sexta-feira, 21 de julho de 2017

Novo protocolo de colaboração com o Projecto Outeiro do Circo

O Projecto Outeiro do Circo estabeleceu um protocolo de colaboração com o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa (Braga), no âmbito das acções de estudo e tratamento de materiais arqueológicos cerâmicos resultantes das escavações arqueológicas a realizar em 2017.

O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, situado em Braga, é um organismo público, dependente da Direcção Regional de Cultura do Norte, definido na sua Lei Orgânica como um museu regional de arqueologia.
Este museu foi criado em 1918, como museu de arqueologia e arte geral, com o objectivo de obstar à dispersão do património local até então na posse de particulares e outras instituições.
Em 1980, com a sua revitalização, a missão do Museu foi redefinida como um organismo científico-cultural no âmbito disciplinar de arqueologia, passando a exercer as suas actividades básicas nos domínios do apoio à investigação, da museologia, da divulgação cultural, do apoio ao ensino e à defesa e preservação do património arqueológico regional.

As actividades a realizar no âmbito deste protocolo serão desenvolvidas pela arqueóloga Sofia Silva, responsável pelo tratamento e estudo de materiais cerâmicos do Outeiro do Circo.
O protocolo agora firmado contribuirá para a divulgação do Projecto Outeiro do Circo em termos nacionais, e possibilitará o desenvolvimento de outras acções de promoção que serão apresentadas brevemente.





domingo, 16 de julho de 2017

Balanço 3ª sessão "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja"

A intensidade de trabalho nas últimas semanas não permitiu que fizéssemos neste espaço o balanço da 3ª e última sessão dedicada ao ciclo das "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja", que agora se apresenta.
Assim, no dia 22 de Junho, encerrou-se este pequeno ciclo de conferências e conversas à volta de temas sobre a arqueologia da região de Beja com a presença de António Carlos Valera que presenteou os cerca de 20 assistentes com uma magnifica sessão sobre os recintos de fossos pré-históricos recentemente descobertos e intervencionados no concelho de Beja e não só. 
O orador convidado levou muito a sério o conceito proposto em torno das grandes novidades e revelou alguns dados ainda inéditos sobre sítios arqueológicos únicos aqui existentes, para além de ter feito um profundo mas necessário enquadramento da investigação realizada neste tipo de sítios a nível nacional e internacional. 
Tal como nas sessões anteriores, o debate foi mais uma vez bastante intenso e desenvolvido, possibilitando o aprofundamento de algumas das questões levantadas durante a conferência.


Em jeito de balanço final, este pequeno ciclo, organizado pela ADPBeja com a colaboração do Projecto Outeiro do Circo e o apoio da Câmara Municipal de Beja, envolveu um total de 76 assistentes no conjunto das 3 conferências e permitiu dar a conhecer localmente e para um público diversificado os resultados mais recentes das intervenções arqueológicas que abarcaram grande parte da pré e da proto-história da região e que estão a transformar radicalmente o cenário da ocupação humana que tínhamos como garantido até há bem pouco tempo atrás.
Um agradecimento especial aos dois conferencistas que se deslocaram a Beja para apresentarem os seus respectivos temas, Ana Margarida Arruda e António Carlos Valera, a toda a equipa da ADPBeja, incansável exemplo de como se deve estar no Associativismo, em particular ao seu presidente, Florival Baiôa Monteiro e também ao Pedro Gualter que fez grande parte do trabalho de "bastidores" e por fim aos funcionários da Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago pela paciência com o nosso pouco respeito pelos horários da casa e por todo o apoio prestado.
Como compromisso para o futuro mais próximo tratar-se-à de procurar publicar os temas apresentados num formato também acessível ao público em geral e procurando também incluir outros temas que enriqueçam a publicação que se pretende editar.
E esperemos também pela possibilidade de organizar em conjunto um novo ciclo de conferências sobre temáticas que de algum modo se relacionem com o trabalho desenvolvido no Outeiro do Circo e que permitam o estabelecimento de pontes com outros agentes da região.



sábado, 15 de julho de 2017

Novo artigo sobre o Outeiro do Circo

No próximo dia 22 de Julho será apresentado em Almada o número 21 da revista Al-Madan, impressa e o tomo 3 da edição online. 
O Projecto Outeiro do Circo manteve a sua colaboração regular com esta importante revista científica e de divulgação arqueológica através de um artigo que relata de forma breve e acessível os resultados e as actividades desenvolvidas na campanha realizada no Verão de 2016.
Assim que for possível o artigo ficará disponível para descarregar através da página Bibliografia, na barra superior deste blogue.


Projecto Arqueológico do Outeiro do Circo (Beja). Campanha de 2016.
Miguel Serra, Eduardo Porfírio e Sofia Silva

Resumo
A campanha de 2016 do projecto de investigação “O povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja)” que decorreu no passado mês de Agosto é apresentada, de forma sucinta, neste texto destinado a reportar de modo acessível e objectivo os principais resultados obtidos com a intervenção. Indica-se também o planeamento de acções futuras, ao mesmo tempo que se dão a conhecer uma série de outras actividades de divulgação realizadas no âmbito de um programa de Educação Patrimonial integrado neste projecto desde o seu início.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ciclo de conferências "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja" - 3ª sessão

A 3ª e última sessão do ciclo de conferências "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja" terá lugar no próximo dia 22 de Junho às 21:30 na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago.

Recintos de fossos pré-históricos na região de Beja: um património tão desconhecido quanto notável e ameaçado.
António Carlos Valera
Era Arqueologia S.A.
ICArEHB – Universidade do Algarve

Resumo
As últimas décadas têm vindo a revelar no interior alentejano, e com particular incidência no concelho e distrito de Beja, um notável património arqueológico pré-histórico: os recintos de fossos. Comum em toda a Europa, este tipo de sítio só recentemente começou a revelar a sua importância em Portugal e na Península Ibérica, apresentando hoje o Alentejo uma das mais significativas concentrações.
Um notável património, que, com a sua monumentalidade, desenhos arquitectónicos, natureza contextual e relações transregionais, altera profundamente a visão que se tinha das comunidades pré-históricas que habitaram a região. Centrais na compreensão de um momento importante da evolução humana e das paisagens da região, este património é tão importante quanto desconhecido e por isso desvalorizado e ameaçado. A sua activação social é fundamental para que possa ser protegido e transformar-se em recurso cultural e económico. E o primeiro passo é tornar-se conhecido.

domingo, 18 de junho de 2017

O Fogo e o Outeiro do Circo

A tragédia que se abateu ontem sobre a região de Pedrogão Grande com devastadores incêndios que levaram à morte de 62 pessoas (número em actualização) trouxeram-nos à memória um conjunto de reflexões sobre a "presença" do fogo no Outeiro do Circo, quer de ordem mais científica, quer relacionadas com aspectos do trabalho aí desenvolvidos.

1 - A vigilância do território
Em 2008 ou 2009 (não temos a certeza por não termos guardado registo do momento) fomos surpreendidos pela visita de uma patrulha do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente, da Guarda Nacional Republicana (SEPNA), que igualmente ficou surpreendida com a nossa presença no local (os trabalhos arqueológicos no local iniciaram-se em Agosto de 2008) e que naturalmente nos questionou sobre os motivos que nos levaram aquele sítio. Apesar de não recordarmos os nomes dos militares da GNR, para lhes agradecermos o serviço prestado, o que é certo é que após lhes explicarmos a natureza da nossa presença, estes informaram-nos que o Outeiro do Circo era um ponto de vigilância importante na prevenção de fogos florestais dada a enorme visibilidade que se usufrui a partir do seu ponto mais alto. Mesmo considerando a inexistência de uma torre de vigilância permanente, o facto de se tratar de uma área pouco arborizada presta-se a condições de observação excelentes para a detecção de fogos a grande distância, razões que justificavam a deslocação regular dos militares do SEPNA. Após estas justificações, os dois militares deixaram uma série de recomendações que deveríamos seguir durante a nossa estadia no campo para evitar contratempos relacionados com a prevenção de fogos, mas também sobre questões ambientais, de modo a mitigar o impacto da presença da equipa de arqueologia. E ainda nos deram um contacto telefónico em caso de necessitarmos de auxílio e pediram-nos para nos mantermos atentos a eventuais focos de incêndio para informarmos de imediato o posto de comando. 
Os aspectos que nos foram transmitidos assumem especial relevância por desenvolvermos trabalhos num sítio arqueológico afastado das povoações mais próximas e corrermos o risco de isolamento em caso de incêndio nas proximidades, facto agravado por muitas vezes não dispormos de um transporte em permanência no local. E tais factores lembram-nos os anos de Faculdade em que colegas nossos, participando em escavações arqueológicas de voluntariado em Vila Nova de Paiva (Viseu), se viram quase rodeados por fogos florestais próximos do local que escavavam e acabando mesmo por andarem a prestar auxílio às populações e bombeiros que combatiam os fogos. Fogos esses que consumiram o mato em redor do sítio arqueológico afectando-o directamente, mas sem ter havido vítimas a lamentar.
No entanto devemos acrescentar que desde essa visita nunca mais nos cruzámos com as patrulhas do SEPNA no Outeiro do Circo, esperando que tal se deva a mero desencontro de horários e não à redução destes meios operacionais indispensáveis à prevenção!
Uma outra curiosidade sobre esta situação relaciona-se com a sondagem arqueológica que fizemos no topo do povoado, no local que os militares indicaram como sendo o melhor ponto de vigia, e onde é referido que terá existido uma torre de vigia da qual não subsistem vestígios no local (voltaremos a este tema numa próxima ocasião, por haver referência bibliográfica destes vestígios e de já termos tido outra surpreendente visita de praticantes de geocaching em busca da "torre perdida"!). Os resultados obtidos nesta sondagem não revelaram a presença de estruturas arqueológicas, mas permitiram a recolha de maior quantidade de cerâmicas de épocas mais recentes, nomeadamente romanas e medievais, do que em qualquer outro local do povoado. Poderiam tratar-se dos ténues vestígios que sobraram de uma eventual torre de madeira que permitira exercer vigilância territorial?

2 - A coroa de fogo
Os trabalhos desenvolvidos entre 2008 e 2013 no Outeiro do Circo incidiram num talude da muralha e permitiram a obtenção de diversos elementos sobre a ocupação do espaço, sobre a cronologia ou sobre as técnicas construtivas, entre muitas outras já amplamente difundidas neste blogue e em diversas publicações.
O aspecto mais curioso que estas escavações nos mostraram prendeu-se com a comprovação da existência de uma rampa de barro cozido ao longo da encosta, com cerca de 6 metros de extensão e atingindo em alguns pontos entre 20 a 30 centímetros de espessura! Como já referido em publicações, terá sido necessário um fogo com temperaturas superiores a 600º durante alguns dias para provocar este efeito de transformação do solo vegetal em barro, criando assim uma rampa que julgamos ter tido utilidade prática na consolidação das terras da encosta, conferindo-lhe solidez necessária para edificar a muralha por cima. A realização posterior de trabalhos de geofísica e de prospecção arqueológica ao longo da muralha (com quase 2 km lineares) levou à detecção de muitos outros blocos de barro cozido que nos levaram a afirmar que pelo menos todo o troço Nordeste da muralha teria sido construído com recurso a esta técnica. Julgamos que o impacto criado por esta acção terá sido tremendo, sobretudo se for referente ao primeiro momento de ocupação deste local, e que a sua observação à distância quase daria a ideia de uma "coroa" de fogo a rodear o topo da elevação. Não deixa no entanto de nos surpreender o facto de, aparentemente, este imenso fogo ter sido devidamente controlado, pois parece ter-se restringido à zona da rampa, não existindo vestígios da sua propagação para o exterior ou para o interior do povoado. 
Estas são seguramente questões que só poderão ser resolvidas com a prossecução dos trabalhos arqueológicos no local e especialmente em outros pontos da sua vasta muralha.
Por fim, é de referir que há 2 anos apresentámos uma proposta para uma recriação deste cenário de fogo na encosta do Outeiro do Circo, com uma dimensão muito inferior à situação real que aí deveria ter ocorrido, com o intuito de recriar as condições que deram origem à rampa de barro cozido, através de técnicas de arqueologia experimental e ao mesmo tempo criando uma acção de divulgação destinada a explicar ao público mais genérico aquele que poderá de algum modo ser o momento fundador do Outeiro do Circo. 
Os cuidados necessários para realizar esta iniciativa, as complicações logísticas e os graves riscos que poderíamos correr, levaram-nos a desistir e a repensar uma actividade que em ultima instância poderia rapidamente escalar para algo mais grave, reduzindo à insignificância o objectivo inicial.


sábado, 17 de junho de 2017

Balanço 2ª sessão "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja"

No passado dia 8 de Junho realizou-se mais uma sessão dedicada às "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja" que desta vez incidiu sobre a Idade do Bronze.
Miguel Serra, responsável científico do Projecto Outeiro do Circo traçou o historial da investigação desde o século XIX até à actualidade, abordando em seguida a visão sobre a Idade do Bronze na região que vingou até recentemente e que foi profundamente alterada e enriquecida com as inúmeras descobertas realizadas neste território na última década e meia.
Por último lançaram-se algumas propostas sobre como valorizar e divulgar este manancial de conhecimento, ilustradas com exemplos de projectos de Educação Patrimonial criados no concelho de Beja.
Os cerca de 20 participantes que assistiram à conferência na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago envolveram-se num longo debate que foi muito para além desta temática específica, lançando-se uma discussão mais vasta sobre a salvaguarda e valorização do património arqueológico da região.
Este ciclo de conferências promovido em conjunto pela Associação de Defesa do Património de Beja e pelo Projecto Outeiro do Circo, com o apoio da Câmara Municipal de Beja, termina no próximo dia 22 de Junho com uma sessão a cargo de António Carlos Valera que nos irá falar das novidades da Idade do Cobre.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Oficinas de Arqueologia Experimental - Olaria pré-histórica - Nelas - Oficina 2 - 3 de Junho

   Apesar de algum atraso, deixamos aqui o registo da segunda sessão das oficinas de arqueologia experimental realizada na Quinta do Vale do Lobo, concelho de Nelas. A sessão principiou com a análise das peças criadas na oficina anterior, que ficaram a secar durante duas semanas. Posteriormente, após uma sessão de esclarecimento de dúvidas, foram explicitados os passos a seguir e os objectivos que se pretendiam atingir com a realização das duas fogueiras.


Sempre com um ambiente de diálogo e discussão interessada, principiou-se a primeira soenga, onde se esperava obter uma cozedura redutora. Deixando para uma segunda fase a fogueira aberta com a qual se pretendia conseguir uma cozedura de cariz oxidante.


   Entretanto, os participantes na actividade puderam desfrutar de um passeio pela quinta, visitando entre outros locais o moinho de água recuperado, e pelo Circuito Pré-histórico dos Fiais/Azenha, passando pelos seguintes sítios arqueológicos: Orca da Palheira, habitat do Ameal, Outeiro do Rato e Orca de Fiais da Telha.


   Finda caminhada e já perto do final da tarde foram abertas as duas fogueiras para se recolher as peças e em seguida analisaram-se as características das cerâmicas cozidas, comparando-as com as das cerâmicas pré-históricas.




   Esta actividade resultou de uma organização conjunta do Projecto Outeiro do Circo/Palimpsesto Lda, em conjunto com o projecto Divulgarq (dinamizado por Luís Laceiras), contando ainda com o apoio do município de Nelas e da Fundação Lapa do Lobo que também financiou a iniciativa.
   Mais uma vez deixamos um agradecimento muito especial aos funcionários da Fundação Lapa do Lobo, por todo o empenho colocado no apoio a esta actividade. Agradecimentos estes que se estendem também aos elementos dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim presentes no decurso desta segunda oficina e também a todos os participantes nesta iniciativa.


   Está também disponível na página do facebook do Projecto Outeiro do Circo um álbum fotográfico mais extenso.




segunda-feira, 5 de junho de 2017

Ciclo de conferências "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja" - 2ª sessão

A 2ª sessão do ciclo de conferências "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja" terá lugar no próximo dia 8 de Junho às 21:30 na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago.
Era uma vez a Idade do Bronze! Investigação, divulgação e educação patrimonial
Miguel Serra
Palimpsesto, Lda.
Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património

Resumo
A planície da região de Beja é fértil em achados da Idade do Bronze desde há muito tempo.
Aqui surgiram evidências de várias necrópoles e estelas que serviriam para as assinalar, para além de artefactos variados como machados, punhais e diversos tipos de vasos cerâmicos.
A investigação realizada durante décadas apontava para a existência de pequenas comunidades dispersas pela planície, mas que se agrupariam para a construção dessas necrópoles ou para a realização de rituais funerários. Viveriam de modo simples aproveitando os ricos recursos naturais da região.
Numa segunda fase, propôs-se que estas comunidades foram tornando-se cada vez mais hierarquizadas, surgindo uma elite guerreira que conduz as populações a um novo modo de vida, abandonando a simplicidade das deambulações nas terras planas, para ocuparem colinas mais altas onde se rodeavam de muralhas e a partir de onde controlavam o território.
A realização de inúmeros trabalhos arqueológicos nos últimos 15 anos alterou e enriqueceu profundamente esta realidade, revelando comunidades muito mais complexas do que julgávamos.

Para além de uma abordagem ao historial da investigação sobre a Idade do Bronze na região de Beja pretende-se também discutir novas formas de divulgação deste conhecimento ao público através do recurso à Educação Patrimonial como forma de salvaguarda e proteção do património arqueológico deste período. 

domingo, 28 de maio de 2017

Campanha arqueológica de 2017 no Outeiro do Circo (Beja)

Os trabalhos arqueológicos no povoado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo vão ser retomados entre 31 de Julho e 25 de Agosto, naquela que será a última campanha de investigação do projecto actualmente em curso.
A campanha de 2017 incidirá na conclusão de duas áreas de escavação situadas junto a um troço da muralha e que poderão revelar novos dados sobre as vivências das comunidades que habitaram este local há 3000 anos.
A equipa científica incluirá voluntários provenientes de várias universidades portuguesas e espanholas para além de arqueólogos profissionais. 
Em simultâneo com os trabalhos no terreno irão decorrer outras actividades paralelas, como um ciclo de conferências, visitas guiadas, acções de formação, exposições e sessões de educação patrimonial para públicos jovens, para além da realização de um documentário.
O Projecto Outeiro do Circo conta com o financiamento da Câmara Municipal de Beja e com o apoio da União de Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista (Beja), da União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja e da empresa de arqueologia Palimpsesto. 


Campanha de 2017 - Outeiro do Circo (Beja):
Nome do projeto: O Povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja)
Datas: 31 de Julho a 25 de Agosto

Coordenação de projeto: Miguel Serra e Eduardo Porfírio (Palimpsesto / CEAACP)
Direção científica: Miguel Serra, Eduardo Porfírio (Palimpsesto / CEAACP), Diana Fernandes (Palimpsesto)
Consultoria científica: Raquel Vilaça (Univ. Coimbra/CEAACP), Virgílio Correia (Museu Monográfico de Conímbriga/CEAACP), Rui Parreira (DRC Algarve/UNIARQ), Sofia Soares (ESTIG-IPB/GEOBIOTEC)

Apoios: Câmara Municipal de Beja / União de Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista / União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja / Palimpsesto, Lda.

Contactos:
Telefone: 916981548 (Miguel Serra), 916981549 (Eduardo Porfírio), 912118462 (Diana Fernandes)

Informações gerais:
Local: União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja/ Junta de Freguesia de Beringel (distrito de Beja)
Período: Bronze Final
Tipo de Estação: Povoado fortificado

No final os participantes recebem um certificado de participação.  

Descrição da campanha:
Os trabalhos previstos para 2017 irão centrar-se na conclusão de duas áreas de sondagem intervencionadas em 2016 e que se localizam junto a um troço da muralha anteriormente escavada entre 2008 e 2013. Uma das sondagens a intervir revelou uma grande potência estratigráfica e presença de muitos materiais, sobretudo cerâmicos, mas sem permitir a identificação de estruturas, que poderão estar preservadas a maior profundidade. A outra sondagem a concluir apresenta uma situação diferente, onde se verificou a ocorrência de grandes concentrações de blocos pétreos, incluindo um bloco que exibe diversas "covinhas" gravadas, e que poderão corresponder ao derrube da muralha, que eventualmente selará níveis de ocupação preservados.
Para além das escavações arqueológicas também serão desenvolvidos trabalhos de tratamento do espólio exumado.
Outras vertentes da campanha serão materializadas com a realização do já habitual ciclo de conferências que irá incidir sobre temas diversos dentro da área da arqueologia. Oportunamente será divulgado o respectivo programa. 
Ao longo de toda a campanha serão promovidas visitas guiadas ao local das escavações, para grupos ou individualmente, que contarão com o apoio dos membros da equipa do projecto. Estas visitas decorrerão entre as 09:00h e as 12:00h nos dias úteis.
Também está prevista a realização de várias exposições, em Beja, em Mombeja e em Santa Vitória para além da também habitual colaboração com grupos de jovens em férias.
Durante a campanha será realizado em documentário, sobre o qual se darão mais informações em breve.

Chegada: os participantes na campanha de 2017 deverão chegar no Domingo anterior ao início da respectiva campanha em que estão inscritos. Deverão comunicar a hora de chegada (quer em transporte público quer em viatura própria), tentando se possível chegar antes das 20:30. Está  assegurado o transporte desde a Rodoviária e da Estação de Comboios até ao local de estadia. Se alguém chegar mais tarde em transporte público deverá avisar os responsáveis do projecto para assegurarmos o seu transporte até ao local de estadia. Quem vier em viatura própria deverá contactar os responsáveis do projecto.

Alojamento: Apartamentos na cidade de Beja. Deverão levar saco cama.

Alimentação: em restaurante na cidade de Beja (inclui pequeno almoço, lanche para levar para o campo, almoço e jantar). Está incluído o jantar no dia de chegada.

Transporte: as deslocações para o local de trabalho serão asseguradas por transporte cedido pela União de Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista e pela empresa Palimpsesto.

Conselhos: levar chapéu, cantil, luvas, protector solar.

Horário de trabalho: 7:00 – 13:00 (no campo) e das 14:00 – 16:00 (tratamento de espólio e acções de formação)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Balanço 1ª sessão "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja"

Decorreu no passado dia 23 de Maio a primeira sessão do ciclo de conferências "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja" que teve como oradora Ana Margarida Arruda, da Uniarq (Centro de Arqueologia) e Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa. 
O tema de arranque deste ciclo foi dedicado à Idade do Ferro e às novidades surgidas nesta região na última década, muito por força das intervenções arqueológicas decorrentes do Projecto Alqueva, que permitiram passar de uma situação de quase autêntico vazio de informação para um "admirável mundo novo" nas palavras de Ana Arruda.
A sessão, que decorreu na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, contou com uma plateia de 36 interessados que colocaram diversas questões no final, permitindo desenvolver a temática num interessante debate.
Este ciclo de conferências é organizado pela Associação de Defesa do Património de Beja em conjunto com o Projecto Outeiro do Circo e conta com o apoio da Câmara Municipal de Beja.
A próxima sessão está marcada para dia 8 de Junho às 21:00 no mesmo local e irá abordar as novidades da Idade do Bronze.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Publicação da tese de Ana Bica Osório

Anuncia-se o lançamento das Monografias da Associação dos Arqueólogos Portugueses, relativas à 1ª Edição do Prémio Eduardo da Cunha Serrão 2015, que terá lugar no próximo dia 25 de Maio às 18:30 no Museu Arqueológico do Carmo.
Uma das monografias a lançar corresponde à tese de doutoramento de Ana Bica Osório, colaboradora do Projecto Outeiro do Circo, intitulada "A variabilidade das cerâmicas manuais com decorações brunidas do Bronze Final / I Idade do Ferro na Península Ibérica" e que reúne diversos trabalhos analíticos sobre cerâmicas brunidas, incluindo as recolhidas nas escavações realizadas no Outeiro do Circo entre 2008 e 2013.
À Ana Bica os nossos parabéns, bem como aos restantes contemplados.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Oficinas de Arqueologia Experimental - Olaria pré-histórica - Nelas - Oficina 1 - 20 de Maio



Decorreu no passado dia 20 de Maio, a primeira oficina do Workshop de Arqueologia Experimental - Olaria Pré-histórica, uma organização conjunta do Projecto Outeiro do Circo/Palimpsesto Lda., do projecto Divulgarq (concebido por Luís Laceiras e que contou também com o apoio da Câmara Municipal de Nelas e da Fundação Lapa do Lobo. Esta última entidade foi também responsável pelo financiamento desta actividade, cedendo igualmente os excelentes espaços onde a mesma se desenrolou.

Esta iniciativa contou com cerca de 20 participantes curiosos em conhecer o processo de manufactura cerâmica, inspirado em formas conhecidas da pré-história.

Um álbum fotográfico mais extenso está disponível na página do facebook do projecto Outeiro do Circo, onde poderá ser consultado e partilhado. 

No próximo dia 3 de junho, decorre a segunda oficina "Cozedura de recipientes cerâmicos, das 9h30m às 19h30m, e visa a cozedura, das peças moldadas na primeira oficina, em fogueira aberta e soenga fechada.

Um agradecimento muito especial aos funcionários da Fundação Lapa do Lobo por todo o profissionalismo, simpatia e dedicação que dedicaram a esta iniciativa.









sexta-feira, 19 de maio de 2017

Ciclo de conferências "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja"

O Projecto Outeiro do Circo associa-se à Associação de Defesa do Património de Beja na organização de um ciclo de conferências dedicado às "Grandes novidades da arqueologia da região de Beja".
Este ciclo será constituído por três sessões centradas nos três grandes períodos cronológicos que revelaram maior quantidade de novos dados na região de Beja, a Idade do Cobre, a Idade do Bronze e a Idade do Ferro, podendo mesmo falar-se numa verdadeira revolução de conhecimento ocorrida nos últimos anos.
Para além da síntese de conhecimento sobre cada um dos temas abordados, os oradores convidados também avançarão com algumas propostas/sugestões sobre formas de valorização e divulgação deste imenso manancial de vestígios que a investigação arqueológica nos deu a conhecer.
A primeira conferência está agendada para dia 23 de Maio às 21:30, na Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, e estará a cargo de Ana Margarida Arruda, da UNARQ (Centro de Arqueologia) e Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa, que nos falará sobre "A região de Beja durante a Idade do Ferro". 
No dia 8 de Junho será a vez de Miguel Serra, coordenador científico do Projecto Outeiro do Circo, membro da Palimpsesto, Lda. e do Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património, nos trazer o tema "Era uma vez a Idade do Bronze! Investigação, divulgação e educação patrimonial".
O encerramento, no dia 22 de Junho, ficará a cargo de António Carlos Valera, da ERA, Arqueologia S.A. e membro do ICArEHB - Universidade do Algarve, que nos irá trazer a conferência "Recintos de fossos pré-históricos na região de Beja: um património tão desconhecido quanto notável e ameaçado"
Oportunamente serão divulgadas outras informações sobre as próximas conferências, bem como os respectivos resumos, mas para já aqui ficam o cartaz e o resumo da conferência de dia 23 de Maio.

A região de Beja durante a Idade do Ferro
Ana Margarida Arruda – UNIARQ (Centro de Arqueologia) e Centro de Estudos Clássicos. Universidade de Lisboa

Os trabalhos das últimas décadas nos “canais de Rega” do Alqueva puseram a descoberto na região de Beja “Um Admirável Mundo Novo” no que à Idade do Ferro diz respeito. De facto, o conjunto de necrópoles que foi descoberto é notável pelo número, mas, sobretudo pela riqueza e diversidade dos seus espólios. Este mundo funerário, que pôde associar-se, em raros casos, a alguns contextos domésticos, põe em evidência uma realidade até há pouco tempo muito mal caracterizada na região, que se insere ainda na 1ª metade do 1º milénio a.n.e. (século VI).
As características orientalizantes desta I Idade do Ferro são indiscutíveis ao nível dos materiais arqueológicos que se puderam recuperar em muitas das sepulturas destas necrópoles, mesmo que a arquitectura funerária possa apontar para matrizes sobretudo indígenas.
Estas necrópoles e os respectivos povoados, estes ainda muito mal conhecidos, são, pelo menos a partir das primeiras décadas do século IV a.n.e., substituídos por outros, onde o ritual funerário também sofre alterações substanciais, apesar da cultura material deter ainda uma óbvia feição mediterrânea. Quer o Cerro Furado quer os resultados obtidos nos trabalhos no centro urbano de Beja têm fornecido informação relevante que é necessário ter em atenção para traçar o quadro evolutivo da região ao longo de grande parte do 1º milénio a.n.e.




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Canais de vídeo do Projecto Outeiro do Circo

Já se encontram em funcionamento os canais de vídeo do Projecto Outeiro do Circo no youtube e no vimeo.
Estes canais constituem-se como mais uma plataforma de divulgação dos trabalhos de investigação e divulgação desenvolvidos no âmbito deste projecto.
Estão disponíveis alguns vídeos que abrangem reportagens televisivas, mas também outros trabalhos desenvolvidos por voluntários e colaboradores do Projecto Outeiro do Circo.
Em breve serão disponibilizados mais alguns conteúdos.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Resultados Zooarqueológicos do Outeiro do Circo apresentados em congresso internacional

Decorre desde dia 26 de Abril e até dia 29 o congresso "Iberian Zooarchaeology Meeting 2017" na Universidade do Algarve em Faro.
O Projecto Outeiro do Circo está presente com um poster intitulado "Faunal remains from Outeiro do Circo (Mombeja): preliminary study", da autoria de Íris Dias, Eduardo Porfírio, Miguel Serra e Cleia Detry.
Apresentam-se os primeiros resultados da investigação zooarqueológica desenvolvida por Íris Dias, estudante de mestrado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sob orientação de Cleia Detry, investigadora da UNIARQ.
Os dados obtidos no Outeiro do Circo revelam uma presença largamente maioritária de animais domésticos, com destaque para os ovinos/caprinos, mas também bovinos e suínos, e alguns elementos de veado, reveladores de uma presença complementar da caça numa comunidade perfeitamente sedentarizada.
Mais residuais são os vestígios de canídeos e equinos e um único exemplar de lebre.
Aqui fica o poster com os resultados integrais obtidos que serão publicados em breve.



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Projecto faCta em Nelas a 20 de Maio e 3 de Junho

O Projecto faCta - Oficinas de Arqueologia Experimental sobre cerâmica, nascido no seio do Projecto Outeiro do Circo e desenvolvido por Ana Osório, continua a percorrer o país, visitando Nelas em 20 de Maio e 3 de Junho.
Esta sessão é organizada pela empresa Palimpsesto e pelo projecto Divulgarq, concebido por Luís Laceiras, que participou em diversas campanhas arqueológicas no Outeiro do Circo. A iniciativa é financiada pela Fundação Lapa do Lobo (Nelas) que também se constitui como entidade co-organizadora e conta com o apoio da Câmara Municipal de Nelas.



terça-feira, 18 de abril de 2017

Disponibilização online do documentário "Outeiro do Circo: o guardião da planície".

Está já disponível no canal do Outeiro do Circo no Youtube e também no Vimeo, o documentário filmado por Manuel Monteiro durante a Campanha de 2015. O filme teve previamente uma apresentação pública no passado dia 22 de Janeiro na Casa da Cultura em Beja, acompanhado ainda de um debate e de uma exposição de fotografia denominada "Projecto Outeiro do Circo - Olhares". Este filme é mais um resultado da inter-relação do Projecto Outeiro do Circo com a comunidade, sendo que neste caso a iniciativa pertenceu totalmente ao Manuel Monteiro que nos espicaçou para esta actividade. O nosso muito obrigado ao Manuel que durante o tempo que esteve connosco conjugou, de um modo soberbo e sempre bem disposto, a câmara e o microfone com o pico e o colherim. A ele desejamos as maiores felicidades para os estudos nesta área que conta  iniciar num futuro muito próximo.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Novo artigo de divulgação do Projecto Outeiro do Circo

Acaba de ser publicado o número 6 do Boletín "Arqueología Somos Todos", editado pelo Grupo de Investigação Sísifo, da Universidade de Córdoba, e que contou com a colaboração do Projecto Outeiro do Circo com um artigo intitulado "Proyecto Outeiro do Circo (Beja, Portugal), la edad del Bronce desvelada a través de la educacíon patrimonial".
O volume integral conta com outros artigos dedicados a sítios arqueológicos portugueses de Lisboa, Algarve e Évora e ficará em breve disponível na página web do grupo.
O artigo pode ser descarregado na página de bibliografia deste blogue ou através do seguinte link: Proyecto Outeiro do Circo.
Boa leitura!

domingo, 2 de abril de 2017

Projecto Outeiro do Circo no congresso "Iberian Zooarchaeology Meeting 2017"


O Projecto Outeiro do Circo irá participar no congresso internacional "Iberian Zooarchaeology Meeting 2017", que se realiza entre 26 a 29 de Abril na Universidade do Algarve, Faro.
Será apresentado um poster da autoria de Irís Dias, Eduardo Porfírio, Miguel Serra e Cleia Detry com os resultados da análise aos restos faunísticos recuperados durante as escavações realizadas no povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo.

Faunal remains from the Late Bronze Age of the Outeiro do Circo (Beja, Portugal)
Irís Dias, Eduardo Porfírio, Miguel Serra, Cleia Detry

Abstract
The excavations conducted at the fortified settlement of Outeiro do Circo (Beja), have been proving the presence in this place of a human occupation dated from the Late Bronze Age. Delimited by a unique walled defensive structure, this settlement is implanted in a crest of hills of low altimetry, in an area of fertile soils that have promoted the establishment of several communities in the region through times.
In between the collected findings during the several excavations carried out in the framework of two research projects, developed in years 2008-2013 and in 2014/2017, plenty of these were osteological elements, assignable to mammals. This work’s purpose was to analyze this same group, of which the domestic species are the majority. Among the findings, there were remains of goats, cattle, pigs, one dog element and equines. Regarding wild animals, only a deer and a hare were recorded.
The preponderance of domestic animals points out that the food resources depended heavily on the livestock. Hunting seems to have been a secondary gain in this settlement’s economy. This scenario proves that the community, in this case, was a highly sedentary community, which invested heavily in the livestock and the agriculture holding. Thus demanding perpetual intervention by the community to help sustain these same resources.

Keywords: Zooarchaeology, Bronze Age, Beja

sexta-feira, 24 de março de 2017

Novo artigo sobre Educação Patrimonial no Outeiro do Circo

Acaba de ser publicado o volume de actas do congresso internacional "RESCATE - Del registro estratigrafico a la sociedad del conocimiento: el patrimonio arqueológico como agente de desarrollo sostenible", editado pela Universidade de Córdoba (Espanha), no qual se inclui o artigo "Experimentar Arqueología! La Educacíon Patrimonial en el Proyecto Outeiro do Circo (Beja, Portugal)" da autoria de Miguel Serra e Eduardo Porfírio, com tradução de Rafael Ortiz, e que resulta do poster apresentado pela equipa do Projecto Outeiro do Circo neste encontro realizado em Córdoba em Abril de 2016.
O artigo procura fazer uma síntese dos principais objectivos a alcançar com o programa de Educação Patrimonial desenvolvido desde 2008 no âmbito da investigação realizada no sítio arqueológico da Idade do Bronze do Outeiro do Circo, devidamente ilustrado com exemplos de algumas das actividades realizadas e apontando alguns caminhos de futuro.
O artigo encontra-se disponível para descarga no seguinte link: Experimentar Arqueología!, ou através da página de bibliografia neste blogue.
Boas leituras!


segunda-feira, 20 de março de 2017

Artigo sobre Arqueologia e Desenvolvimento Local

Artigo de Miguel Serra, coordenador do Projecto Outeiro do Circo, sobre Património Arqueológico e Desenvolvimento Local em Beja, publicado na revista Alentejo, editada pela Casa do Alentejo (Lisboa). 
Este trabalho integra um caderno especial sob o título "Que floresçam mil ideias por Beja" e aborda a necessidade de potenciação do património arqueológico como factor de desenvolvimento da região de Beja. O artigo inclui ainda algumas fotos de trabalhos no Outeiro do Circo que servem para ilustrar o tema abordado.
A revista Alentejo pode ser adquirida na Casa do Alentejo e em diversas livrarias pelo país.
 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Concurso de fotografias de arqueologia

Uma fotografia do Outeiro do Circo, da autoria da arqueóloga Kate Leonard que participou na campanha de escavações de 2016, foi seleccionada para o concurso fotográfico do American Institute of Archaeology (AIA), obtendo o 2º lugar na categoria "Fun Finds", o que permitiu à autora ser uma das vencedoras. 
As fotos vencedoras, bem como as segundas classificadas de cada categoria mereceram um prémio composto pela anuidade gratuita na AIA para os autores e a possibilidade das fotos seleccionadas integrarem o calendário de 2018 desta organização.
Os nossos parabéns à Kate Leonard pelo prémio e a todos os que votaram na foto do Outeiro do Circo.
A cup-marked stone emerges from a trench on a Late Bronze Age hillfort - Outeiro do Circo, Portugal
By Kate Leonard

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

12 Lugares, 12 Meses, 12 Histórias - Epílogo


O projecto "12 Lugares, 12 Meses, 12 Histórias - A Idade do Bronze na região de Beja" chegou ao fim após um ano intenso em actividades que pretenderam levar a todo o território do concelho de Beja o conhecimento sobre a Idade do Bronze. Cada iniciativa mensal era composta de três actividades com objectivos distintos. Por um lado, as conferências dirigidas às populações locais pretendiam dar a conhecer os sítios arqueológicos deste período em cada uma das freguesias e ao mesmo tempo fomentar alguma discussão sobre a importância do património arqueológico para o desenvolvimento local, para além de ser também uma oportunidade para contactar quem de facto conhece melhor os territórios abordados, o que gerou um importante volume de trocas de informações.



Um dia depois realizavam-se percursos pedestres destinados a percorrer caminhos de antigamente e ir aos locais onde existiram sítios arqueológicos de que hoje não restam vestígios observáveis. Optou-se assim por usar a oralidade como forma de transmitir o conhecimento produzido combatendo o esquecimento proporcionado pela ausência de outras informações. 

Foto de Júlio Raimundo
Foto de Francisco Santos

No final de cada caminhada gerava-se facilmente um momento de convívio entre os participantes, que ao longo deste projecto se forjaram num verdadeiro grupo, e assim se tornando em autênticos embaixadores o que contribuiu de modo significativo para a sua divulgação, aumentando a capacidade de atrair outros interessados e recebendo-os de braços abertos.
Momentos estes que serviram para envolver outros saberes destas terras, desde a gastronomia, ao artesanato ou ao cante e assim criando curiosidade para motivar o regresso às aldeias e montes visitados.




Em muitos destes momentos de convívio aproveitou-se a ocasião para apresentação de pequenas exposições, compostas por painéis explicativos, mas por vezes também acompanhadas de artefactos e réplicas sobre a Idade do Bronze que proporcionavam um contacto mais directo com estas realidades. As exposições, por vezes mostradas nos locais de término dos passeios, foram entregues às respectivas juntas de freguesia para assim serem expostas em local digno e potenciando no tempo o efeito de informar as populações sobre o seu património muitas vezes desconhecido.



O conjunto de iniciativas realizadas juntou mais de 860 participantes ao longo do ano, sendo sempre importante analisar os números quando se pretende efectuar um balanço final e assim projectar futuras acções.
O número 12 que é marca da designação do projecto acabou por ser inferior ao pretendido. É que às 12 conferências realizadas nas 12 actuais freguesias do concelho de Beja há que acrescentar uma 13ª que serviu de apresentação prévia do projecto e que reuniu 40 assistentes no início de Janeiro de 2016 no Núcleo Museológico da Rua do Sembrano em Beja onde também se deu a conhecer a riqueza arqueológica que este período da Idade do Bronze possui na região. Já as conferências realizadas nas freguesias, totalizaram 202 pessoas, numa média de quase 17 assistentes em cada uma, tendo a menor participação sido de 5 pessoas e a maior de 30, número atingido por duas ocasiões. 
Quanto aos passeios, estes mobilizaram 539 participantes nos 12 percursos, uma média de quase 45 pessoas por percurso, com 71 caminheiros no percurso mais participado e 29 no menos concorrido. Há que acrescentar que ficou plenamente demonstrado o interesse que as populações locais têm por este tipo de actividades de ar livre com componente temática, não havendo desmobilização face a percursos efectuados em condições muito diferenciados ao longo do ano, suportando temperaturas superiores a 40º no Verão e outras de 5º no Inverno para além da chuva que se fez sentir de modo mais intenso na Primavera. Outro aspecto a destacar foi a adesão de participantes externos à região, que foi superior na fase final do projecto devido à divulgação conseguida e só possível em acções regulares, fidelizadoras de novos públicos.
O total de quilómetros calcorreados ficou-se por 112, ao longo dos quais se atravessaram 21 sítios arqueológicos dos 102 falados nas conferências. O percurso de menor distância teve 4,6 km e o maior 14,4 km numa média de 8,6 km em cada percurso. 
Também no caso dos passeios se chegou ao 13! Para assinalar o fim deste projecto organizou-se um percurso extra, desta vez em meio urbano e que atraiu 82 curiosos que desta vez não percorreram locais de onde foram resgatados vestígios arqueológicos, mas puderam conhecer melhor esta época com uma visita guiada ao Núcleo Museológico da Rua do Sembrano, onde a exposição "Sob a terra e as águas - 20 anos de arqueologia entre o Guadiana e o Sado" serviu para mostrar os novos dados da Idade do Bronze, e não só, recentemente surgidos com as intervenções no âmbito do projecto Alqueva.

Para não destoar as exposições também não se ficaram pelas 12 realizadas nas freguesias, havendo lugar à 13ª inaugurada na Casa da Cultura de Beja com uma mostra fotográfica dos percursos rurais e mais algumas informações sobre este projecto.
Os números revelam o alcance desta iniciativa que cresceu ao longo do ano e ultrapassou as melhores expectativas, mas o verdadeiro sucesso não se reflecte em meras contabilizações, mas antes nas reacções de quem nelas participou. 
Um outro balanço pode ainda ser feito. É que o contacto possibilitado pelas múltiplas iniciativas também foi gerador de conhecimento. Ao longo do ano a equipa organizadora foi diversas vezes abordada sobre assuntos que poderiam ter interesse para o estudo futuro deste período (e de outros), quer durante as conferências quer em contactos de diverso tipo. Para melhor ilustrar esta afirmação bastará dizer que a importância de comunicar directamente com as populações locais (que afinal são quem melhor conhece o território que estudamos) ficou bem batente em vários momentos, como em Santa Clara do Louredo onde nos foram dados a conhecer diversos materiais arqueológicos da Idade do Cobre oferecidos à junta de freguesia e determinar a sua proveniência para assim identificar um sítio inédito nesta zona. Também no Penedo Gordo, aldeia da União de Freguesias de Santiago Maior e São João Batista, conseguiu-se esclarecer a localização de uma necrópole da Idade do Bronze, há muito dada por perdida, por a sua designação corresponder a local actualmente desconhecido. Situação similar surgiu em Santa Vitória e Mombeja onde as designações dadas por arqueólogos aos locais de achados da Idade do Bronze não são hoje conhecidas localmente, mas o contacto com populares levou a que fosse possível recuperar em parte essa memória. Tivemos até um caso, na Trindade, onde a designação do sítio arqueológico não correspondia ao nome popularmente atribuído ao local, por incapacidade de compreender o sotaque por parte de quem o registou!
Casos houve, como em Trigaches, em que foi possível resgatar momentaneamente do esquecimento peças há muito identificadas e levá-las num regresso breve às terras de onde vieram, para aí puderem ser observadas e apreciadas.
A promoção e destaque dados a este projecto, com particular incidência na comunicação social, sobretudo local, para além da transmissão directamente proporcionada por aqueles que nele tiveram papel activo enquanto participantes também levou a que em certas ocasiões várias pessoas se lembrassem de velhos objectos, guardados durante várias décadas, que resgataram para nos serem presentes com o intuito se esclarecer a sua época, função ou importância, resultando inclusivamente na (re)descoberta de peças da Idade do Bronze que nos foram entregues de forma despretensiosa para se proceder ao seu estudo, publicação e devida salvaguarda.
Por aqui vemos que mesmo num projecto de divulgação como este, por vezes surgem impactos inesperados e que deste modo continuarão a alimentar um pouco mais as histórias que se podem contar...
O projecto "12 Lugares..." teve o seu fim, projectado desde o início, mas não ficará seguramente por aqui!