domingo, 6 de maio de 2018

A ocupação do território 12

Monte do Mosteiro (Salvada/Quintos) - povoado fortificado do Bronze Final

O Monte do Mosteiro é um povoado fortificado situado sobre um meandro pronunciado que remata numa zona de encosta escarpada sobre a Ribeira de Terges. Reconheceu-se a existência de uma possível linha de muralha no acesso norte, apesar de não se conhecer a sua planta. Pelo tipo de implantação atribui-se-lhe uma cronologia entre o Bronze Final e a I Idade do Ferro, apesar de não se terem recolhido materiais, situação que necessitará da necessária comprovação arqueológica futura. A plataforma passível de ter sofrido ocupação possui cerca de 4 hectares. 
Será sem dúvida precipitado tecer mais considerações sobre este sítio devido ao parco estado dos conhecimentos, mas não podemos deixar de notar mais uma vez a importância da sua localização para o controlo de uma zona de passagem situada na Ribeira de Terges (Barros, 2012: 222; Serra e Porfírio, 2017; Serra, 2014). 

Bibliografia:
BARROS, P. (2012), O Bronze Final na região de Mértola. In, JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed.), Sidereum Ana II – El río Guadiana en el Bronce Final. Mérida: Anejos de AEspA, LXII, pp. 215-227. 
SERRA, M. e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, 1, p. 209-232
SERRA, M. (2014), Muralhas, Território, Poder. O papel do povoado do Outeiro do Circo (Beja) durante o Bronze Final. In VILAÇA, R. e SERRA, M. (coord), Idade do Bronze do Sudoeste - Novas perspetivas sobre uma velha problemática. Coimbra [http://www.uc.pt/fluc/iarq/pub_online/], p. 75-99.

Localização do Monte do Mosteiro (Salvada / Quintos) na CMP 541
Localização do Monte do Mosteiro (Salvada / Quintos) no Google Earth
Localização do Monte do Mosteiro (Salvada / Quintos) no Google Earth


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Reportagem do Diário do Alentejo "Beja antes da chegada dos romanos"

O Diário do Alentejo fez uma reportagem sobre o tema da conferência "Um mundo em mudança - Transformação e diversidade nas sociedades da idade do bronze do Sudoeste", proferida no passado dia 19 de Abril no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, no âmbito da exposição temporária sobre a Idade do Bronze, integrada na exposição "Sob a Terra e as Águas - 20 anos de arqueologia entre o Guadiana e o Sado".
A reportagem foi realizada por Joana Silva e Marta Sofia Mansinhos, alunas do curso de Educação e Comunicação Multimédia do Instituto Politécnico de Beja, no âmbito do acolhimento de alunos de jornalismo no Diário do Alentejo entre 19 e 21 de Abril.





Beja antes da chegada dos romanos

Na quinta-feira da semana passada, dia 19, o arqueólogo Miguel Serra deu uma conferência subordinada ao tema “Um mundo em mudança - Transformação e diversidade nas sociedades da idade do bronze do Sudoeste”, no Museu do Sembrano, em Beja, no âmbito da inauguração de uma exposição sobre a Idade do Bronze, período compreendido entre 4 a 3/2 800mil anos atrás. Serão realizadas outras conferências de outras épocas, como a Idade do Ferro e a Época Romana.
O conhecimento sobre os primeiros povos a habitar esta região é insuficiente, diz o arqueólogo, “visto que se está a falar de povos pré-históricos antes do aparecimento da escrita”. Nas épocas seguintes já existem relatos de autores romanos e de outros geógrafos gregos. Segundo Miguel Serra, “não se sabe que nomes possuíam ou como se entenderiam em termos de linguagem, mas provavelmente tratava-se de povos que viveram na sua primeira fase em clãs familiares num sentido quase tribal. Com o avançar desta época para o final, o que chamamos como o bronze final, existe uma maior consciência deste povo no sentido em que surgiram grandes locais arqueológicos”.
O melhor exemplo que existe, adianta o especialista, é o Outeiro do Circo, herdade de 17 hectares, situada nos arredores de Beja, “onde provavelmente a comunidade que lá vivia poder-se-ia entender a si própria como um povo que dominaria uma vasta região e que foi evoluindo ao longo de todo este período”. Mas “só na época seguinte, com o aparecimento da escrita, é que se descobriu, de forma mais concreta, informações sobre como era a vida desses povos”, diz o arqueólogo que foi coordenador científico do projeto arqueológico do Outeiro do Circo, entre 2008-2017.
A maior parte das descobertas efetuada na região do Baixo Alentejo, no século XIX, “não eram escavações, eram achados isolados no âmbito de trabalhos agrícolas “, esclarece o arqueólogo. Ao longo do século XX registaram-se várias escavações, algumas levadas a cabo pelo arqueólogo Abel Viana. Nos últimos 20 anos, mas com maior intensidade, na região de Beja, nos últimos 10, as escavações associadas aos trabalhos do Alqueva, desenvolvidas pela EDIA- Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva e o foco da conferência proferida por Miguel Serra, permitiram “descortinar vestígios, por estes territórios, praticamente de todas as épocas, desde a pré-história mais antiga até aos momentos mais recentes”.
O arqueólogo diz que o que mais tem surpreendido é o facto “de passarmos de uma situação em que para esta época da idade do Bronze tínhamos uma ausência, ou raridade, de vestígios para agora termos uma profusão de vestígios que desconhecíamos”. Miguel Serra considera que “a maior importância se calhar não é um sítio ou um achado em si, mas sim o conjunto de informação que todos estes sítios proporcionam por nos dar uma ideia de como era o povoamento ao longo desta época, de com estas pessoas habitavam aqui, sobretudo na planície, como é que enterravam os seus mortos, como é que exploravam o território”. O arqueólogo diz ainda que “às vezes é tão importante achar uma semente como encontrar um artefacto em ouro, porque a semente também nos conta muito sobre como estas pessoas viviam, mais até do que o artefacto em ouro”.
O especialista salienta ainda que a partir de uma determinada altura da idade do bronze, depois de uma primeira fase em que estas comunidades viviam dispersas “em, digamos, numa espécie de aldeias na planície”, tiveram tendência “para se concentrarem em espaços maiores, melhor defendidas em sítios altos”, sendo que se pode fazer “uma analogia, assim um bocadinho forçada, com o que o ser humano ainda faz hoje em dia, que é tentar viver em grandes comunidades nas cidades”.

Texto Joana Silva e Marta Sofia Mansinhos Alunas do IPBeja
Foto DR

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Balanço de conferência sobre a Idade do Bronze

No passado dia 19 de Abril teve lugar, no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano em Beja, a conferência "Um mundo em mudança. Transformação e diversidade nas sociedades da Idade do Bronze do Sudoeste", a cargo de Miguel Serra, coordenador do Projecto Outeiro do Circo. 
A iniciativa integrou a exposição "Sob a Terra e as Águas - 20 anos de arqueologia entre o Guadiana e o Sado", que de 3 em 3 meses promove o destaque de um dos períodos crono-culturais representados, através de uma pequena mostra de artefactos, e que este caso foi dedicada à Idade do Bronze sob o título "Um novo brilho".
A conferência propriamente dita centrou-se na apresentação do paradigma interpretativo sobre a Idade do Bronze do Sudoeste antes e depois dos trabalhos proporcionados pelo Projecto Alqueva e o seu enorme contributo para a revolução do conhecimento científico sobre este período.
Os cerca de 30 assistentes colocaram diversas questões no final da conferência, permitindo um animado debate onde se procurou complementar os dados expostos, a que se seguiu uma visita à exposição, comentada pelo orador e por Valdemar Canhão, arqueólogo da EDIA, S.A.













sexta-feira, 27 de abril de 2018

Documentário Xaroco

O documentário "Xaroco", realizado por Andrea Mendoza, no Outeiro do Circo encontra-se na fase final do processo de edição.
Em breve esperamos anunciar o local e data da estreia.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Apresentação do livro "Ferreira 5000 anos de história"

Decorreu ontem, 25 de Abril, a apresentação do livro, "Ferreira 5000 anos de história", editado pelo Município de Ferreira do Alentejo.
Durante a sessão registaram-se as intervenções dos autores dos vários capítulos, numa abordagem centrada na evolução do povoamento do território de Ferreira do Alentejo desde a Idade do Cobre até à Época Contemporânea.
O Projecto Outeiro do Circo participou na iniciativa, após convite endereçado aos responsáveis científicos, Miguel Serra e Eduardo Porfírio, com o capítulo intitulado "A Idade do Bronze pelas planícies de Ferreira do Alentejo", no qual se procurou fazer uma síntese da história da investigação deste período na região em análise e caracterizar as várias etapas dentro da Idade do Bronze.
Aqui deixamos as nossas felicitações à Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo pela obra agora editada e um particular agradecimento a Maria João Pina e Sara Ramos por todo o esforço e dedicação ao longo deste processo. E por fim um agradecimento à Professora Raquel Vilaça, consultora científica do Projecto Outeiro do Circo, pela revisão científica deste trabalho.



 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

2Archis Plataforma on-line de registo de dados arqueológicos


No passado dia 18 de Abril o Projecto Outeiro do Circo, na pessoa de Sofia Silva, participou numa sessão de trabalho: 2Archis Plataforma on-line de registo de dados arqueológicos, realizada na Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM). Esta plataforma, desenvolvida pela referida instituição, estará brevemente, disponível para utilização pelos responsáveis de escavações arqueológicas, através de um registo prévio para garantir o sigilo e o acesso personalizado aos dados.

Na primeira parte da sessão foram apresentadas as características da aplicação, nomeadamente para o registo de Sondagens, Unidades Estratigráficas e Materiais Arqueológicos, bem como a criação de listagens orientadas para a elaboração dos relatórios técnicos de escavação. 

A segunda parte da sessão foi essencialmente prática, tendo os participantes  a oportunidade de usar a aplicação num pequeno caso de estudo.