se centra num território concreto, com o património aí existente, neste caso o arqueológico, de modo a envolvê-la em todos os processos, desde a investigação, à salvaguarda ou à valorização e divulgação, criando uma nova consciência sobre a importância e a relação entre a comunidade e o seu património.

No caso concreto em análise focamos o nosso olhar no meio rural, tradicionalmente mais afastado das estratégias e processos de decisão, bem como dos investimentos e recursos, quer humanos, quer económicos, para ações de desenvolvimento. 

Nos territórios rurais confrontamo-nos com dificuldades como o despovoamento, o envelhecimento e a dispersão populacional, a escassez de oportunidades, entre outros, que, regra geral, se traduzem num certo sentimento de abandono e de desilusão.

A partir do exemplo do Projeto Arqueológico Outeiro do Circo (Beja), pretendemos mostrar o programa de envolvimento comunitário aplicado a uma comunidade concreta, a aldeia de Mombeja, a partir de um projeto de investigação dedicado ao povoado fortificado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo. Este sítio arqueológico dista cerca de 3 km da aldeia de Mombeja e era em 2008, data de início do projeto de investigação, praticamente desconhecido da comunidade local, apesar da sua reconhecida importância no meio científico.

A ligação entre a comunidade e o sítio arqueológico foi trabalhada como um processo contínuo, assente numa abertura pública de todos os momentos e aspetos do projeto arqueológico, como forma de vencer alguma eventual desconfiança inicial, bem como de evitar o aparecimento de discursos ou expetativas desadequadas dos objetivos do projeto. A possibilidade de visitar e participar na escavação arqueológica, face mais visível do projeto, criou uma relação empática com a comunidade, traduzida na participação regular em muitas outras atividades de divulgação especialmente concebidas para a(s) comunidade(s) local(is).

Desta forma procurámos associar o sítio arqueológico a um território e a uma comunidade, criando ao longo dos anos um vínculo que hoje nos permite afirmar, com toda a certeza, que o Outeiro do Circo passou a integrar a memória identitária dos habitantes de Mombeja, que assim se tornam a linha da frente na sua divulgação, proteção e valorização, tornando esta estratégia de atuação numa forma de empoderamento.

Palavras-chave: Idade do Bronze, comunidades, meio rural, divulgação, empoderamento



"Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?" Alto de Brinches 3 (Serpa) e a estrutura de povoamento da Idade do Bronze na Margem Esquerda do Guadiana.

Eduardo Porfírio

Câmara Municipal de Sintra; Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património

Resumo

A estrutura do povoamento da Idade do Bronze na margem esquerda do Guadiana define-se por um grande polimorfismo, bem evidente ao nível das implantações topográficas dos sítios escolhidos pelas comunidades humanas deste período. No território do concelho de Serpa, que utilizamos como referencial geográfico para este trabalho, a variabilidade existente ao nível do povoamento relaciona-se com as características específicas dos recursos naturais existentes a nível local. Assim e para além do factor de atracção desempenhado pelo rio Guadiana e respectiva rede hidrográfica subsidiária sobre o povoamento, também as características da geologia, da orografia, da pedologia e a existência de recursos mineralógicos influenciaram o modo como as sociedades da Idade do Bronze se fixaram nesta região moldando a paisagem existente (Vilaça, 1997; Soares, 2005 e Baptista, 2013).

Pode subdividir-se o concelho de Serpa em duas grandes sub-regiões cuja paisagem apresenta características díspares entre si. Na região Norte encontramos um relevo constituído por colinas suaves e onduladas, pouco expressivo altimetricamente, o qual recebe tradicionalmente a designação de Campo de Serpa dada as potencialidades agrícolas dos seus solos argilosos. A sul, a orografia é dominada pelas serranias de xisto com valores altimétricos mais elevados, cujos solos, pouco espessos e de fraco potencial agrícola favorecem a criação de gado. No entanto, é nesta região que se concentram os principais recursos minerais, nomeadamente no que ao cobre diz respeito.

Palavras-chave: Idade do Bronze, povoamento, Margem Esquerda do Guadiana, polimorfismo.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A ocupação do território 19

Pedreira de Trigaches 3 (União de Freguesias de Trigaches e São Brissos) - povoado aberto do Bronze Pleno

Este sítio localiza-se a apenas 200 metros de Pedreira de Trigaches 2, e encontra-se implantado numa zona de planície rodeada por cursos de água secundários. 

No decurso de trabalhos de minimização sobre o património cultural do Bloco de Rega do Pisão, a cargo da empresa Arqueologia & Património, foram escavadas cinco estruturas negativas que genericamente podem ser enquadradas no Bronze Pleno apesar da ausência de datações radiométricas. Tal como em Pedreira de Trigaches 2, também aqui se registou a presença de uma fossa contendo sementes de cereais (Antunes et al. 2012: 286). Dada a curta distância para Pedreira de Trigaches 2 poderá tratar-se do mesmo povoado, demonstrando a extensão que estes sítios abertos de planície podem atingir.

Localização do sítio Pedreira de Trigaches 3 na CMP 509
Estrutura onde foram recolhidas sementes de cereais (Foto: Arqueologia & Património, Lda.)

Bibliografia:

ANTUNES, A., DEUS, M., SOARES, A. M., SANTOS, F., ARÊZ, L., DEWULF, J., BAPTISTA, L. e OLIVEIRA, L. (2012) – Povoados abertos do Bronze Final no Médio Guadiana. In JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed) – Sidereum Ana II. EL río Guadiana en el Bronce Final (Anejos de AEspA LXII). Mérida, p. 277-308.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 

domingo, 21 de novembro de 2021

Memórias fotográficas 2019-2021

Terminamos o ciclo de pequenas memórias fotográficas de cada um dos três projetos de investigação sobre o Outeiro do Circo, com as fotos respeitantes aos primeiros e últimos momentos das campanhas de trabalhos decorridas entre 2019 e 2021. 

2019
A - Trabalhos de desmatação. B - Selagem
2020
A - Trabalhos de desmatação. B - Selagem
2021
A - Limpeza da sondagem. B - Selagem 

sábado, 6 de novembro de 2021

Projeto Outeiro do Circo presente nas VI Jornadas de Pré e Proto-História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

As VI Jornadas de Pré e Proto-História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra realizam-se no dia 10 de Dezembro no Teatro Paulo Quintela e contam com a presença do Projeto Outeiro do Circo.

O tema das jornadas será "Territórios e Materialidades - Revelações e desafios na construção do conhecimento das sociedades pré e proto-históricas", e o programa contempla uma conferência de abertura, uma apresentação sobre arqueologia experimental e quatro mesas redondas dinamizadas por diversos convidados. 

A participação do Projeto Outeiro do Circo encontra-se a cargo dos coordenadores científicos, Eduardo Porfírio, que integrará o painel da mesa redonda dedicada a "Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção", e Miguel Serra, que intervirá na mesa redonda sobre "A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social". 

O Projeto Outeiro do Circo tem uma forte ligação a estas jornadas, nas quais participou desde o seu início a 22 de Maio de 2009, com uma comunicação sobre os objetivos do primeiro projeto de investigação sobre o Outeiro do Circo, iniciado pouco antes em Agosto de 2008. A 15 de Abril de 2011 o Projeto Outeiro do Circo seria mesmo coorganizador das IIas Jornadas dedicadas à "Idade do Bronze do Sudoeste: novas perspetivas sobre uma velha problemática", e que seriam as primeiras a ser editadas (publicação disponível AQUI). Por fim, assinalou-se nova presença nas últimas jornadas realizadas em 14 de Maio de 2019, a serem dedicadas a aspetos metodológicos relacionados com o estudo da pré e da proto-história e cabendo ao Projeto Outeiro do Circo uma apresentação sobre o estudo da muralha do Bronze Final do Outeiro do Circo. 

Mais informações em: https://www.facebook.com/VI-Jornadas-de-Pr%C3%A9-e-Proto-Hist%C3%B3ria-104350688710112


domingo, 24 de outubro de 2021

Outeiro do Circo no XI Encontro de Arqueologia do Sudoeste

Decorreu entre os dias 21 e 23 de Outubro o XI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, em Loulé,  que contou com a presença do Projeto Outeiro do Circo.

Eduardo Porfírio, co-responsável do projeto, apresentou uma comunicação de síntese sobre os trabalhos desenvolvidos de 2019 a 2021. 

O principal destaque foi para a identificação de um troço de muralha, semelhante ao que havia sido escavado em trabalhos anteriores, mas que apresentava um melhor grau de preservação. Esta muralha é constituída por um muro pétreo na parte mais elevada do talude, por uma rampa de barro cozido e por um muro de contenção no exterior. A principal diferença em relação a um outro troço escavado entre 2008 e 2013 residiu no muro superior, constituído por dois alinhamentos pétreos claramente demarcados e por um enchimento interior com pedras de menor dimensão que formavam um alinhamento central, ladeado por terras acinzentadas que embalavam muito material carbonizado, sobretudo cerâmicas e faunas. Este muro também apresentava uma dimensão consideravelmente superior (3 metros de largura) em relação ao troço já conhecido (1 metro de largura). 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Balanço do colóquio "Projeto Arqueológico Outeiro do Circo 2008-2021"

O colóquio "Projeto Arqueológico Outeiro do Circo 2008-2021", realizado no passado dia 16 de Outubro no Museu Regional de Beja, teve como objetivo realizar o balanço de 13 anos de trabalho, marcar simbolicamente o fim deste ciclo de investigação, discutir o futuro e sobretudo ser uma celebração que pretendeu juntar grande parte dos investigadores que ao longo dos anos têm dado os seus contributos a este projeto e muitas outras pessoas que têm apoiado e acompanhado o percurso efetuado. 

Esta jornada dividiu-se em dois momentos distintos, iniciando-se com a sessão de abertura que contou com intervenções de Miguel Serra, em nome da equipa do Projeto Outeiro do Circo, de João Nuno Marques, da empresa Palimpsesto, parceira do projeto e organizadora do evento, e de Deolinda Tavares, em representação da Diretora Regional de Cultura do Alentejo que não pôde estar presente devido a imprevistos de última hora, mas não deixando de assinalar o compromisso da entidade que dirige para com a coorganização deste encontro. Também não puderam estar presentes por diferentes impedimentos os representantes da Câmara Municipal de Beja e da União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja. 

Sessão de abertura

A parte da manhã foi ocupada com duas conferências de caracter mais generalista, a primeira a cargo de Miguel Serra sobre o historial do projeto, os seus principais resultados e o balanço científico geral, e a segunda, apresentada por Eduardo Porfírio, cocoordenador científico do projeto, que destacou o percurso do programa de Educação Patrimonial e Arqueologia Comunitária que desde o início do projeto em 2008 sempre acompanhou a vertente de investigação. 

Comunicação de Miguel Serra

Comunicação de Eduardo Porfírio

O bloco da tarde foi dedicado a quatro áreas específicas que revelam as diferentes colaborações estabelecidas entre o Projeto Outeiro do Circo e uma série de investigadores de diferentes especialidades, que a título inteiramente gracioso e voluntário têm permitido aumentar o conhecimento sobre este povoado da Idade do Bronze Final.

A primeira intervenção da tarde, apresentada por Sofia Silva e Ana Osório, foi dedicada ao estudo das cerâmicas nas vertentes morfológica, técnica e experimental e que integrou dados das teses, respetivamente de mestrado e doutoramento, das duas autoras. 

Comunicação de Sofia Silva e Ana Osório

De seguida tomaram a palavra Eduardo Porfírio e Sofia Soares, numa comunicação em coautoria com Helena Reis, que não pôde estar presente, e que apresentaram o enquadramento geológico do território onde se insere o Outeiro do Circo, de forma a enquadrar a investigação realizada sobre a componente lítica do povoado.

Comunicação de Sofia Soares, Eduardo Porfírio e Helena Reis

A terceira intervenção da tarde foi da responsabilidade de Nelson J. Almeida, que apresentou os dados sobre a coleção faunística, com particular incidência para os estudos tafonómicos e a integração deste conjunto no quadro da pré-história recente e proto-história do Sul de Portugal.

Comunicação de Nelson J. Almeida

A última comunicação foi proferida por Pedro Valério, em coautoria com António Monge Soares, sendo subordinada à temática da metalurgia e que enquadrou os dados obtidos no Outeiro do Circo no panorama geral da metalurgia da Idade do Bronze no Alentejo Interior. 

Comunicação de Pedro Valério e António Monge Soares

Após um breve, mas incisivo, período de debate no final das comunicações, procedeu-se às conclusões do colóquio, tarefa assumida por Raquel Vilaça, que não se limitou a destacar os principais aspetos do projeto e do colóquio, mas que também colocou diversas questões científicas a merecerem resolução futura e que servem de mote para futuros projetos para o Outeiro do Circo.

Momento do debate com António Monge Soares

Conclusões do colóquio por Raquel Vilaça

Por fim, teve lugar a sessão de encerramento, com os agradecimentos a todos os intervenientes a ficar a cargo de Eduardo Porfírio, seguindo-se o anúncio de algumas propostas para o futuro imediato, que foram reveladas por Miguel Serra, e que consistem no compromisso de propor um projeto educativo baseado no estudo das coleções, na publicação de um trabalho monográfico sobre os 13 anos de investigação realizados no Outeiro do Circo e na apresentação de uma estratégia de investigação para um próximo ciclo, ações a concretizar em 2022. De seguida tomou a palavra Deolinda Tavares para deixar um último agradecimento a todos os presentes e as palavras finais de despedida. 

Não podemos deixar de aproveitar este balanço para reforçar todos os agradecimentos enunciados na sessão de abertura do colóquio, a todos os que vieram assistir a esta jornada, a todos os comunicantes e à relatora, bem como a todos os elementos da organização, secretariado e a toda a equipa do Museu Regional de Beja, bem como a todas as entidades envolvidas, a Palimpsesto, a Direção Regional de Cultura do Alentejo, O Legado da Terra, a Câmara Municipal de Beja, a União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja, Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências de Património, Uniarq - Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, Rádio Voz da Planície e ao Curso Profissional Técnico Multimédia do Agrupamento de Escolas n.º 1 de Beja. E também à equipa do Restaurante Pereira, à Celina da Piedade e à Ana Santos, e a todos os amigos e amigas que se juntaram a nós para este momento de celebração e de convívio fraterno. 

Até breve!

Almoço na Adega Típica 25 de Abril 

Fim de tarde n`A Pracinha 

Jantar de encerramento no Restaurante Pereira 

Momento de animação musical com Celina da Piedade e Ana Santos - Restaurante Pereira



Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular

Programa final do Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular (Loulé, 21 a 23 de Outubro de 2021).

Comunicação do Projeto Outeiro do Circo:

21 de Outubro

Miguel Serra, Eduardo Porfírio, Sofia Silva e Nelson J. Almeida - Projeto Outeiro do Circo (Beja, Portugal): breve balanço dos trabalhos de 2019 a 2021.

Programa completo AQUI.