domingo, 28 de agosto de 2016

Notas de Campo (4) - Campanha de 2016

Durante a 3ª semana de escavações no Outeiro do Circo os trabalhos prosseguiram a bom ritmo, em boa parte devido às tréguas do clima que se revelou mais ameno, com a continuação das sondagens 7 e 8 e a abertura de duas novas áreas de intervenção.
Na sondagem 7 surgiram as primeiras evidências que apontam para a presença de níveis provavelmente conservados. Referimo-nos a um alinhamento de grandes blocos pétreos identificados a quase 1 metro de profundidade após a remoção de uma espessa camada de terras negras que se revelou extremamente compacta e difícil de escavar. 
O cenário na sondagem 8 é bastante diferente pois começam a ser identificadas diversas realidades arqueológicas, o que leva a uma maior morosidade nos trabalhos. O alinhamento de pedras onde se identificou o bloco rochoso com "covinhas" marca claramente uma barreira, identificando-se unidades muito diferentes de um lado e outro desse alinhamento que no entanto parece ter sido bastante destruído por acção de lavouras mecânicas. 
Iniciaram-se ainda duas novas áreas de sondagem de menor dimensão com o intuito de prosseguir a avaliação dispersa do potencial estratigráfico da zona mais alta do povoado, à semelhança do pretendido com a sondagem 9, já concluída. Abriu-se a sondagem 10, com 2 x 2 metros, nas proximidades da sondagem 3 e junto ao moroiço de pedras que ocupa a zona mais elevada do Outeiro do Circo.
Tal como também havia sucedido na sondagem 9, também aqui o substrato geológico se encontrava a pouca profundidade, mas neste caso tal não se deverá exclusivamente à prática agrícola, mas antes à erosão e à pouca profundidade dos solos, o que mais uma vez não possibilita expectativas de se encontrarem estruturas conservadas. 
A sondagem 11, com 3 x 2 m, foi aberta um pouco mais para Sudoeste junto à linha de árvores que divide o povoado no seu eixo longitudinal e localizada numa zona mais plana e afastada das cotas mais altas. Aqui o objectivo também passava por tentar compreender a natureza do talude de pedras que se encontra coberto pela linha de árvores e ao mesmo tempo verificar se nesta zona mais plana é possível haver maior potência de solos. 
No trabalho de gabinete houve lugar ao início da marcação de materiais recolhidos em campanhas anteriores para além da continuação da lavagem e limpeza das peças que continuam a ser recolhidas na presente campanha. Antes dos trabalhos de marcação efectuou-se uma pequena sessão dirigida aos voluntários para explicação da metodologia a utilizar e uma mostra de materiais das campanhas passadas.
Nesta 3ª semana contámos ainda com a presença de João Chinita, que tem colaborado com o Projecto Outeiro do Circo na área de multimédia, ilustração e produção de conteúdos de divulgação, que efectuou algumas filmagens e fotos aéreas com drone no sítio e que serão em breve publicadas neste blogue.


Em relação ao Ciclo de Conferências, houve necessidade de proceder a uma alteração no programa uma vez que o conferencista agendado para dia 16, o professor Ignacio Pavón Soldevila, não pôde comparecer por motivos pessoais, sendo feita em substituição uma conferência a cargo dos responsáveis científicos do projecto, Miguel Serra e Eduardo Porfírio, com uma apresentação sobre o Outeiro do Circo e que percorreu os antecedentes da investigação em curso, passando pelos principais resultados do projecto anterior, pelo programa de Educação Patrimonial e terminando com a exposição dos objectivos do projecto em curso.
Esta sessão contou com 25 assistentes entre os voluntários do Outeiro do Circo e do Projecto Arqueologia das Cidades de Beja, cuja equipa também se encontra em escavações arqueológicas em Beja, e outros interessados nestes temas.
No dia 18 foi a vez de António Monge Soares brindar os cerca de 30 assistentes com uma apresentação sobre a Idade do Bronze no Sul de Portugal e que permitiu conhecer muitas das imensas novidades surgidas nos últimos anos no que a este período diz respeito.



Por fim falta referir apenas a participação de mais um grupo de Actividades de Tempos Livres, desta vez organizado pela associação juvenil Arruaça, e que levou 11 jovens acompanhados por 2 monitores a conhecerem o Outeiro do Circo, mas também o trabalho de gabinete, normalmente menos conhecido, no qual prestaram a sua ajuda e envolveram-se no contacto directo com os materiais arqueológicos.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ciclo de Conferências Outeiro do Circo 2016 - 4ª sessão

O Ciclo de Conferências de 2016 do Projecto Outeiro do Circo termina amanhã dia 25 de Agosto, com uma apresentação de Rui Mataloto sobre os inícios da Idade do Ferro na região de Beja.
A sessão tem início às 21:30 no largo do Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, em Beja.

Através dos Campos: aspectos da vida rural nos campos de Beja nos meados do Iº milénio aC
Rui Mataloto
Câmara Municipal de Redondo
Mail: rmataloto@cm-redondo.pt; rmataloto@gmail.com

Resumo
A região meridional do Baixo Alentejo foi, no último quarto do século XX, base para o paradigma da Idade do Ferro do Sul do território actualmente português, em particular na sua vertente funerária. No arranque deste século temos vindo a reconhecer, agora na região Norte do Baixo Alentejo, um novo paradigma sepulcral que veio alterar profundamente o conhecimento que tínhamos sobre os hábitos funerários, mas igualmente sociais e culturais, das sociedades do interior Sul do território actualmente português, conferindo, de novo, um papel cimeiro ao Alentejo a Sul de Portel no conhecimento das dinâmicas sociais e culturais durante a Idade do Ferro antiga.




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Conferência "Detecção remota aplicada à detecção e registo de estruturas arqueológicas"

O Projecto Outeiro do Circo convida a assistir à conferência "Detecção remota aplicada à detecção e registo de estruturas arqueológicas" que será proferida pelo Eng. Samuel Neves no próximo dia 23 de Agosto às 21:30 no largo do Núcleo Museológico da Rua do Sembrano em Beja.
O Eng. Samuel Neves é colaborador do Projecto Outeiro do Circo, tendo integrado a equipa da Universidade de Évora responsável pelas prospecções geofísicas aí realizadas. Posteriormente, através da SPN - Engenharia e Geofísica, realizou o modelo digital do terreno do Outeiro do Circo e actualmente encontra-se a efectuar trabalhos de detecção remota com recurso a várias técnicas não intrusivas.
Aqui fica o resumo da conferência.

Detecção remota aplicada à deteção e registo de estruturas arqueológicas
Eng. Samuel Neves
SPN – Engenharia e Geofísica

Resumo
A introdução das novas tecnologias na prospeção arqueológica e registo arqueológico têm permitido a todos os intervenientes rápidas e cirúrgicas intervenções.
Os novos métodos de diagnóstico recorrendo a técnicas de deteção remota, tais como: a deteção de estruturas por análise NIR (Near Infrared Analysis), que permitem a detecção indireta de estruturas arqueológicas enterradas através do índice de vegetação, e a deteção de estruturas por análise LWIR e SWIR (Longwave and Shortwave Infrared Analysis), possibilita a localização com elevado detalhe e precisão de estruturas enterradas. Estes métodos são realizados com recurso a drone e equipados com câmaras apropriadas para o efeito.
Atualmente, os métodos de captura da realidade bem como os programas informáticos estão cada vez mais desenvolvidos, o que possibilita capturar e gerar modelos digitais 3D de qualquer objecto (terrenos, estruturas arqueológicas, peças cerâmicas, etc), com grande detalhe, precisão e com elevada rapidez de execução.
Estes métodos são não-invasivos, não sendo necessária a escavação do local, nem a paragem de outros trabalhos em curso para a realização destes serviços.
A combinação destes métodos permite ao grupo de especialistas o estudo intemporal destes objetos e divulgar à sociedade os estudos realizados de uma forma simples, dinâmica, interativa e de fácil perceção. Serão apresentados vários casos onde foram aplicados estes métodos em Portugal.

domingo, 21 de agosto de 2016

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ciclo de Conferências Outeiro do Circo 2016 - 3ª sessão

Quinta feira, dia 18 de Agosto, prossegue o ciclo de conferências Outeiro do Circo 2016 que sob o tema "Territórios", centra agora as atenções na Idade do Bronze no Sul de Portugal através de uma conferência a cargo de António Monge Soares. 
A sessão tem início às 21:30 no largo do Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, em Beja.

A Idade do Bronze no Sul de Portugal
António Monge Soares

Resumo
Como resultado dos trabalhos de prospecção e escavação arqueológicos, levados a cabo nas últimas duas dezenas de anos, diversas necrópoles atribuíveis ao Bronze do Sudoeste, bem como diversos povoados, têm sido registados no lado português do Sudoeste Ibérico. Estes registos arqueológicos modificaram por completo o panorama, conhecido até aos anos setenta do século passado, referente ao Bronze do Sudoeste nesta região, embora lacunas importantes se julgue continuarem a existir. Nesta comunicação, após se exporem diversas reflexões acerca do designado Horizonte de Ferradeira e se descrever, com algum pormenor, um contexto dessa época, datado pelo radiocarbono, é feita uma síntese dos conhecimentos existentes sobre o Bronze Pleno no Sul de Portugal. Partindo da investigação arqueológica realizada na margem esquerda do Guadiana, salienta-se o polimorfismo da arquitectura funerária durante o Bronze Pleno e interpreta-se o aparecimento, em algumas necrópoles, de escassos restos cerâmicos e líticos que, não constituindo dádivas funerárias, indiciam rituais funerários e/ou a proximidade de áreas de habitat. Em seguida, a partir dos povoados conhecidos do Bronze Final, os quais ocupam posições diversas no terreno e apresentam características igualmente diversas, são definidos quatro grandes grupos que se poderão generalizar a todo o território em análise. Dentro destes poderão, porventura, destacar-se os povoados de planície, só recentemente identificados, nomeadamente aqueles que se revelam por campos de silos (“campos de hoyos”), tão característicos da zona da Meseta, designadamente da região de Madrid, mas até há pouco tempo desconhecidos no registo arqueológico do Sudoeste Peninsular. Por fim, os aspectos cronológicos são também desenvolvidos, tendo em conta as datações de radiocarbono de que se dispõe actualmente.