segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço 2012

Poderá parecer um paradoxo fazer um balanço do Projeto Outeiro do Circo em 2012 tendo em consideração a suspensão dos trabalhos por falta de apoios.
No entanto, aquilo que deveria ter sido uma forte condicionante pela negativa, conduziu a um esforço maior para a concretização de outras iniciativas ligadas à divulgação deste projeto, o que acabou por resultar num ano bastante preenchido com atividades diversificadas.
Começamos por destacar as diversas conferências, direcionadas quer a públicos especializados, quer de âmbito mais generalista, começando pela presença em Abril no Museu do Carmo (Lisboa) a convite da Associação dos Arqueólogos Portugueses. No mesmo mês teve lugar uma iniciativa muito especial para os responsáveis do projeto, com a realização de uma conferência na Junta de Freguesia de Mombeja seguida de uma visita guiada ao Outeiro do Circo, no âmbito da Semana Aberta de Mombeja, iniciativa a cargo da Câmara Municipal de Beja.
Em Maio foi a vez do Algarve com a realização de duas conferências em São Brás de Alportel e Lagoa para os membros da Associação Arqueológica do Algarve.
Durante o mês de Outubro o Projeto Outeiro do Circo participou no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular que teve lugar em Villafranca de Los Barros (Espanha) com uma comunicação da responsabilidade de Ana Osório, Sofia Silva e Diana Fernandes, colaboradoras do projeto desde o seu início.
Em Novembro e Dezembro o destaque vai para as apresentações em meio académico, primeiro no Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra com uma sessão sobre Paisagens Fortificadas integrada no Mestrado em Arqueologia e Território e mais recentemente numa conferência na Faculdade de Letras da Universidade do Porto organizada pelo Núcleo de Arqueologia desta instituição.
Uma das iniciativas de maior sucesso prendeu-se com a organização de uma exposição sobre os resultados do projeto que foi inaugurada a 28 de Setembro no âmbito das Jornadas Europeias de Património e que pode ser visitada no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano (Beja). A inauguração foi precedida de uma concorrida conferência sobre o Bronze Final na região de Beja, apresentada pela Professora Raquel Vilaça que ocorreu no Museu Jorge Vieira.
No dia 10 de Novembro realizou-se em Mombeja um curso sobre o tema da Poliorcética do Bronze Final no Sudoeste Peninsular, que contemplou ainda uma visita guiada ao sítio e ao Núcleo Museológico da Rua do Sembrano.
No campo das visitas organizadas há que referir a vinda do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia em Julho, que para além do Outeiro do Circo integrou um percurso variado em Mombeja e Beja.
Entre outras atividades em que os responsáveis do projeto participaram, deve-se destacar a reunião ocorrida a 24 de Outubro em Mombeja com os vereadores da CDU na Câmara Municipal de Beja e o executivo da Junta de Freguesia de Mombeja para discussão do planeamento futuro e apoios necessários para a retoma do projeto.
Em relação às ações de caráter científico mencionamos duas que ainda trarão mais desenvolvimentos no decorrer de 2013. Referimo-nos à vertente de arqueologia experimental sobre modelação e cozedura de cerâmica e à realização das flutuações cujos resultados serão estudados por David Duque Espino da Universidade da Extremadura, a quem desde já expressamos o nosso agradecimento por esta colaboração.
No ano de 2012 foram publicados dois trabalhos sobre o Outeiro do Circo que haviam sido apresentados em 2010 no V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular realizado em Almodôvar, ambos da autoria de Miguel Serra e Eduardo Porfírio, mas abordando temas muito distintos, um com o título Bronze Final nos “Barros de Beja”. Novas perspectivas de investigação e o outro, vocacionado para a Educação Patrimonial, intitulado Um projecto de arqueologia “social” em Mombeja (Beja).
Foi entregue outro artigo sobre os resultados das campanhas de 2008 e 2009 que ainda se encontra a aguardar publicação na revista VIPASCA.
No ano que agora finda foram também elaboradas diversas candidaturas a financiamentos e apoios no âmbito de concursos específicos, sem a obtenção das desejadas aprovações, mas não retirando a perseverança de continuar em 2013 com a mesma dinâmica.
Foram também apresentadas algumas propostas de atividades, a realizar em 2013, que ainda se encontram à espera de resposta.
Quanto à continuação dos trabalhos de campo no Outeiro do Circo no âmbito de um novo projeto a iniciar em 2013, lamentamos informar que ainda não foi possível obter qualquer resposta satisfatória junto da Câmara Municipal de Beja, principal parceira neste projeto.
Assim, adivinha-se um ano de 2013 difícil para o Projeto Outeiro do Circo, mas no qual já estão a ser agendadas algumas iniciativas que tentaremos levar a bom porto, mesmo com os escassos apoios atualmente disponíveis.
Expressamos a nossa intenção de em breve anunciar a realização do II Curso de Poliorcética do Bronze Final e eventualmente da possibilidade de organizar outras iniciativas sobre temáticas do Bronze do Sudoeste.
No campo científico pretendemos manter uma certa regularidade de publicações de resultados, com destaque para as diversas colaborações que permitiram aprofundar estudos específicos, desde a fauna, à arqueometalurgia, passando pela cerâmica.
No que concerne à divulgação, iremos tentar promover a organização de visitas guiadas para grupos, que incluirão um programa variado onde o Outeiro do Circo e a aldeia de Mombeja cumprirão o papel principal dos itinerários a propor.
Feito o balanço, resta-nos desejar a todos um FELIZ ANO NOVO…

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Conferência sobre o Projeto Outeiro do Circo no Porto - Balanço


Realizou-se no passado dia 7 de Dezembro uma conferência na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, dedicada ao Bronze Final na região de Beja.
A organização foi da responsabilidade do NAUP e contou com a participação de estudantes de arqueologia desta faculdade.
Tendo como ponto de partida os resultados do projeto de investigação centrado no povoado fortificado do Outeiro do Circo, procurou-se a caraterização do Bronze Final na região de Beja, integrando também as novidades surgidas nos últimos anos, sobretudo através do contributo da arqueologia comercial.
Considerando que o público era maioritariamente composto por estudantes, evitou-se centrar a sessão exclusivamente na descrição e interpretação dos dados arqueológicos, tentando outros caminhos que abordassem a história do próprio projeto, desde o enquadramento histórico - arqueológico de uma região de estudo (região Oeste dos Barros Negros de Beja), o conceito subjacente à criação do projeto de investigação e a sua estruturação, os trabalhos efetuados e principais resultados, a colaboração com outras equipas atuantes na região para um mais completo conhecimento do território e por fim a importância deste projeto para o desenvolvimento local através da apresentação das atividades relacionadas com o público em geral e com as comunidades locais.
Resta-nos agradecer o amável convite do NAUP e esperamos poder regressar noutra ocasião para mostrar a evolução deste projeto.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Conferência sobre o Projeto Outeiro do Circo no Porto

No dia 7 de Dezembro de 2012 vai ter lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto uma conferência intitulada:
Projeto Outeiro do Circo: novas e velhas perspetivas sobre o Bronze Final na região de Beja.
A organização é da responsabilidade do NAUP (Núcleo de Arqueologia da Universidade do Porto) a quem agradecemos desde já o convite.
A sessão terá início às 15:00 no Anfiteatro II (a confirmar) e irá constar da apresentação dos resultados do projeto de investigação centrado no povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja) entre 2008 e 2011. Também haverá lugar a uma abordagem mais vasta que integrará estes resultados no historial da investigação na região, com destaque para os trabalhos de arqueologia preventiva que têm proporcionado grandes novidades nos últimos anos.
Por último, serão apontadas algumas perspetivas de investigação que este quadro geral poderá proporcionar no futuro imediato.
A conferência estará a cargo de Miguel Serra e Eduardo Porfírio (Palimpsesto / CEAUCP-CAM).
 
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Projeto Outeiro do Circo em discussão na CM Beja

Notícia da Rádio Voz da Planície sobre a reunião de câmara (CM Beja) de 7 de Novembro onde foi discutido o futuro do Projeto Outeiro do Circo:
http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?q=C/NEWSSHOW/51442
Reproduz-se na íntegra o comunicado dos vereadores da CDU sobre o mesmo assunto:
 
Maioria PS continua a ignorar o Projeto Outeiro do Circo



Os Vereadores da CDU na Câmara Municipal de Beja, no seguimento de uma reunião que mantiveram com a Presidente de Junta de Freguesia de Mombeja e a equipa de arqueólogos que tem acompanhado as escavações no Outeiro do Circo, nas Freguesias de Mombeja e Beringel, levaram à reunião de Câmara de 7 de Novembro as preocupações manifestadas na mesma.
Na referida reunião foi questionada a maioria PS sobre o que previa relativamente ao desenvolvimento do projeto em 2013 já que a equipa de arqueólogos necessita de uma resposta atempada, até ao início do ano, para programar as ações indispensáveis.
Foi ainda questionado o município de ia ser dada resposta até final de Novembro, para uma ação prevista para os meses de Março e Abril, um workshop de cerâmica, cuja concretização exige desde já publicitação junto dos eventuais interessados. O pedido de apoio para esta ação foi endereçado ao município em Junho, estando sem qualquer resposta até ao momento.
A ambas as perguntas o responsável do Pelouro remeteu para o Plano de Atividades e Orçamento que está a ser elaborado. Esta resposta, comparada com o que foi dito sobre o mesmo assunto no início de 2012, revela a hipocrisia e a intenção de desvalorizar o sítio. Lembramos que questionado em 2012 sobre o não apoio à proposta apresentada foi então dito que embora não estivesse orçamentado era possível assegurar algum apoio às escavações, fato que, como era expetável, não veio a confirmar-se.
Uma outra questão colocada é emblemática do desinteresse em não desenvolver o projeto. Estando a ser elaborada uma candidatura para percursos pedestres e outros no concelho, a qual tem de ser apresentada nos próximos dias, os vereadores da CDU questionaram se o Outeiro do Circo ia ser integrado nesta candidatura. A maioria PS ignorou completamente a pergunta. Os vereadores da CDU sabem no entanto que a possibilidade de inclusão deste percurso foi liminarmente excluída dado não existirem acessibilidades no local.
Esta situação caricata demonstra a insensibilidade e o desinteresse da maioria PS sobre o assunto já que para garantir essa acessibilidade bastaria uma intervenção, sem qualquer custo para o município, junto do proprietário do terreno de forma a que este não lavrasse um caminho vicinal que dá acesso ao local.
Este é mais um exemplo de como está a ser mal tratado o património histórico e arqueológico no concelho. Nuns casos, como este, de responsabilidade direta do município e noutros, de ausência da capacidade de negociação e de chamar à responsabilidade outras entidades, como é o caso da Estação Arqueológica de Pisões, que se encontra encerrada há vários meses.
Os vereadores da CDU denunciam a incompetência e o desinteresse existente e exigem a adoção de medidas que alterem este estado de coisas.
 
Vereadores CDU por Beja

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Balanço do I Curso de Poliorcética da Idade do Bronze do Sudoeste Peninsular

Decorreu no passado dia 10 de Novembro o I Curso de Poliorcética da Idade do Bronze do Sudoeste Peninsular realizado em Mombeja e no povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo.
Os participantes pertenciam exclusivamente a unidades do Exército Português aos quais o curso era dirigido.
Sessão teórica na Junta de Freguesia de Mombeja

A parte da manhã, que decorreu nas instalações da Junta de Freguesia de Mombeja, à qual agradecemos desde já o apoio, foi composta por uma sessão teórica, que se iniciou com uma apresentação do programa e a discussão de alguns aspectos práticos de organização. Em seguida foram abordados os diversos temas, precedidos dos enquadramentos gerais sobre os conceitos de Poliorcética e Fortificação, bem como de algumas noções sobre a Idade do Bronze Final para situar os participantes em termos cronológicos e geográficos.
Os temas de análise incidiram em primeiro lugar no tópico dos Sistemas Defensivos do Sudoeste Peninsular durante o Bronze Final, através a apresentação dos casos de estudo de Coroa do Frade (Évora), Passo Alto (Serpa) e Castro de Ratinhos (Moura).
O segundo tema de análise abordou o caso especifíco do Outeiro do Circo (Beja) de forma mais aprofundada.
O último tema relacionou-se com questões sobre o armamento deste período, incluindo um debate sobre o próprio conceito de Arma.
Ao longo da sessão foram debatidas de forma muito participada diversas questões num ambiente informal, não havendo necessidade de realizar um debate final.

Sessão prática no Outeiro do Circo

A parte da tarde foi integralmente realizada no Outeiro do Circo onde os temas de análise foram discutidos em pormenor devido à facilidade permitida pelo contacto e observação directa no terreno. Assim, discutiram-se diversos aspectos como a dimensão da área protegida, a morfologia do terreno envolvente, a implantação topográfica, a visibilidade, a tipologia dos sistemas defensivos e das obras de reforço e as ténicas construtivas utilizadas.

Visita à exposição "Outeiro do Circo: o guardião da planície"

Para terminar o dia incluiu-se no programa uma visita à exposição temporária "Outeiro do Circo: o guardião da planície" patente no Núcleo Museológico do Sembrano (Beja).
Face ao entusiasmo demonstrado pelos participantes deste primeiro curso cabe-nos reafirmar a intenção de realizar nova iniciativa a partir da Primavera de 2013, esperando apenas que os interessados nos contactem nesse sentido.
Agredecemos mais uma vez a colaboração da Junta de Freguesia de Mombeja e da Câmara Municipal de Beja, sem as quais não seria possível a realização deste tipo de atividades.
Por último, um agradecimento muito especial aos militares que se inscreveram neste curso, não só pela sua participação interessada, mas também por nos terem auxiliado na análise de diversas questões.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

I Curso de Poliorcética da Idade do Bronze do Sudoeste Peninsular



O Projeto Outeiro do Circo informa que terá início no dia 10 de Novembro de 2012 o I Curso de Poliorcética da Idade do Bronze do Sudoeste Peninsular, a decorrer na localidade de Mombeja (Beja).

Pretende-se com esta iniciativa criar um curso técnico intensivo sobre aspetos relacionados com a poliorcética da Idade do Bronze no Sudoeste Peninsular, permitindo aos formandos o contacto com as técnicas de ataque e defesa de fortificações antigas e o conhecimento sobre as táticas e o armamento utilizados há 3000 anos.

O sítio arqueológico do Bronze Final do Outeiro do Circo servirá de referência para a realização da vertente prática.

Programa:

Módulo 1 (teórico):
Local: salão da Junta de Freguesia de Mombeja

10:30 – Conferência:
- Enquadramento geral e apresentação do curso.
- Síntese sobre a Idade do Bronze Final.
- Análise dos sistemas defensivos de vários povoados fortificados do Sul de Portugal.
- Análise específica do sistema defensivo do Outeiro do Circo.
- Apresentação gráfica das principais armas ofensivas e defensivas em uso na Idade do Bronze Final.
11:30 – Debate
12:30 – Pausa para almoço

Módulo 2 (teórico/prático):
Local: povoado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel)

14:00 – Visita ao Outeiro do Circo e apresentação dos elementos de análise poliorcética:
1 - Dimensão da área muralhada
2 - Morfologia do terreno (análise geográfica da envolvente)
3 - Implantação no terreno (análise da topografia do povoado)
4 - Visibilidade (análise do controle visual e da cobertura vegetal)
5 - Tipologia do sistema defensivo e reforços defensivos (fosso, dupla linha de muralha, bastiões, sistemas de entrada)
6 - Técnicas construtivas da muralha
7 - Demonstração de técnicas e táticas de assalto e defesa realizadas com os formandos
17:00 – Conclusões e encerramento

Todas as sessões serão ministradas por Miguel Serra e Eduardo Porfírio (Projeto Outeiro do Circo / Palimpsesto, Lda. / CEAUCP-CAM).
No final serão emitidos certificados de participação.

Nota: este primeiro curso é apenas direcionado para membros do exército português, mas poderá ser aberto ao público em geral a partir de Abril de 2013 se houver interessados em número suficiente para garantir o seu funcionamento. Os interessados poderão entrar em contacto com Miguel Serra (miguelserra@palimpsesto.pt) para se informarem das condições de participação. Mais se informa que no caso de inscrições de grupos, o número de participantes só a título excecional poderá ultrapassar os 30 elementos.

sábado, 3 de novembro de 2012

Conferência no Mestrado de Arqueologia e Território da Universidade de Coimbra

O Projeto Outeiro do Circo colaborou com o Mestrado da Arqueologia e Território da Universidade de Coimbra através da realização de uma conferência integrada no programa de estudo do seminário de Espaços e Sociedades leccionado pela Professora Raquel Vilaça.
Esta apresentação, sob o título "Paisagens fortificadas: muralhas do Bronze Final no Sudoeste Peninsular", abordou diversos casos de estudo, com especial ênfase para o povoado do Outeiro do Circo.
A conferência, a cargo de Miguel Serra, iniciou-se com uma breve passagem sobre as muralhas da actualidade, exemplificadas nos casos do Muro do Sahara Ocidental, do Muro México/Estados Unidos ou do Muro da Cisjordânia, demonstrando que este tipo de estruturas continuam a fazer parte das sociedades modernas.
Apresentaram-se de modo sintético algumas categorias de muralhas com exemplos de vários períodos, mostrando desde muralhas destinadas a proteger povoados, mas que podem transformar-se em símbolos de poder das comunidades que as construiram (Jericó), fortificações de cariz essencialmente militar (Krak des Chevaliers), vastas muralhas de fronteira (Muralha de Adriano, Muralha da China), redes de fortificações concebidas para um momento concreto (Linhas de Torres) ou grandes complexos defensivos estáticos (Linha Maginot, Muralha do Atlântico).
Pretendia-se com este panorama iniciar uma reflexão sobre o significado e sobre o impacto na memória das comunidades que este tipo de estruturas provocaram e transpor estas noções para os casos de estudo do Bronze Final em seguida abordados.
Pretendia-se assim que se discutisse a forma como as muralhas da Idade do Bronze poderiam ter sido percepcionadas pelas comunidades que as construiram e vivenciaram, mas também pelas comunidades que lhes sucederam.
Em seguida foram apresentadas as principais características dos quatro casos a analisar.
Em primeiro lugar a Coroa do Frade (Évora), com a apresentação da planta do povoado que revela algumas características particulares, como a presença de uma área melhor defendida a que poderá corresponder uma acrópole. Também se destacou um possível bastião de entrada, único no panorama do Sudoeste Peninsular para esta época. Foi ainda dado algum relevo à possível relação entre este povoado e o Castelo do Giraldo, que poderia integrar a mesma rede de povoamento, talvez com funções muito concretas como uma atalaia.
Em seguida foi abordado o caso do Passo Alto (Serpa), que constituí o povoado fortificado do Sul de Portugal que há mais anos é sistematicamente estudado. Destacaram-se algumas questões em torno da sua muralha vitrificada, do campo de cavalos de frisa, do fosso, do tipo de implantação do sítio e da sua cronologia, uma vez que se trata da muralha do Bronze Final melhor datada nesta vasta região.
O caso seguinte, o Castro dos Ratinhos (Moura), mereceu uma análise um pouco mais pormenorizada, por se tratar de um sítio exaustivamente escavado e integralmente publicado.
Os aspectos principais centraram-se na relação do povoado com o controle que exercia sobre uma zona de passagem como o rio Guadiana, sobre a complexidade de todo o sistema defensivo, que integra várias linhas de muralhas, um vasto fosso perimetral, ou uma clara acrópole de características únicas. Em detalhe foram também analisados alguns pormenores relacionados com as técnicas construtivas da impressionante muralha.
O último sítio analisado correspondeu ao Outeiro do Circo (Beja), que aqui surgia como um exemplo algo distinto dos anteriores, desde logo pela sua situação geográfica e topográfica (localiza-se no centro de uma vasta planície com solos extremamente férteis e ocupando uma longa, mas suave elevação) e pela sua inusual dimensão (17 hectares), o que permite inseri-lo numa categoria própria de mega aglomerados populacionais fortificados.
À semelhança da Coroa do Frade, também para o Outeiro do Circo se estabeleceu a possibilidade de ter relação com um pequeno sítio de altura que poderá ter servido como atalaia, o Cabeço da Serpe.
A análise do seu sistema defensivo baseou-se num trabalho interpretativo da fotografia aérea, permitindo a observação de dois possíveis momentos construtivos ou de duas concepções distintas da mesma época, correspondentes, por um lado à dupla linha de muralha do sector Sul/Sudeste e por outro ao vasto talude linear do sector Norte/Noroeste.
A existência de uma entrada a Sul, ladeada por dois bastiões defensivos de grandes dimensões foi outro dos aspectos discutidos.
Por fim, descreveu-se em pormenor o troço de muralha sujeito a escavações arqueológicas recentes, focando-se a análise no conceito de "muralha compósita", que integraria um conjunto de elementos defensivos em articulação entre si (muro superior, rampas e plataformas de barro e terra, muro de contenção inferior).
Em jeito de conclusão apelou-se novamente à tentativa de compreender como é que os indivíduos do Bronze Final olhavam para estas estruturas que marcavam de modo indelével a paisagem onde se moviam e de que forma estas terão moldado as próprias mentalidades.
Seguiu-se um debate longo e animado que em nossa opinião justifica a necessidade de novas leituras para este tema e de uma abordagem conjunta mais rigorosa, que no devido tempo esperamos apresentar sobre a forma de um artigo científico.
 
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Comunicação do Projeto Outeiro do Circo no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular

 
O Projeto Outeiro do Circo esteve presente no VI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, realizado entre 4 e 6 de Outubro na localidade de Villafranca de los Barros (Badajoz - Espanha).
A comunicação com o título "Atrás dos gestos: as cerâmicas decoradas do Outeiro do Circo (Mombeja, Beja, Portugal) e a ênfase nas decorações brunidas" resultou do trabalho desenvolvido por três colaboradoras do projeto: Ana Osório (Doutoranda em Arqueologia na Universidade de Coimbra, Bolseira FCT, membro do CEMUC e colaboradora do CEAUCP), Sofia Silva e Diana Fernandes (Mestrandas em Arqueologia e Território na Universidade de Coimbra).
A apresentação a cargo de Ana Osório incidiu na análise das cerâmicas decoradas do Bronze Final, com especial destaque para as cerâmicas de ornatos brunidos.
De um conjunto total de 8744 peças, detetaram-se 87 fragmentos com decorações efetuadas por várias técnicas (puncionamento, plástica, impressão, caneluras, incisão e brunimento).
Para além de uma caraterização formal (técnicas, gramáticas, tratamentos) foram ainda abordados aspetos relacionados com alguns ensaios de arqueologia experimental destinados a recolher dados comparáveis com os materiais exumados em escavação, nomeadamente na observação de técnicas de modelação, decoração e cozedura.
 
Apresentaram-se também alguns resultados sobre diversas análises relacionadas com os tipos de fabrico assinalados no material do Outeiro do Circo.
Esta comunicação será editada nas actas do encontro.
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Reunião sobre retoma do Projeto Outeiro do Circo

Realizou-se no passado dia 24 de Outubro, na sede da Junta de Freguesia de Mombeja, contando com a presença de um dos responsáveis do Projeto Outeiro do Circo (Miguel Serra), dos veradores da CDU na Câmara Municipal de Beja (Miguel Ramalho e Vítor Picado) e do executivo da Junta de Freguesia de Mombeja (Fátima Soares - presidente da junta e Sr. Prudêncio - secretário da junta), uma reunião para discussão do retomar dos trabalhos arqueológicos no Outeiro do Circo para 2013.
Abordaram-se entre outros assuntos os apoios necessários para a realização dos trabalhos e o fomento de atividades de divulgação do projeto com o objetivo de inserir estas propostas no plano de atividades da Câmara Municipal de Beja para 2013.
Seguem dois links com notícias sobre o assunto na imprensa regional e o comunicado integral dos vereadores da CDU.


http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?q=C/NEWSSHOW/51111

http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?q=C/NEWSSHOW/51122

Comunicado:

MUNICÍPIO DE BEJA DEVE ASSUMIR COMO SEU O PROJETO OUTEIRO DO CIRCO
Vereadores da CDU querem que município assuma o projeto arqueológico do Outeiro do Circo como um projeto importante para valorização do património histórico e um contributo para o desenvolvimento do concelho, em particular das Freguesias de Mombeja e Beringel.
No âmbito da atividade que ao longo do mandato têm vindo a desenvolver junto da população, em particular junto das diversas entidades do concelho, os Vereadores da CDU na Câmara Municipal de Beja, reuniram ontem – 24/10/2012 - em Mombeja com a Presidente da Junta de Freguesia local e com um técnico ligado á empresa que tem sido parceira do município neste projeto, a Palimpsesto.
A paragem das escavações em 2012, pelo fato da Câmara não ter disponibilizado uma verba, que rondaria os 3 a 4 mil euros, para pagamento das despesas de alimentação da equipa de cerca de 8 voluntários que durante o mês de Agosto tem, desde 2008, procedido às escavações, fato que levou à suspensão de outras ações, particularmente de visitas de grupos, alguns deles de turistas estrangeiros que patrocinam projetos no país inteiro, motivou a iniciativa dos eleitos da CDU procurando, numa fase em que está a ser preparado o Plano de Atividades e Orçamento que para 2013 seja garantida a continuação das escavações e o desenvolvimento deste projeto.
Refira-se ainda que a verba respeitante ao pagamento das refeições seria canalizada para a Associação local servindo dessa forma também para dinamizar a atividade da Associação e da Freguesia.
Saliente-se a disponibilidade da Junta de Freguesia de Mombeja para continuar a garantir todo o apoio que tem vindo a dar ao projeto, nomeadamente no transporte e alojamento do grupo de voluntários e a disponibilidade também já manifestada pela Junta de Freguesia de Beringel de poder vir a ter, no futuro, um maior empenhamento neste projeto (o Outeiro do Circo divide-se territorialmente pelas duas freguesias).
As propostas e preocupações que os Vereadores da CDU pensam transmitir à maioria na Câmara passam, entre outras por:
- a necessidade do município responder atempadamente no que diz respeito a um conjunto de ações programadas, de que salientamos uma proposta de Workshop de Cerâmica em Mombeja em Março e Abril;
- a necessidade do município responder ainda este ano ou o mais tardar até Janeiro/Fevereiro do próximo do apoio às escavações no próximo ano, já que as mesmas constituem a âncora dum conjunto de outras ações;
- a necessidade de elaboração de um Protocolo entre o município e os proprietários to terreno, que garanta saber de antemão o que é que os proprietários pretendem fazer no sitio, a manutenção de um caminho de acesso, para além da colocação de sinalética que facilite o acesso dos interessados na visita ao local.
Sublinhada a necessidade da definição atempada de objetivos do município para o sítio já que a definição dessas opções estratégicas são determinantes para a possibilidade de mobilização de um conjunto de recursos que doutra maneira haverá muito mais dificuldade em conseguir.
Os Vereadores da CDU manifestaram a sua disponibilidade para que este projeto venha a ter o desenvolvimento proposto e desejado tanto pela equipa de arqueólogos como pelas Juntas de Freguesia.

domingo, 7 de outubro de 2012

Exposição "Outeiro do Circo: o guardião da planície" - Fotos

Foi inaugurada no passado dia 28 de setembro a exposição "Outeiro do Circo: o guardião da planície", que estará patente ao público no Núcleo Museológico do Sembrano (Beja) até finais de 2013.
O evento contou com um primeiro momento no Museu Jorge Vieira/ Casa das Artes onde foi possível assistir à conferência "A região de Beja em torno do ano mil a.C. Entre a tradição e a inovação", proferida pela Professor Raquel Vilaça da Universidade de Coimbra perante uma plateia de cerca de 60 pessoas.
Esta viagem pelo período entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro permitiu uma melhor compreensão da importância do Outeiro do Circo no contexto regional e sobretudo possibilitou a um público menos familiarizado com o tema reconhecer os principais elementos e problemáticas desta época.
Em seguida os participantes deslocaram-se para a Rua do Sembrano onde na presença de mais de 70 pessoas teve lugar a inauguração da exposição e gerando-se um vasto convívio onde houve oportunidade para a colocação de diversas questões e comentários.
 
Os interessados poderão visitar esta exposição de terça-feira a domingo das 09:30 às 12:30 e das 14:30 às 18:00 e deixar-nos os seus comentários neste blog.
 
Montagem dos painéis
Montagem dos expositores
Expositor sobre a cerâmica decorada
Vista geral da exposição
Conferência no Museu Jorge Vieira/Casa das Artes
Inauguração da exposição
Pormenor da exposição
Expositor sobre a agricultura
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mombeja no Diário do Alentejo


Mombeja é a freguesia em destaque na edição de 28 de Setembro do Diário do Alentejo.
Os principais assuntos abordados centram-se no fecho da Escola Primária, entrevista a Fátima Soares, presidente da Junta e um destaque sobre o Projeto Outeiro do Circo.
Inclui reportagem de vídeo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Jornadas Europeias do Património 2012

 
O Projecto Outeiro do Circo estará presente nas comemorações das Jornadas Europeias do Património 2012 com a inauguração de uma exposição no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano (Beja) no dia 28 de Setembro. Esta iniciativa será precedida de uma conferência sobre a Idade do Bronze Final na região de Beja proferida pela Professora Raquel Vilaça.
 
Programa geral das Jornadas Europeias do Património:
 
Nota: as horas indicadas no programa para a conferência e inauguração da exposição estão incorrectas. O programa definitivo, bem como o cartaz de divulgação serão anunciados brevemente.

sábado, 8 de setembro de 2012

VI Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular


O Projeto Outeiro do Circo estará presente no VI Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular a realizar nos próximos dias 4 a 6 de Outubro na localidade de Villafranca de los Barros (Badajoz), com a seguinte comunicação:

Atrás dos gestos: as cerâmicas decoradas do Outeiro do Circo (Mombeja, Beja, Portugal) e o ênfase nas decorações brunidas.
Ana Osório[1], Sofia Silva[2], Diana Fernandes[3]

Geralmente, as cerâmicas decoradas representam uma percentagem pequena dos conjuntos exumados em escavação. As especificidades decorativas acrescentam porém aos materiais uma dimensão estética que se soma ou ultrapassa a da forma (ou assim lha somamos nós, arqueólogos) resultando num outro nível de tipificação e distinção dos sub-conjuntos durante a classificação. Disto resulta que, juntamente com algumas formas específicas é sobre os fragmentos decorados que recai frequentemente o ónus da discussão sobre trocas, influências e contactos entre regiões contíguas e/ou distantes.

Desde o reconhecimento da ocupação Proto-histórica do Outeiro do Circo que aí se identificaram cerâmicas com decorações brunidas. Esta identificação permitiu, na altura, enquadrar a ocupação no Bronze Final e relacioná-la com a cultura material do Sudoeste Peninsular. As últimas campanhas de escavações no Outeiro do Circo (2008-2011), focadas na compreensão do sistema defensivo e na muralha deste sítio, revelaram também (entre um conjunto mais vasto de cerâmicas em estudo) mais alguns exemplares decorados por brunimento que, embora escassos, sobressaem quantitativamente do conjunto das cerâmicas decoradas com outras técnicas.

Entretanto, escavações em variados outros sítios do Sudoeste, têm revelado que as decorações brunidas já não podem associar-se apenas ao Bronze Final e surgem também em contextos inequívocos da Idade do Ferro. Por outro lado, a discussão metodológica aponta outras vias de questionamento dos materiais que não apenas a tipificação formal e decorativa dos utensílios, procurando os gestos operatórios e as práticas que podem ser reflexo de diversidades culturais e saber fazer das comunidades, relacionadas ou não com dimensões “étnicas”. Com isto em mente, o trabalho que se segue debruça-se sobre o conjunto de cerâmicas decoradas do Outeiro do Circo no sentido de avaliar as particularidades da sua produção e decoração, comparando-as com as restantes decorações presentes no mesmo sítio; de modo a contribuir para o debate acerca da produção cerâmica e em particular das decorações brunidas no Sudoeste Peninsular.

Palavras chave: Outeiro do Circo; cerâmicas decoradas; decorações brunidas; Bronze Final; Sudoeste.

[1] Projecto Outeiro do Circo. Doutoranda em Arqueologia na Universidade de Coimbra. Investigadora integrada no CEMUC e colaboradora no CEAUCP/CAM. Bolseira da FCT (SFRH / BD / 42397 / 2007). Email: bica_ana@hotmail.com
[2] Projecto Outeiro do Circo. Mestranda em Arqueologia e Território na Universidade de Coimbra. Email: sofiaeiras22@gmail.com.
[3] Projecto Outeiro do Circo. Mestranda em Arqueologia e Território na Universidade de Coimbra. Email: dianaefernandes@gmail.com.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Visita do GAMNA - Balanço

Foi com grande prazer que recebemos um grupo de 25 membros do GAMNA no passado dia 7 de Julho no Outeiro do Circo.
A jornada passada em Mombeja começou com a visita ao local das escavações que despertou desde logo bastante curiosidade entre os participantes gerando diversas questões e permitindo uma intensa troca de ideias.

Ao fim da manhã o programa de atividades centrou-se em Mombeja onde se realizou uma receção aos visitantes no edifício da Junta de Freguesia, que englobou uma mostra variada dos produtos da região, desde o artesanato, à gastronomia, passando pelos têxteis e a pintura entre outros.
O ponto alto ocorreu com a atuação do Grupo Coral de Mombeja que junta vozes femininas e masculinas, entoando algumas modas sobre a aldeia de Mombeja e a região do Alentejo.
Houve ainda lugar à poesia popular que despertou um forte agrado nos participantes, após o que se gerou um vasto convívio entre todos os presentes e que continuaria no almoço organizado na Associação de Solidariedade Mombejense.
Para além deste ponto de interesse a visita do GAMNA incluiu ainda uma ida às escavações em curso no Forum de Pax Iulia, conduzidas pela sua responsável científica a Professora Maria da Conceição Lopes que orientou também um percurso pelo centro histórico de Beja.
O segundo dia foi dedicado aos Museus e permitiu um périplo pelo Museu Regional Rainha Dona Leonor e ao Núcleo Visigótico situado na Igreja de Santo Amaro, contando com as explicações do seu diretor, José Carlos Oliveira. Pelo meio visitou-se o Núcleo Museológico da Rua do Sembrano e o Museu Jorge Vieira.
As várias visitas de Domingo foram intervaladas com um almoço no restaurante o Charoco que permitiu recuperar forças e fugir ao calor que se começava a fazer sentir.

Por fim, a jornada terminou com a visita à villa romana de Pisões, seguindo-se o regresso do grupo a Lisboa.
Queremos naturalmente deixar alguns agradecimentos, começando pelo diretor do Museu Nacional de Arqueologia, Doutor Luís Raposo pelo interesse demonstrado e pelas muitas questões pertinentes que colocou. Entre os vários participantes cabe destacar a presença do Professor João Carlos Senna-Martinez, pois sem ele as explicações relacionadas com o mundo da Idade do Bronze teriam sido certamente mais pobres. Aos restantes elementos dos “Amigos” agradecemos o vivo interesse que manifestaram em todos os aspetos do programa de visita realizado e o excelente convívio que proporcionaram.
Uma palavra especial também para todos os que nos auxiliaram nas diversas visitas, como a Professora Conceição Lopes e o Dr. José Carlos Oliveira, desde logo pela disponibilidade demonstrada.
Ao Afonso Henriques e à Dona Lurdes um agradecimento muito especial pelo belo repasto que prepararam no Domingo.
E por último, agradecemos a todos os que em Mombeja ajudaram a preparar uma receção de grande qualidade e que constitui um incentivo à realização de novas ações similares. Um muito obrigado à presidente da Junta de Freguesia de Mombeja, Dr.ª Fátima Soares, aos restantes membros do executivo da junta e a todos os membros do grupo coral, da Associação de Solidariedade Mombejense e aos vários artesãos que nos brindaram com a excelência do seu trabalho. Enfim, um grande agradecimento à população de Mombeja por mais uma vez saber receber com tanto entusiasmo quem nos visita.
Da nossa parte resta manter a disponibilidade para manter vivo o interesse sobre o projeto Outeiro do Circo e sempre que possível dar um contributo para divulgar a região e as suas gentes.

Miguel Serra e Eduardo Porfírio

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Visita do GAMNA


No âmbito do seu programa de atividades anuais o Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia efetua uma visita de dois dias à região de Beja (http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt/?a=7&x=3), que inclui a visita guiada ao Outeiro do Circo na manhã de dia 7 de Julho, completada com uma mostra de artesanato em Mombeja e a atuação do Grupo Coral Feminino de Mombeja, a que se seguirá um almoço na Associação de Solidariedade Mombejense. A jornada incidirá ainda sobre diverso património da cidade de Beja e arredores.

Programa:
7 de Julho
9:30 – 11:30 – Visita ao Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel).
Conduzida por Miguel Serra e Eduardo Porfírio (Projeto Outeiro do Circo/Palimpsesto/CEAUCP)
11:30 – 13:00 – Atuação do Grupo Coral de Mombeja e mostra de artesanato na Junta de Freguesia de Mombeja
13:00 – 14:30 – Almoço na Associação de Solidariedade Mombejense
14:30 – 15:00 – Viagem Mombeja – Beja
15:00 – 16:30 – Visita às escavações do Forum de Pax Iulia
Conduzida por Conceição Lopes (Projeto Arqueologia das Cidades de Beja/Univ. Coimbra/CEAUCP)
16:30 – 19:00 – Percurso pelo centro histórico de Beja
Conduzido por Conceição Lopes e Miguel Serra

8 de Julho
09:30 – 11:30 – Visita ao Museu Regional Rainha Dona Leonor
11:30 – 12:30 – Visita ao Núcleo Museológico da Rua do Sembrano
Conduzida por Miguel Serra
12:30 – 14:00 – Almoço
14:00 – 15:00 – Visita à Igreja de Santo Amaro (Núcleo Visigótico)
15:00 – 15:30 – Viagem Beja – Pisões
15:30 – 17:30 – Visita à villa romana de Pisões
Conduzida por Miguel Serra


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Conferência na AAA

Report of lecture:
Tuesday 8th May 2012. Miguel Serra and Eduardo Porfírio. Outeiro do Circo. Bronze Age site Beja

http://www.arqueoalgarve.org/6.html

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cancelamento do Projeto Outeiro do Circo


O Projeto de Investigação Arqueológica dedicado ao Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel – Beja) foi cancelado por falta de apoio por parte da Câmara Municipal de Beja.

Entre 2008 e 2012 realizaram-se quatro campanhas de escavação neste importante sítio arqueológico do Baixo Alentejo, que contaram com o apoio de diversas instituições, mas que dependeram sempre do apoio financeiro da Câmara Municipal de Beja, no papel de principal parceira do projeto.

Para além das ações de campo realizadas, foi desenvolvido um intenso e variado programa social e de divulgação que contribuiu de forma indelével para um maior reconhecimento deste projeto e para dar a conhecer um pouco de uma região deprimida localizada fora dos principais circuitos turísticos da região alentejana.

As expetativas criadas com os resultados obtidos e as reações positivas a este projeto levaram a que em Janeiro de 2012 fosse apresentado à Câmara Municipal de Beja um novo pedido de apoio centrado no desenvolvimento de nova fase de investigação do sítio e da região onde se insere, dando cumprimento a um dos objetivos estabelecidos em 2008, que visava a criação de um programa geral de investigação após uma fase de avaliação das potencialidades do sítio arqueológico.

O programa sugerido para a intervenção a realizar entre 2012 e 2015 pressupunha uma nova abordagem ao Outeiro do Circo e a outros sítios da Idade do Bronze localizados nas proximidades, englobando a criação de áreas visitáveis ao público, fator determinante para garantir o interesse sobre o projeto através da conquista de novos públicos e permitindo o surgimento de uma mais valia patrimonial na região.

Os aspetos relacionados com a divulgação e as ações sociais mereceram natural ênfase dado o relativo sucesso atingido nos anos anteriores.

Em suma, a nova fase proposta permitia um aumento da área de intervenção com naturais consequências em termos de novos conhecimentos científicos, criação de espaços visitáveis, incremento das ações de divulgação e educação patrimonial, entre outras. Tudo isto cabimentado de acordo com os mesmos custos da fase anterior, através de uma otimização e rentabilização dos meios colocados à disposição da equipa científica.

Após um longo período sem resposta em relação a este pedido, fomos informados no dia 15 de Junho que a Câmara Municipal de Beja não estaria em condições de confirmar os apoios para o presente ano.

O arranque de um novo projeto teria sempre de ser devidamente organizado em tempo útil, pelo que a resposta da Câmara Municipal de Beja apenas veio confirmar aquilo que já sabíamos ser inevitável.

Sempre nos transmitiram o interesse por parte do executivo neste projeto que esperamos que se mantenha para uma nova oportunidade a surgir o mais brevemente possível.

Resta-nos garantir que manteremos o interesse e persistência para recuperar tempo perdido e voltar ao Outeiro do Circo no prazo mais curto possível. Aliás, haverá um retorno constante e em breve para realizar outras atividades no Outeiro do Circo, quer as que já se encontram agendadas, quer outras que ainda estamos a organizar ou outras ainda que surjam oportunamente.

O impacto deste projeto junto da comunidade local é o garante da nossa vontade de realizar todas as ações possíveis, mesmo sem os apoios desejáveis. E é com essa certeza que entre Julho e Outubro iremos realizar algumas visitas organizadas, ações de formação e oficinas de arqueologia experimental.

Resta-nos agradecer o apoio de todos os que participaram neste projeto, desde os colaboradores mais diretos, aos voluntários, os diversos investigadores de várias áreas, aos amigos, às entidades parceiras, à população de Mombeja pelo seu carinho e amizade e a todos os que contribuíram para o sucesso alcançado.

Acreditamos convictamente que se tratará apenas de uma breve interrupção, que tentaremos minimizar neste espaço, dando conta dos diversos resultados que ainda esperamos alcançar durante este ano, como por exemplo no caso das análises no domínio das arqueociêcnias e outras atividades que se consigam realizar.

Coimbra e Lisboa (com o pensamento em Mombeja), 16 de Junho de 2012

Miguel Serra e Eduardo Porfírio
Responsáveis do Projeto Outeiro do Circo.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A ocupação do território 3

Corte da Azenha (Santa Vitória) – necrópole de cistas do Bronze Médio


A necrópole de cistas de Corte d`Azinha, por vezes mencionada como Corte da Azenha, situa-se na freguesia de Santa Vitória, não sendo possível precisar a sua localização exata, uma vez que Abel Viana apenas nos indica que esta se situa “…em uma ladeira próxima do monte da Corte d`Azinha…” (Viana, 1954: 19).

Integra o núcleo de necrópoles do Bronze Médio que se concentra ao longo das Ribeiras do Roxo e da Chaminé (Parreira, 1998: 270).

Esta necrópole foi detetada em Dezembro de 1949 durante a realização de trabalhos agrícolas que expuseram algumas lajes pertencentes a diversas cistas. Em 1951 seria intervencionada por Abel Viana e Álvaro-João de Brée que escavaram três cistas ditas de “tipo argárico” (Viana, 1954: 19). Uma das cistas ainda possibilitou a recuperação de um dente humano e um vaso esférico, enquanto que as restantes duas já não possuíam espólio.

Pouco mais sabemos acerca desta necrópole, uma vez que não teve intervenções posteriores, apesar de Abel Viana e Fernando Nunes Ribeiro alguns anos mais tarde num artigo de síntese dedicado às “Necrópoles Argáricas de Santa Vitória” a mencionarem a propósito da sua curta distância em relação às Minas da Juliana (dista cerca de 3 Km), procurando uma eventual relação entre a sua localização e a importância da existência da mineração do cobre, fator que poderia ter contribuído para a concentração de várias necrópoles de cistas nas zonas de Ervidel, Santa Vitória e Mombeja (Viana e Ribeiro, 1956: 157).

Bibliografia:
PARREIRA, R. (1998) – As arquitecturas como factor de construção da paisagem do Alentejo Interior. in, Existe uma Idade do Bronze Atlântico, Trabalhos de Arqueologia. Instituto Português de Arqueologia. Lisboa, 10, p. 267-273
VIANA, A. (1954) – Notas históricas, arqueológicas e etnográficas do Baixo Alentejo. Arquivo de Beja. Beja. 11, p. 3-31
VIANA, A. e RIBEIRO, F. N. (1956) – Notas históricas, arqueológicas e etnográficas do baixo Alentejo. Arquivo de Beja. Beja. 13, p. 110-167
Localização do monte Corte d`Azinha na CMP 1:25000, folha 530 (Santa Vitória)

As cistas de Corte da Azenha estão indicadas com as letras B, C e D (retirado de Viana e Ribeiro, 1956: 164).