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domingo, 27 de junho de 2021

Citações (17)


A rubrica "Citações" chega ao fim, após 17 publicações referentes a diferentes menções bibliográficas relativas ao Outeiro do Circo.

Neste último texto apresentamos uma curta referência, retirada da obra, "Portugal antigo e moderno : Diccionario Geographico, Estatistico, Chorografico, Heraldico, Archeologico, Historico, Biographico e Etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias", da autoria de Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal, e editada em 12 volumes entre 1873 e 1890. 

A monumental obra possui inúmeras informações históricas, entre muitas outas, sobre povoações portuguesas, e nela podemos encontrar uma breve referência sobre o Outeiro do Circo na entrada referente à vila de Beringel que diz: "No seu termo, no Outeiro do Circo, ha um forte, arruinado" (volume 1, p. 389). 

Esta breve nota não nos diz muito sobre a sua descrição à época, nem sobre qualquer atribuição cronológica, sendo apenas destacado o seu caracter militar, mais uma vez revelador da visibilidade que as suas muralhas ainda teriam no século XIX, mesmo em estado de ruína. 

Como curiosidade referimos ainda que a entrada sobre Mombeja não menciona o Outeiro do Circo e o nome da aldeia surge como Bombeja, mas notando-se que é vulgarmente conhecida por Mombeja. 


Leal, A. (1873), Portugal antigo e moderno. Volume 1, Lisboa: Mattos Moreira. 


 

 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Citações (16)

A rubrica "Citações" regressa com excertos de um texto de Rui Parreira publicado nas actas do encontro "Existe uma Idade do Bronze Atlântico?", realizado em Outubro de 1995 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e que seria editado no número 10 dos Trabalhos de Arqueologia, em 1998. 

O artigo de Rui Parreira, intitulado "As arquitecturas como factor de construção da paisagem na Idade do Bronze do Alentejo interior", menciona diversas vezes o Outeiro do Circo no âmbito das estratégias de povoamento da região durante a Idade do Bronze. 

Transcrição (p. 269)

"Barros pretos de Beja – Nos Barros pretos a ocidente de Beja os contextos são esclarecedores. Zona relativamente bem prospectada, com achados que correspondem a todas os períodos cronológicos da Idade do Bronze, efectuados com regularidade desde há muitos anos e que incluem necrópoles com espólios particularmente ricos, alguns povoados abertos e um povoado de altura de apreciáveis dimensões (Outeiro do Circo), a região apresenta áreas de elevada capacidade agrícola, possuindo acesso a zonas mineiras."

(p.270)

"No Bronze final, o grande povoado fortificado do Outeiro do Circo ocupa uma posição de charneira entre os dois agrupamentos de cemitérios/povoados abertos do Bronze médio: o da Ribeira do Roxo, a sul, e o da Ribeira da Figueira, a norte."

(p. 272)

"Desses lugares emanavam as normas que aglutinavam territórios mais ou menos vastos, permitindo controlar e organizar as actividades de subsistência, o pastoreio, a exploração do solo agrícola e dos recursos mineiros, e assegurar o funcionamento das redes de intercâmbio, através do controlo das rotas terrestres, por vezes formadas na base dos caminhos da transumância, eventualmente privilegiados para a implantação de estelas como a do Pomar/Ervidel II, localizada, significativamente, na principal rota de circulação entre os povoados «fortificados» de Outeiro do Circo e Mangancha e assumida como meio de comunicação mais do que como fronteira."

PARREIRA, R. (1998), As arquitecturas como factor de construção da paisagem na Idade do Bronze do Alentejo interior, In JORGE, S. (coord), Existe uma Idade do Bronze Atlântico?. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia [Trabalhos de Arqueologia, 10], p. 267-273.



quinta-feira, 8 de abril de 2021

Citações 15

A Carta Arqueológica de Beja é parte integrante do Plano Director Municipal de Beja, publicado a 19 de Março de 2014 em Diário da República. 

Este documento refere a existência de 1226 sítios arqueológicos no concelho de Beja, à data da sua publicação.

A entrada sobre o Outeiro do Circo, sítio n.º 336 (correspondente ao n.º 88 do mapa abaixo indicado, do Caderno de Mombeja), contém a seguinte descrição:

"Elevação bem destacada na paisagem e alongada, com duas plataformas e dupla linha de taludes que correspondem a cinturas de muralhas, actualmente cobertas de vegetação. Terreno de montado de azinho amplo e aberto.  Grande presença de cerâmicas manuais e alguns fragmentos de cerâmicas medievais. Segundo Túlio Espanca terá aí existido um castro pré-histórico, que ulteriormente fortificado, foi destruído aquando da remodelação do local na década de 1890. Neste local, na década de 70, seriam ainda visíveis restos de habitações circulares em alvenaria pétrea com muitos restos de adobe associados, que terão sido destruídos na mesma altura da destruição da muralha, virada ao monte do Circo".

Bibliografia:
Ricardo, I. e Grilo, C. (2013), Relatório - Carta Arqueológica de Beja. Câmara Municipal de Beja. Policopiado. 



segunda-feira, 1 de março de 2021

Citações (14)

A Balada do Mingo-Rei, da autoria de Dinis Cortes, conta uma história centrada no Baixo Alentejo durante a II Idade do Ferro, num momento de contacto com os recém chegados romanos. O personagem principal desta ficção é Obi, um jovem falcoeiro do Castro de Montel, que se vê envolvido numa situação desesperada e perante a qual tem de agir depressa para libertar a sua mãe e irmã, captivas de uma decúria de legionários romanos. 

Entre as muitas referências a diversos sítios arqueológicos situados no território onde decorre a acção, deparamo-nos com uma breve passagem que remete para o Outeiro do Circo:

"A vida na «Cidade Grande», agora denominada Pax Julia, era diferente, diziam os viajantes que passavam por Montel de quando em vez...era muita gente que dependia dos vastos montados que separavam Beja (Pax Julia) de Singa (Ferreira do Alentejo) e beijavam o sopé da colina conhecida como Circus que albergara em tempos um enorme povoado do Bronze Final, sendo hoje habitado apenas por dois ou três pastores..."

Cortes, Manuel Dinis (2020), Balada do Mingo-Rei. Beja: WildScape. 



terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Citações (13)

A rubrica "Citações" recorda uma das exposições fundamentais sobre a Idade do Bronze em Portugal, organizada no âmbito do Ano Europeu do Bronze, em 1995, no Museu Nacional de Arqueologia e da qual se produziu o catálogo, "A Idade do Bronze em Portugal - Discursos de Poder", obra coordenada por Susana Oliveira Jorge.

O catálogo contempla também um conjunto de sínteses regionais, com a referente ao Alentejo a cargo de Rui Parreira, arqueólogo responsável pelo primeiro artigo científico sobre o Outeiro do Circo. No texto, o Outeiro do Circo é referido várias vezes, e aqui reproduzimos as respectivas citações:

Transcrição (p. 132)

"Nos barros pretos a ocidente de Beja os contextos são mais esclarecedores. Zona relativamente bem prospectada, com achados que correspondem a todos os períodos cronológicos da Idade do Bronze, efectuados com regularidade desde há muitos anos e que incluem necrópoles com espólios particularmente ricos (v. Schubart 1975; Arnaud 1991), alguns povoados abertos e um povoado de altura de apreciáveis dimensões (Outeiro do Circo - v. Parreira e Soares 1980), esta região apresenta áreas de elevada capacidade agrícola, possuindo acesso a zonas mineiras."

"Nos Barros de Beja, o grande povoado do Outeiro do Circo (não escavado), ocupa uma posição de charneira entre dois agrupamentos de cemitérios/povoados abertos do Bronze pleno: o da Ribeira do Roxo, a sul, e o da Ribeira da Figueira, a norte. Nalguns casos (ex: Outeiro do Circo, Coroa do Frade), os povoados fortificados do final da Idade do Bronze evidenciam uma área central melhor defendida, que deverá corresponder à área residencial, servindo a restante área fortificada para estabular o gado (cf. Arnaud 1979). Estes povoados terão funcionado como lugares-centrais em áreas já anteriormente ocupadas, como uma espécie de centros económicos e políticos, desempenhando um importante papel organizador na exploração do solo agrícola e dos recursos mineiros, e no controlo das rotas terrestres - corredores de acesso ao hinterland, por vezes formados na base dos  caminhos da transumância, eventualmente privilegiados para a implantação de estelas (Ruiz-Galvez e Galan 1991), como a da Tapada da Moita (Oliveira 1986) ou a do Pomar/Ervidel II (Gomes e Monteiro 1976-77), esta última localizada na principal rota de circulação entre o Outeiro do Circo e a Mangancha (v. Parreira e Berrocal 1992)"

PARREIRA, R. (1995), Aspectos da Idade do Bronze no Alentejo Interior. In JORGE, S. (coord.), A Idade do Bronze em Portugal - Discursos de Poder. Lisboa: Secretaria de Estado da Cultura, Instituto Português de Museus, Museu Nacional de Arqueologia, pp. 131-134.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Citações (12)

A rubrica "Citações" recorda-nos uma breve referência de Abel Viana ao Outeiro do Circo num trabalho monográfico dedicado a Beringel, onde destaca alguns achados da Idade do Bronze nesta região e menciona o Outeiro do Circo como um local povoado anteriormente a Beringel, ao mesmo tempo que relaciona o topónimo com a existência de uma muralha com configuração circular (circo = círculo). 

Transcrição (p. 153)

Beringel (Notas Monográficas).

"O sítio deve ser povoado desde muita antiga data. Com o seu lugar de Trigaxes e a freguesia de Santa Susana de Mombeja, dali distante cerca de uma légua, constitui zona rica em achados da Idade do Bronze, sobressaindo nestes as cistas contendo cerâmica de tipo argárico e cobertas por lajes com armas insculturadas.

A população desse tempo se poderão talvez relacionar os indícios de núcleo castrejo do Outeiro do Circo, assim denominado pela configuração circular dos vestígios deixados à superfície do solo pela derruída muralha do castro".

Viana, A. (1949), Beringel (Notas Monográficas), Arquivo de Beja, VI, pp. 153-185

Vista desde o Outeiro do Circo para Beringel (casario do lado direito ao fundo)


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Citações (11)

A rubrica "Citações" traz-nos hoje um trabalho do arqueólogo espanhol Victor Rodero Olivares, de 2005, dedicado aos povoados fortificados do Sudoeste Peninsular durante o período Orientalizante, no qual constam várias menções ao Outeiro do Circo.

Refira-se ainda que se trata de um trabalho anterior ao início das escavações arqueológicas no Outeiro do Circo.

Transcrições (p. 172)

"L. Berrocal-Rangel ha teorizado tanto en su tesis doctoral como en una reciente publicación sobre la possibilidad, a partir de indicios topográficos, de la existencia de estas «subestructuras» de carácter defensivo en los yacimientos aletejanos de Outeiro do Circo y Corôa do Frade..."

"De todos modos, la constatación de fosos solo en los yacimientos del Suroeste hace suponer que es un recurso poco utilizado en los complejos defensivos del Período Orientalizante en el Suroeste..."

O autor refere-se à hipótese colocada por Luís Berrocal-Rangel do Outeiro do Circo também possuir um reforço do sistema defensivo, constituído por um fosso envolvente à vasta linha de muralhas que rodeiam o povoado na totalidade. Os trabalhos arqueológico realizados entre 2008 e 2013 permitiram confirmar a existência deste fosso, mas não a sua efectiva funcionalidade em termos defensivos. 

Rodero Olivares, V. M. (2005), Poblados fortificados del Suroeste Peninsular en el Período Orientalizante. In Ruibal, A. (ed.), III Congreso de Castellologia Ibérica. Guadalajara, pp. 163-189. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O Outeiro do Circo e as "guerrilhas" do século XIX.

A imponente e vasta muralha da Idade do Bronze do Outeiro do Circo terá continuado a marcar a paisagem muito tempo depois do seu abandono há cerca de 3000 anos.

Conhecemos algumas referências, já aqui publicadas, sobre lendas que associam as muralhas do Outeiro do Circo às lutas entre Mouros e Cristãos durante a Reconquista. 

Mas uma outra menção mais recente informa que: "Fronteiramente à vila [de Beringel], no Outeiro do Circo, já na freguesia de Mombeja, encontram-se restos de ruínas que alguns atribuem a um antigo fortim de defesa da povoação".

Esta referência surge na obra de Luíza Mira Galvão, "Estudo de um meio rural no Baixo Alentejo", publicada em 1946 e dedicada à vila de Beringel, onde também encontramos um episódio deveras interessante que diz o seguinte:

"Conta-se ainda que, nos agitados tempos das guerrilhas o povo sentindo uma vez a aproximação de uma dessas ondas de destruição, fugiu aterrorizado indo esconder-se como todos os seus haveres na serrania fronteira. Ninguém ficou no povoado mas qual não foi a surpresa de todos quando aos seus ouvidos chegou o som do repique aguerrido dos sinos tocados por mão misteriosa. A horda invasora que do Norte caminhava para a povoação ouvindo o desafio feito pelos sinos julgou que o povo, fortemente armado, se preparava para a defesa e temendo um desastre retrocedeu sem alcançar a vila. Todos voltaram às suas casas clamando por milagre e aos pés da virgem se renderam agradecidos. Ao sino da torre da igreja, voltado ao Norte ficaram por isso chamando «sino dos milagres»." (Galvão 1946: 174, 175).

Apesar deste episódio não referir concretamente o nome do Outeiro do Circo, certo era que se tratava da "serrania" mais próxima da vila de Beringel, de onde os seus habitantes poderiam observar a "horda" que se aproximava e manterem-se em segurança atrás dos muros escondidos entre a vegetação que os cobriria. 

Poderá o botão militar do séc. XIX encontrado nas escavações do Outeiro do Circo estar de algum modo relacionado com esta história/lenda?

Citação retirada de: 

GALVÃO, Luiza de Mira (1946) Estudo de um meio rural no Baixo Alentejo. [s.l.: s.n]. [Dactilografado, encadernado.] [Beringel. 

O nosso agradecimento à Lénia Santos, da Câmara Municipal de Beja, por nos ter dado a conhecer esta história. 

Vista aérea do Outeiro do Circo, com Beringel e a Barragem do Pisão em segundo plano (foto de Arrow4d)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Citações (9)

Continuamos com a rubrica citações, novamente com uma importante obra da década de 90, "História de Portugal", dirigida por José Mattoso, onde o Outeiro do Circo é alvo de uma breve referência no capítulo "O Passado Proto-Histórico e Romano", da autoria de Carlos Fabião.

Transcrição (p. 111)

" [...] Na zona de Beja, conhecem-se também povoados do mesmo tipo no Outeiro do Circo, em São Brás e no Passo Alto. Todos parecem apresentar uma estrutura semelhante, com amplos espaços fortificados, tendo-se identificado, no último, um tipo de construção defensiva até ao momento única no no Sul do actual território português [...]. 
Este sistema de povoamento interior, do Sul do actual território português, parece indicar claramente uma tradição de habitat concentrado, atingindo dimensões impensáveis em outras regiões, como o Noroeste ou a Beira Alta. Os habitantes destes grandes povoados, infelizmente muito mal conhecidos, por falta de investigações, parecem ter fundado a sua riqueza principalmente no cotrole e exploração das grandes jazidas cupríferas alentejanas, isto para além de uma economoa agro-pastoril de sucesso variável, consoante as regiões em que se encontravam implantados. Aqui. no interior, parecem ter florescido, efectivamente, sociedades bem estratificadas, no seio das quais se deveria destacar uma aristocracia guerreira, em boa verdade mais intuída que conhecida [...].

Mattoso, J. (ed.) (1992), História de Portugal, Lisboa: Círculo de Leitores.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Citações (8)

Retomamos a rubrica citações com uma menção ao Outeiro do Circo de um manual académico de referência nos anos de 1990, "Proto-História de Portugal", da autoria de Armando Coelho Ferreira da Silva e Mário Varela Gomes, editado pela Universidade Aberta. 

Transcrição (p. 109)

"No Baixo Alentejo, a poente de Beja, em zona de férteis terrenos agrícolas e rica em minério de cobre (Mina da Juliana), onde abundam necrópoles da II Idade do Bronze, contendo espólios mais ricos e estelas decoradas, tal como da Idade do Bronze Final (Ervidel II), localiza-se extenso povoado no local denominado Outeiro do Circo.
Fortes muralhas protegiam pessoas, colheitas e gado, parecendo desprovidas de torres e bastiões, sendo possível que uma entrada, voltada a sudeste, fosse defendida por barbacã. As cerâmicas recolhidas são muito semelhantes às de Coroa do Frade. Note-se o aparecimento de bordos com impressões, detectados em estações dos estuários do Tejo e do Sado, tal como decorações formadas por linhas paralelas incisas ou pintadas."

Silva, A. F. C. e Gomes, M. V. (1994), Proto-História de Portugal, Lisboa: Universidade Aberta, p. 87

A referência à existência de uma possível barbacã a defender a entrada localizada na zona sudoeste (e não sudeste como erradamente referida) foi bem intuída pelos autores, uma vez que os trabalhos de fotointerpretação realizados no Outeiro do Circo vieram a confirmar a presença de dois bastiões semicirculares a protegerem a entrada.  

Entrada Sudoeste e bastiões 

domingo, 9 de junho de 2019

Outeiro do Circo no roteiro "Pelos Campos de Beja"

A Câmara Municipal de Beja lançou no passado dia 6 de Junho, no Centro UNESCO, o roteiro "Pelos Campos de Beja - Histórias que convidam à visita", com textos de Marcos Pereira e André Tomé, ilustrado por Susa Monteiro. 
Trata-se de um roteiro pelas freguesias rurais do concelho de Beja, mas que também pode ser lido como um livro que reúne várias histórias e apontamentos ou curiosidades sobre cada uma das aldeias. 
Sobre Mombeja escrevem os autores que: "É precisamente nos montes em seu redor que se pode sentir a história e o passado vibrante da região. A pouca distância da aldeia encontramos o Outeiro do Circo, povoado antigo da Idade do Bronze, de grandes dimensões a partir do qual homens e mulheres terão dominado a planície há cerca de três mil anos atrás". 
Fica aqui o convite para desfrutar deste roteiro e aproveitar as sugestões dos autores para agendar uma visita até à aldeia de Mombeja, com passagem pelo Outeiro do Circo. 


Pereira, M. e Tomé, A. (2019), Pelos Campos de Beja - Histórias que convidam à visita. Câmara Municipal de Beja. 


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Citações (6)


Referência ao Outeiro do Circo na obra Portugal Património, de Álvaro Duarte de Almeida e Duarte Belo, no volume 9, dedicado aos distritos de Beja e Faro. 

Transcrição (p. 87)

"Povoado pré-histórico do Outeiro do Circo, situado no sítio do Outeiro do Circo. Freguesia de Beringel, concelho de Beja, distrito de Beja.
Trata-se de vestígios de um antigo povoado fortificado cuja fundação remonta à Idade do Bronze. Da antiga povoação, investigada numa escavação efectuada em 1989, apenas subsistem alguns troços de muralha.
Em 1890 o proprietário do terreno construiu sobre os vestígios arqueológicos uma torre-mirante que o historiador arabista Correia de Campos classificou erradamente de muçulmana."

Almeida, A. D. e Belo, D. (2008), Portugal Património, Vol. IX, Beja/Faro. Lisboa: Círculo de Leitores, p. 87.

Mais uma referência à existência de uma torre-mirante, tal como em Túlio Espanca, mas que carece de validação. 
Os trabalhos arqueológicos realizados no topo do povoado não revelaram até à data indícios relacionados com a existência da referida torre, apesar desta área possuir graves limitações à investigação provocadas pela grande concentração de blocos pétreos de grande dimensão provenientes de uma outra destruição ocorrida nos anos 50 ou 60 do século XX e que resultaram nesta acumulação. De referir ainda que esta área de topo revelou materiais em contexto de revolvimento de diversas épocas, que atestam a frequência do lugar por outras comunidades após o abandono registado no Bronze Final, manifestada através da presença de cerâmicas da Idade do Ferro, Época Romana, Idade Média e Época Moderna.
Uma outra incorrecção é a referência à realização de uma escavação em 1989 que na realidade nunca existiu apesar de ter havido essa intenção através da apresentação de um projecto de investigação da autoria de Rui Parreira e Teresa Matos Fernandes que nunca obteve os apoios necessários à sua concretização. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Citações (5)

O Outeiro do Circo também foi alvo de uma breve menção na vasta obra de Túlio Espanca sobre o património artístico de Portugal.

Transcrição (p. 227): 

"No vizinho Outeiro do Circo, existiu um castro pré-histórico que, ulteriormente fortificado foi destruído quando da remodelação do local na década de 1890, pelo proprietário dos terrenos, que no lugar construiu uma torre-mirante de planta cilíndrica, que Correia de Campos, precipitadamente, classificou do período muçulmano".

Espanca, T. (1992), Inventário artístico de Portugal – Distrito de Beja, Vol. 1, Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, p. 227

Convém referir que não existem quaisquer vestígios associados à torre-mirante mencionada no Outeiro do Circo e também não se conhece que tipo de afetação terá provocado a destruição de 1890. Das informações recolhidas no local, houve de facto uma grave destruição do talude correspondente à muralha no sector sudoeste, onde se encontraria a entrada principal, há cerca de 50 ou 60 anos atrás.
A destruição do século XIX, a ser verdade, poderá ter apenas incidido no topo, onde de facto se têm recolhido materiais arqueológicos de épocas mais recentes, mas onde não foram documentadas estruturas arqueológicas encontrando-se toda esta área com a rocha à superfície. No entanto, as condições privilegiadas de controle visual a partir do topo do Outeiro do Circo poderão ter levado ao seu uso através da construção de torres, provavelmente em madeira, ao longo de várias épocas como é sugerido pelo aparecimento de cerâmicas romanas, medievais e modernas nas escavações aí realizadas em 2015.

domingo, 14 de junho de 2015

Citações (4)

Citação sobre o Outeiro do Circo retirada de LOPES, M. C. (2003) - A Cidade Romana de Beja. Percursos e Debates acerca da "civitas" de Pax Iulia. Coimbra: Universidade de Coimbra, vol. 2.

Transcrição (p. 26):

"Outeiro do Circo, Beja, Mombeja [...]. Tipologia: Pov. I. Bronze. Cronologia: I. Bronze / I. Ferro, I. Bronze. Descrição: no topo de um cabeço, bem destacado na paisagem, junto à estrada (do lado esquerdo) que liga Mombeja a Beringel, a 2 km de Beringel, eleva-se este grande povoado de que são bem visíveis as muralhas. Encontrámos uma coluna de mármore que noutras circunstâncias remeteria para uma ocupação talvez romana. Um tratamento da fotografia aérea permitiu-nos reconhecer todo o traçado das muralhas. Interpretação: povoado bastante importante, do qual se avista Beja. Apesar das suas grandes dimensões não é tão grande como o dos Castelos (Baleizão), em princípio contemporâneo. Observações: importante povoado central, com restos pré-históricos e medievais, entre os quais reconhecemos algumas peças pré-romanas. Duplo recinto amuralhado"

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Citações (3)

Retomamos a rubrica Citações, desta vez com um pequeno excerto retirado de BERROCAL-RANGEL, L. (1993) - Los Pueblos Célticos del Suroeste de la Peninsula Ibérica. Madrid: Complutum Extra 2. 
 
Transcrição (p. 319 - 69b):
 
Outeiro do Circo
"Importante poblado central, com restos prehistóricos y medievales, entre los que recnocemos, y localizamos, algumas piezas prerromanas. Doble recinto amurallado."

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Citações (2)

Publicamos novamente algumas citações sobre o Outeiro do Circo.
Desta vez são três excertos retirados da revista "O Arqueólogo Português", baseados nas recolhas de P. de Azevedo e A. de Figueiredo sobre as Memórias Paroquiais ou do Dicionário Geographico do Padre Luís Cardoso.
 
Transcrição:
“Há perto desta villa hu Outeyro de bastante eminencia que chamão u Outeyro do Circo; e junto de seu cume há em roda hu muro de pedra antigo, que os Mouros chamarão Castro, e hoje os Militares entricheiramento. Está já em parte totalmente razo e paresse foy obra dos Mouros na sua retirada.”

AZEVEDO, P. A. de (1896), Extractos arqueológicos das Memórias Parochiaes de 1758, O Archeologo Português, 2, p. 307

“No seu termo, em hum oiteiro do Circo, se acha na sua superficie hum reducto, ainda que arruinado bem mostra que foy muro, por que ainda se conservão alguns pedaços, com pouca altura.”

FIGUEIREDO, A. M. de (1897), Informações arqueológicas colhidas no “Diccionario geographico”, de Cardoso, O Archeologo Português, 3, p. 220

“Mombeja (Alemtejo)”
“No inicio da Serra das Pedras distancia de hum quarto de legoa desta aldeia está um Monte muito alto que o vulgo chama o Outeiro do Sirco. Este Monte está cercado de Muro antigo que não sobe da terra e dizem pessoas velhas que nelle quizerão edificar a Cidade de Beja, porem não descubro noticia certa porque dezistirão e a fizerão aonde hoje existe e bem se vê que só fizerão os licerces e não houve terra ou Cidade por não se achar dentro nem fora dos Muros signal algum de ruina e dizem que por esta rezão se intitula esta freguezia de Mombeja por se chamar o Monte de Beja antigamente que corrupto o vocabulo se chama agora Mombeja ou será também porque esta serra he a maior e mais levantada que tem Beja em seu termo.”

AZEVEDO, P. A. de (1900), Extractos arqueológicos das Memórias Parochiaes de 1758, O Archeologo Português, 5, p. 299






domingo, 12 de janeiro de 2014

Citações

Iniciamos as atividades de 2014 com uma nova rubrica destinada a dar conhecimento de diversas citações na bibliografia arqueológica portuguesa sobre o Outeiro do Circo.
Assim, a primeira a merecer destaque reporta-se à entrada sobre o Outeiro do Circo, da autoria de Raquel Vilaça, no Dicionário de Arqueologia Portuguesa (2012, Figueirinhas, Porto) coordenado por Jorge de Alarcão e Mário Barroca.
Transcrição (p. 266):

"Outeiro do Circo (Mombeja/Beringel - Beja). Grande povoado dos finais da Idade do Bronze (e início da Idade do Ferro?) localizado numa extensa elevação que se destaca na peneplanície. Identificado nos anos de 1970, conta actualmente com um programa de escavações da responsabilidade de Miguel Serra e Eduardo Porfírio, que pretende analisar o seu sistema defensivo, organização interna e confirmar a cronologia de ocupação. Particularmente importante é a sua dupla linha de muralha construída de pedra e barro cozido, podendo alcançar c. de 5 m de altura, e onde foi também identificada, através de fotografia aérea, a entrada principal ladeada por dois bastiões semicirculares. A sua vasta área, estimada em c. de 17 hectares, confere-lhe lugar capital numa região onde a rede de povoamento coevo conta com um conjunto de sítios abertos de planície, de cariz doméstico e funerário, assim como necrópoles da Idade do Ferro, recentemente identificados. (Parreira 1971-1975; Serra, Porfírio e Ortiz 2008). [R.V.]."