sábado, 11 de janeiro de 2020

Faunas do Outeiro do Circo

O Projecto Outeiro do Circo iniciou nova colaboração para o estudo Zooarqueológico dos restos de faunas recolhidos nas campanhas arqueológicas realizadas entre 2008 e 2017, que será desenvolvido por Nelson J. Almeida, investigador da UNIARQ - Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa e que colaborou na campanha arqueológica de 2019 no Outeiro do Circo. 
O estudo tem como principais objectivos, por um lado, a identificação anatómica, taxonómica e de padrões de abate das faunas recuperadas e, por outro lado, a compreensão do processamento e consumo pelos grupos humanos do Outeiro do Circo. Com base nos dados obtidos, será possível estabelecer comparações com outros contextos regionais cronologicamente similares, mas também analisar as persistências e mudanças na gestão dos recursos animais ao longo do tempo.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

TAG Ibérico 2020


E 2020 começa com o anúncio do programa do congresso TAG Ibérico, no qual o Projecto Outeiro do Circo irá estar presente.
O TAG Ibérico, dedicado à teoria arqueológica, realiza-se nos dias 13 a 15 de Fevereiro de 2020 na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e no Museu Arqueológico do Carmo. 
O Projecto Outeiro do Circo está integrado na 8ª sessão (No todo es lo que parece: repensando la educación pública y la divulgación en la Arqueología y en la gestión del Patrimonio de la Península Ibérica), no dia 14 de Fevereiro, coordenada por Laura Coltofean e Tiago Gil, onde será apresentada a comunicação "Investigação arqueológica e divulgação junto da comunidade. Algumas considerações tendo como base o caso prático do Projecto Outeiro do Circo", a cargo de Eduardo Porfírio e Miguel Serra. 


Resumo:

Investigação arqueológica e divulgação junto da comunidade. Algumas considerações tendo como base o caso prático do projecto Outeiro do Circo.
Eduardo Porfírio e Miguel Serra

Desde o seu início em 2008 que o Projecto Outeiro do Circo tem vindo a desenvolver actividades de socialização do conhecimento científico. Recorrendo a vários pressupostos e conceitos oriundos da área da designada Arqueologia Pública, da Arqueologia Comunitária e da Educação Patrimonial, o projecto foi-se estruturando segundo uma matriz muito própria, devida, sem dúvida e em primeiro lugar às características sociais específicas da aldeia de Mombeja (Beja), mas a ela não se restringindo pois as redes sociais possibilitam a criação de uma comunidade de cariz virtual, logo de abrangência muito mais vasta.
Se nos anos iniciais as actividades de divulgação eram encaradas como uma contrapartida ao financiamento municipal do projecto, é de salientar que com o passar do tempo, a comunidade local foi adquirindo um papel mais interventivo. Em primeiro lugar por ter passado a propor, junto dos responsáveis científicos, a realização de eventos mais ajustados aos seus interesses e objectivos, resultando por exemplo na estruturação de uma visita tipo para grupos de ocupação de tempos livres para jovens em férias. Em segundo, porque vários elementos oriundos maioritariamente da comunidade virtual, possuidores de aptidões artísticas nomeadamente ao nível do vídeo e da fotografia, trabalharam directamente com o projecto usando-o como tema para as suas produções, daqui resultando uma série de novas perspectivas sobre o povoado, sobre a sua investigação e, acima de tudo, sobre a componente humana que interage entre si tendo como ponto de contacto o sítio arqueológico do Outeiro do Circo.
Nesta comunicação, para além de se apresentarem algumas das actividades realizadas no âmbito do projecto de Educação Patrimonial do Outeiro do Circo, discute-se a componente conceptual subjacente a este projecto, destacando-se, com base nos exemplos apresentados, a aplicação prática dos conceitos e dos pressupostos teóricos e o modo como estes são moldados pelas características sociais da comunidade local, mas também da virtual.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Balanço 2019

O ano de 2019 viu o Projecto Outeiro do Circo retomar o seu curso com a aprovação de um novo projecto científico, intitulado "Projecto Arqueológico do Outeiro do Circo (Beja). PAOC 2019-2021", o 3º projecto de investigação a ser desenvolvido sobre este sítio desde 2008, para além de outros mais específicos.
Esta nova fase de investigação irá decorrer no triénio 2019-2021, através de contrato celebrado com a Câmara Municipal de Beja e com a execução dos trabalhos a cargo da empresa Palimpsesto, contando ainda com o apoio da União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja.
Os objectivos deste projecto foram apresentados à comunidade de Mombeja numa sessão de apresentação ocorrida em Maio, integrada na Semana Cultural da União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja.
Apresentação do projecto em Mombeja

Em Agosto, a equipa de investigação regressou ao terreno para iniciar os trabalhos de campo da 1ª campanha de escavações arqueológicas deste novo projecto, centrada no alargamento de uma sondagem junto à muralha, onde se espera documentar a existência de vestígios habitacionais da Idade do Bronze Final.
A campanha de 2019 contou com a coordenação de Miguel Serra (CM Serpa e CEAACP), Eduardo Porfírio (Palimpsesto e CEAACP) e Sofia Silva (Palimpsesto), com a presença dos arqueólogos Luís Costa e Nelson Almeida, dos estudantes de arqueologia Pedro Caria (Univ. Lisboa), Bruno Leal (Univ. Évora), Pietro Mack e Ana Rita Pereira (Univ. Coimbra), o estudante de arquitectura Hugo Martins (Univ. Coimbra), de João Guerreiro, de Beja e Daniel Triton, cidadão francês residente em Mombeja.
Os trabalhos desenvolvidos durante o mês de Agosto permitiram o alargamento de uma área de 100 m2 onde foram escavados os níveis mais superficiais, nos quais se observou a presença de diversos materiais de fases mais recentes da ocupação do Outeiro do Circo, nomeadamente da Idade do Ferro e de época romana.
Alargamento da área de escavação

Escavação na muralha

Durante a campanha foram também promovidas algumas iniciativas de formação, dirigidas aos voluntários, nomeadamente um conjunto de breves "Barferências", conferências em regime informal realizadas no Café Mouzinho em Mombeja, a cargo de Nelson Almeida, sobre Arqueozoologia, Eduardo Porfírio, sobre o sistema defensivo do Outeiro do Circo e sobre fotogrametria, para além de uma sessão sobre cerâmica conduzida por Sofia Silva.
Também houve lugar às habituais visitas guiadas durante as escavações, que por dificuldades de acesso ao local se limitaram a cerca de 30 visitantes.
Barferência sobre arqueozoologia

Visitas ao Outeiro do Circo

Em Fevereiro, o Projecto Outeiro do Circo efectivou uma nova colaboração, com a Câmara Municipal de Aljustrel, com o objectivo de proceder ao estudo e publicação de uma estela de tipo Alentejano, a estela da Carniceira (São João de Negrilhos, Aljustrel), recentemente incorporada no Museu Municipal de Aljustrel.
Estela da Carniceira

Em Abril, o Outeiro do Circo "viajou" até Vila Nova de Foz Côa para participação nas jornadas internacionais Fazer com Tod@s - Arqueologia, Museus e Comunidade(s), onde foi apresentada a conferência "O Xaroco e o Projecto Outeiro do Circo. O vento como metáfora da divulgação junto da comunidade local", por Eduardo Porfírio. 
Apresentação em Vila Nova de Foz Côa

O documentário Xaroco foi também tema de uma apresentação a cargo da própria realizadora, Andrea Mendoza, que decorreu no Departamento de Arquitectura da Universidade de Roma 3, no mês de Maio e esteve inserido na programação do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa para as iniciativas da Noite Branca, em Braga, no início de Setembro.
Em Maio, o Projecto Outeiro do Circo esteve também presente nas V Jornadas de Pré e Proto-história da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com a comunicação de Miguel Serra "Pedra, terra e madeira. A escavação de uma muralha do Bronze Final nas planuras de Beja" e em Junho no EJI-PATER - Encontro de Jovens Investigadores Património e Território, realizado na Universidade do Minho em Braga, onde foi apresentado o poster de Sofia Silva "O quadro tipológico das cerâmicas do povoado fortificado do Outeiro do Circo (Beja) - Novos dados, formas velhas". Também em Braga, haveria de ter lugar em Novembro, uma aula aberta sobre cerâmicas do Outeiro do Circo, a cargo de Sofia Silva, integrada no Curso de Arqueologia da Universidade do Minho e que foi desenvolvida no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, como resultado de uma parceria anteriormente estabelecida.
No mês de Outubro realizou-se o II Colóquio de Arqueologia e História do Concelho de Penamacor, onde o Projecto Outeiro do Circo esteve presente através da comunicação de Miguel Serra "O ancoriforme: um indecifrável símbolo de união de lugares distantes. Relações entre a Beira Interior e o Baixo Alentejo durante a Idade do Bronze Pleno".
Apresentação nas V Jornadas de Pré e Proto-história da FLUC

Ao nível de publicações o ano de 2019 foi de intenso trabalho em várias frentes, com a entrega de artigos de síntese sobre o projecto de 2014-2017, um trabalho sobre exploração de recursos líticos, uma síntese do povoamento da Idade do Bronze na região de Beja, o resumo da campanha de 2017, uma outra síntese sobre 10 anos de Educação Patrimonial  no Outeiro do Circo e um trabalho sobre os resultados do estudo arqueofaunístico. Espera-se que todos estes trabalhos sejam editados ao longo de 2020, sendo de registar em 2019 a publicação de um artigo sobre o projecto de divulgação "12 Lugares, 12 Meses, 12 Histórias - A Idade do Bronze na região de Beja", nas páginas da revista Al Madan. 
A finalizar o ano houve ainda tempo para desenvolver 4 acções de formação em Beja, fruto do convite efectuado pela Fundação Inatel, dinamizadas por Miguel Serra e que incidiram na temática da relação da investigação arqueológica no Outeiro do Circo com as comunidades locais. 

O ano de 2019 fica ainda marcado pela partida do nosso colaborador e amigo Rui Gaibino, figura indispensável para que o documentário Xaroco tivesse sido possível. 

Espera-se um 2020 pleno de actividades no Projecto Outeiro do Circo de que continuaremos a dar notícia regularmente neste espaço.

FELIZ ANO NOVO

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019


Um projeto que não avança…

Mombeja 2012.

Em 2012 Mombeja viu a sua escola primária ser encerrada.

Nesse mesmo ano o Projecto Outeiro do Circo foi suspenso por falta de financiamento da Câmara Municipal de Beja. 

A argúcia de José Frade, poeta popular local, não deixou estes assuntos passarem em claro e rapidamente lhes dedicou umas quadras…



Mombeja

Uma aldeia sem escola é como uma casa sem pão.

Um mendigo sem esmola,

 um corpo sem coração,

é como uma árvore sem rama,

um rebanho sem pastor,

como um verão sem calor,

um Inverno sem lama,

um bebé sem mãe nem ama,

uns sapatos sem ter solas,

um musico sem viola,

um banco sem capital,

é como um rio sem caudal,

uma aldeia sem escola,

é como um barco sem fundo,

um passarinho sem asas

como um lume sem brasas,

como um pobre surdo-mudo,

como um circo sem faz tudo,

um quintal sem portão,

um ceguinho sem um cão,

um carro sem ter motor,

é como um parto sem dor,

é como uma casa sem pão,

é como um casal sem descendentes,

como uma noite sem luz,

como um calvário sem cruz,

como uns óculos sem lentes,

como uma fonte sem nascentes,

um mestre sem bitolas,

um polícia sem pistola,

um objeto que não presta,

é como uma colmeia sem mestra,

 e um mendigo sem esmola,

um albergue sem telhados,

como uma ave sem ninho,

uma terra sem caminho,

um idoso abandonado,

um carreto já passado,

uma espiga sem ter grão,

uma cama sem colchão,

um projeto que não avança,

um doente sem esperança,
 e um corpo sem coração.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Outeiro do Circo e Inatel

O Projecto Outeiro do Circo desenvolveu 4 acções de formação, a convite da Fundação Inatel, no âmbito do Programa Inatel 55 +.pt, destinado a pessoas com 55 ou mais anos, com o objectivo de estimular a participação cívica e o envelhecimento activo. 
As formações decorreram nas instalações do Hotel Francis, em Beja, em sessão teórica, e no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, com visitas comentadas. 
As sessões teóricas incidiram numa apresentação sobre o Projecto Outeiro do Circo, onde se procurou fazer um breve enquadramento sobre os objectivos e principais resultados da investigação arqueológica neste sítio, seguindo-se um desenvolvimento sobre o Programa de Educação Patrimonial e de Arqueologia Comunitária para além dos aspectos relacionados com as formas de divulgação do conhecimento desenvolvidas neste projecto. O objectivo destas sessões centrava-se na sensibilização para a importância a atribuir às comunidades locais na valorização e protecção do património arqueológico e eram completadas com uma parte final de debate.
Após a sessão teórica, as formações foram continuadas com a realização de visitas comentadas a um espaço museológico na Rua do Sembrano, onde os participantes puderam ter contacto com a preservação in situ de vestígios arqueológicos, e ao mesmo tempo conhecer um pouco sobre o passado da cidade de Beja e também sobre as novas realidades documentadas no Alentejo através da exposição temporária dedicada aos 20 anos de trabalhos arqueológicos no âmbito do projecto Alqueva. 
Os grupos participantes eram oriundos das regiões do Porto, Lisboa, Setúbal, Leiria, Coimbra, Guarda e Castelo Branco, num total de 184 assistentes. 
As sessões foram dinamizadas por Miguel Serra, coordenador do Projecto Outeiro do Circo e decorreram nos dias 27 de Novembro, 4, 11 e 18 de Dezembro.