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sábado, 4 de dezembro de 2021

A ocupação do território 19

Pedreira de Trigaches 3 (União de Freguesias de Trigaches e São Brissos) - povoado aberto do Bronze Pleno

Este sítio localiza-se a apenas 200 metros de Pedreira de Trigaches 2, e encontra-se implantado numa zona de planície rodeada por cursos de água secundários. 

No decurso de trabalhos de minimização sobre o património cultural do Bloco de Rega do Pisão, a cargo da empresa Arqueologia & Património, foram escavadas cinco estruturas negativas que genericamente podem ser enquadradas no Bronze Pleno apesar da ausência de datações radiométricas. Tal como em Pedreira de Trigaches 2, também aqui se registou a presença de uma fossa contendo sementes de cereais (Antunes et al. 2012: 286). Dada a curta distância para Pedreira de Trigaches 2 poderá tratar-se do mesmo povoado, demonstrando a extensão que estes sítios abertos de planície podem atingir.

Localização do sítio Pedreira de Trigaches 3 na CMP 509
Estrutura onde foram recolhidas sementes de cereais (Foto: Arqueologia & Património, Lda.)

Bibliografia:

ANTUNES, A., DEUS, M., SOARES, A. M., SANTOS, F., ARÊZ, L., DEWULF, J., BAPTISTA, L. e OLIVEIRA, L. (2012) – Povoados abertos do Bronze Final no Médio Guadiana. In JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed) – Sidereum Ana II. EL río Guadiana en el Bronce Final (Anejos de AEspA LXII). Mérida, p. 277-308.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 

terça-feira, 18 de maio de 2021

A ocupação do território 18

Monte do Bolor 3 (União de Freguesias de Trigaches e São Brissos) - povoado aberto do Bronze Final

O Monte do Bolor 3, foi alvo de trabalhos arqueológicos no âmbito do Projeto Alqueva, que revelaram uma larga diacronia de ocupação entre o Calcolítico e o período romano. 

O sítio localiza-se perto da vila de Beringel, mas integrada na antiga freguesia de S. Brissos, ocupando um pequeno cabeço junto à Ribeira do Álamo, encontrando-se rodeado de terrenos de grande potencial agrícola.

Foi atestada uma fase de ocupação do Bronze Final materializada na existência de alguns valados e fossos (Borges et al. 2012: 116) que poderão corresponder a uma formas de delimitação do espaço do povoado ou a parcelários que estruturem o território de exploração (Serra e Porfírio 2017: 225).

Nos valados e fossos recolheram-se cerâmicas brunidas, taças carenadas e pegas mamilares, materiais característicos do Bronze Final, destacando-se a presença de cerâmicas pintadas de estilo Carambolo (Borges et al. 2012: 119).

Localização do sítio Monte do Bolor 3 na CMP 509
Materiais cerâmicos do Bronze Final (Borges et al. 2012: 129)

Bibliografia:

BORGES, S., SALVADOR MATEOS, R., PEREIRA, J, e SILVA, B. (2012) – Monte do Bolor 3 – S. Brissos, Beja: resultados preliminares. In DEUS, M. (coord.), Actas do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular. Almodôvar, p. 113-131.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 


terça-feira, 9 de março de 2021

A ocupação do território 17

Horta do Panéque (Beringel) - povoado aberto do Bronze Pleno

No sítio da Horta do Panéque, localizado a pouco mais de 1 km a Oeste de Beringel, os trabalhos arqueológicos permitiram a descoberta de uma única fossa contendo dois enterramentos, cuja datação por radiocarbono os situa dentro do Bronze Pleno. Identificou-se uma fossa, bastante alterada, onde se observou um aglomerado de pedras sobre um alinhamento de três pedras fincadas na vertical, que deveria corresponder à estrutura de fecho da câmara funerária, onde se recolheram restos osteológicos desarticulados pertencentes a pelo menos dois indivíduos adultos. Não se identificou qualquer oferenda associada aos enterramentos (Baptista et al. 2013: 817). 

Localização do sítio Horta do Panéque na CMP 509

Estrutura funerária da Horta do Panéque (Baptista et al. 2013: 816)

Bibliografia:
ANTUNES, A., DEUS, M., SOARES, A. M., SANTOS, F., ARÊZ, L., DEWULF, J., BAPTISTA, L. e OLIVEIRA, L. (2012) – Povoados abertos do Bronze Final no Médio Guadiana. In JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed) – Sidereum Ana II. EL río Guadiana en el Bronce Final (Anejos de AEspA LXII). Mérida, p. 277-308.

BAPTISTA, L., OLIVEIRA, L., SOARES, A. M. e GOMES; S. (2013) - Contributos para a discussão da construção da paisagem nas bacias das ribeiras do Álamo e do Pisão (Beringel e Trigaches, Beja) entre o IV e o III milénios a.C. VI Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular. Villafranca de los Barros, pp. 791-827.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

A ocupação do território 16

Pedreira de Trigaches 2 (Trigaches) - povoado aberto do Bronze Final

O povoado de Pedreira de Trigaches 2 situa-se numa zona de planície rodeada por linhas de água secundárias. Aqui foram descobertas diversas fossas, que revelaram cronologias entre o Calcolítico e a Idade do Bronze. Esta última fase de ocupação enquadra-se entre o Bronze Pleno e Final segundo as datações de radiocarbono obtidas sobre sementes e cortiça. As estruturas correspondem a fossas de tipo silo, com a particularidade de uma delas ter revelado a presença de milhares de sementes de cevada. Trata-se da rara comprovação da utilização primária deste tipo de estruturas que geralmente só revelam a fase de abandono e amortização através da sua selagem e preenchimento com sedimento e materiais diversos. Em Pedreira de Trigaches 2 ainda há a registar a presença de uma deposição de ossos de cervídeo e um enterramento de um indivíduo (Antunes et al. 2012: 284-285) demonstrando a utilização funerária simultânea destes espaços habitacionais (Serra e Porfírio 2017).

Localização do sítio Pedreira de Trigaches 2 na CMP 509
Fossa com sementes (foto: Arqueologia e Património, Lda.)

Bibliografia:

ANTUNES, A., DEUS, M., SOARES, A. M., SANTOS, F., ARÊZ, L., DEWULF, J., BAPTISTA, L. e OLIVEIRA, L. (2012) – Povoados abertos do Bronze Final no Médio Guadiana. In JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed) – Sidereum Ana II. EL río Guadiana en el Bronce Final (Anejos de AEspA LXII). Mérida, p. 277-308.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 


sábado, 9 de janeiro de 2021

A ocupação do território 15

Folha do Ranjão (Baleizão) - povoado aberto de planície do Bronze Final 

Este sítio, localizado entre a aldeia de Baleizão e o Rio Guadiana, deverá corresponder a um povoado aberto de planície, apesar da escassez de elementos relacionados com a sua ocupação durante o Bronze Final. Situa-se numa zona plana com solos de grande potencial agrícola, e nunca foi alvo de trabalhos de escavação arqueológica.

As prospecções efectuadas permitiram constatar que poderá ter diversas fases de ocupação como sugerido pela recolha superficial de materiais cerâmicos calcolíticos, do Bronze Final, da Idade do Ferro, período para o qual também se identificou uma inscrição com escrita do Sudoeste, e de época islâmica (Serra e Porfírio 2017: 224; Soares 2013: 294).

Os materiais atribuídos ao Bronze Final correspondem a cerâmicas de ornatos brunidos, que se concentram numa área pequena e bem delimitada, o que é compatível com a existência de um pequeno habitat ou talvez um casal agrícola (Soares 2013: 297)


Materiais cerâmicos da Idade do Bronze (1-10) e Idade do Ferro (11-17) (Faria e Soares 1998)

Bibliografia: 

FARIA, A. M e SOARES, A. M. (1998) – Uma inscrição em caracteres do Sudoeste proveniente da Folha do Ranjão (Baleizão, Beja). Revista Portuguesa de Arqueologia. Vol. 1, N.º 1, p. 153-160.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 

SOARES, A. M. (2013) – O sistema de povoamento do Bronze Final no Baixo Alentejo – Bacia do Guadiana. Estudos Arqueológicos de Oeiras. 20, p. 273-302.

Adenda:

Após a publicação deste texto recebemos uma informação de António Monge Soares, a quem agrademos, que esclarece que a Folha do Ranjão foi alvo de trabalhos de sondagens arqueológicas na sequência de destruições patrimoniais decorrentes da implantação de um projecto de agricultura intensiva. Os trabalhos foram realizados por uma empresa de arqueologia a aguarda-se a publicação dos resultados. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

A ocupação do território 14

Pexem (Baleizão) - hipogeus do Bronze Pleno

O sítio de Pexem já havia revelado uma ocupação de época romana, mas trabalhos posteriores permitiram a deteção de cerca de 50 contextos pré-históricos, constituídos maioritariamente por fossas e por dois contextos funerários, um hipogeu e uma estrutura de planta subretangular. O hipogeu revela caraterísticas similares a outros recentemente dados à estampa, possuindo uma antecâmara escalonada que permite o acesso à câmara funerária onde se identificou um individuo que tinha como espólio funerário um punção em liga de cobre e uma taça. A outra estrutura funerária revelou o mesmo tipo de espólio (Baptista et al. 2013: 2558). Mais uma vez estamos na presença de um povoado aberto possuidor de área sepulcral, mas que aqui não mostra o aproveitamento de fossas de tipo silo para a realização de enterramentos, mas antes a construção de um hipogeu com propósito evidentemente fúnebre (Serra e Porfírio 2017: 217-218).

Localização do sítio de Pexem na CMP 511.

Pexem. Dádivas funerárias (taças e punções). (foto: Arqueologia e Património, Lda.) 

Bibliografia: 

BAPTISTA, L., GOMES, S., PINHEIRO, R., RODRIGUES, Z., VALE, N., GRILO, J., MENDONÇA, R., LUÍS, L., SARAIVA, A. e MOTA, R. (2013) – Ponto de situação dos trabalhos de minimização de impactes sobre o património cultural decorrentes da execução do Circuito Hidráulico de Pedrógão – Fase de Obra (1ª fase) (Vidigueira e Beja, Portugal). In JIMÉNEZ ÁVILA, J., BUSTAMONTE ÁLVAREZ, M. e GARCIA CABEZAS, M.. (eds), Actas del VI Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular. Villafranca de los Barros, 2537-2571.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A ocupação do território 13


Pisões 5 (Santiago Maior e São João Baptista) - povoado de fossas do Bronze Final

Pequeno povoado aberto localizado próximo da Villa romana de Pisões e identificado no âmbito de trabalhos do Projeto Alqueva. 
Foram detetadas estruturas de diversas fases cronológicas, datadas do Neolítico, Calcolítico, Bronze Final, II Idade do Ferro e época romana. 
Do Bronze Final surgiram evidências numa das estruturas negativas que continha diversas cerâmicas entre as quais se destacavam fragmentos com decoração de ornatos brunidos. 
Esta cronologia haveria de ser confirmada através de uma data de radiocarbono obtida a partir de uma amostra de fauna mamalógica. A estrutura enquadrável no Bronze Final poderá corresponder a um fundo de cabana, tal como sugerido pela sua configuração e pela presença de um buraco de poste (Bargão e Soares 2016: 72-75).


Localização do sítio de Pisões 5 na CMP 521

Vista para o sítio de Pisões 5 a partir da Villa de Pisões. 

Cerâmicas de ornatos brunidos de Pisões 5 (retirado de Bargão e Soares 2016: 74)

Bibliografia:

BARGÃO, P. e SOARES, A. M. (2016) – Pisões 5: um sitio de fossas nos barros de Beja. In MEDINA ROSALES, N. (ed), Actas del VII Encuentro de Arqueología del Suroeste Peninsular. Aroche-Serpa, p. 65-87.
SERRA, M. e PORFÍRIO, E. (2017) – Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, vol. 1, n.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, p. 209-232. 


domingo, 6 de maio de 2018

A ocupação do território 12

Monte do Mosteiro (Salvada/Quintos) - povoado fortificado do Bronze Final

O Monte do Mosteiro é um povoado fortificado situado sobre um meandro pronunciado que remata numa zona de encosta escarpada sobre a Ribeira de Terges. Reconheceu-se a existência de uma possível linha de muralha no acesso norte, apesar de não se conhecer a sua planta. Pelo tipo de implantação atribui-se-lhe uma cronologia entre o Bronze Final e a I Idade do Ferro, apesar de não se terem recolhido materiais, situação que necessitará da necessária comprovação arqueológica futura. A plataforma passível de ter sofrido ocupação possui cerca de 4 hectares. 
Será sem dúvida precipitado tecer mais considerações sobre este sítio devido ao parco estado dos conhecimentos, mas não podemos deixar de notar mais uma vez a importância da sua localização para o controlo de uma zona de passagem situada na Ribeira de Terges (Barros, 2012: 222; Serra e Porfírio, 2017; Serra, 2014). 

Bibliografia:
BARROS, P. (2012), O Bronze Final na região de Mértola. In, JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed.), Sidereum Ana II – El río Guadiana en el Bronce Final. Mérida: Anejos de AEspA, LXII, pp. 215-227. 
SERRA, M. e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, 1, p. 209-232
SERRA, M. (2014), Muralhas, Território, Poder. O papel do povoado do Outeiro do Circo (Beja) durante o Bronze Final. In VILAÇA, R. e SERRA, M. (coord), Idade do Bronze do Sudoeste - Novas perspetivas sobre uma velha problemática. Coimbra [http://www.uc.pt/fluc/iarq/pub_online/], p. 75-99.

Localização do Monte do Mosteiro (Salvada / Quintos) na CMP 541
Localização do Monte do Mosteiro (Salvada / Quintos) no Google Earth
Localização do Monte do Mosteiro (Salvada / Quintos) no Google Earth


sábado, 3 de março de 2018

A ocupação do território 11

Pé do Castelo (Albernôa / Trindade) - povoado do Bronze Final


O sítio de Pé do Castelo, também conhecido localmente como Pego do Castelo, abrange um cabeço destacado sobre a Ribeira de Cobres. Foi identificado na sequência da descoberta fortuita de uma peça em bronze que conduziu à realização de prospeções arqueológicas no local onde se vieram a recolher outros materiais, nomeadamente algumas cerâmicas (Lopes e Vilaça 1998). Não se reconhecem taludes artificiais que possam ser associados à presença de qualquer estrutura defensiva e o sítio possui fácil acesso para norte em direção à Ribeira de Terges, mas as restantes vertentes apresentam-se bastante escarpadas formando uma defesa natural aumentada pela Ribeira de Cobres no sopé.
A peça de bronze aí recolhida possui um caracter excecional e poderá ter origem oriental, sendo integrada no Bronze Final (idem 1998: 76).
A plataforma onde foram recolhidos os diversos materiais tem uma área de 1,5 hectares, definindo um povoado de pequenas dimensões mas com um controle estratégico importante sobre uma zona de passagem na Ribeira de Cobres, o que lhe conferiria importância a nível regional capaz de justificar a presença de uma peça que terá de ser entendida com um verdadeiro bem de prestígio (Serra 2014: 84).

Bibliografia:
BOTTAINI, C., CARRIÇO, N., AMARAL, V., BELTRAME, M., VILAÇA, R., MIRÃO, J. e CANDEIAS, A. (2014), Novos dados sobre a arqueometalurgia de duas peças de âmbito mediterrâneo do Bronze Final / I Idade do Ferro do Sul de Portugal. In VILAÇA, R. e SERRA, M. (coord), Idade do Bronze do Sudoeste - Novas perspetivas sobre uma velha problemática. Coimbra [http://www.uc.pt/fluc/iarq/pub_online/], p. 187-204.
LOPES, M. C. e VILAÇA, R. (1998) – Peça do Bronze Final proveniente do Pé do Castelo (Trindade, Beja). Arquivo de Beja. 7-8. Série 3, p. 63-84.
SERRA, M. (2014), Muralhas, Território, Poder. O papel do povoado do Outeiro do Circo (Beja) durante o Bronze Final. In VILAÇA, R. e SERRA, M. (coord), Idade do Bronze do Sudoeste - Novas perspetivas sobre uma velha problemática. Coimbra [http://www.uc.pt/fluc/iarq/pub_online/], p. 75-99.
SERRA, M. e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, 1, p. 209-232

Localização do Pé do Castelo (Albernôa / Trindade) na CMP 540

Pé do Castelo (Albernôa / Trindade) - vista geral (retirado de Serra e Porfírio 2017)

Peça em bronze do Pé do Castelo (Albernôa / Trindade) (retirado de Bottaini et al. 2014)

sábado, 24 de fevereiro de 2018

A ocupação do território 10

Castelos (Baleizão) - povoado fortificado do Bronze Final 

O povoado de Castelos foi descoberto na margem direita do Guadiana em prospeção arqueológica por Maria da Conceição Lopes que o atribuiu ao Bronze Final. Ocupa dois cabeços rodeados por duas linhas de muralhas (Lopes 2003, vol. II: 14), cujos taludes ainda são observáveis no terreno. Apesar de não existir qualquer planta do sítio cifrou-se a sua área de ocupação entre os 4 e 6 hectares em função da mancha de dispersão de materiais (Serra 2014b: 85). Nunca foi alvo de trabalhos de escavação arqueológica que permitam um melhor conhecimento da sua cronologia bem como da ocupação no interior, mas regista-se o achado de algumas peças e fragmentos metálicos entre as quais um tranchet que corrobora a cronologia proposta (Vilaça 2008-2009: 66).

Faria parte de uma rede de povoamento estruturada ao longo do Guadiana, como outros povoados dos concelhos vizinhos de Moura e Serpa (Vilaça 2008-2009: 66), e encontra-se mesmo em frente ao povoado do Laço (Serpa) situado na margem esquerda do Guadiana a menos de 1 km, com boa visibilidade entre ambos (Serra 2014a: 85). (adaptado de Serra, M. e Porfírio, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, 1, p. 220).

Bibliografia:
LOPES, M. C. (2003) – A cidade romana de Beja. Percursos e debates acerca da “civitas” de Pax Iulia. Coimbra. 2 vols.
SERRA, M. (2014a), Os senhores da planície. A ocupação da Idade do Bronze nos "Barros de Beja" (Baixo Alentejo, Portugal). Antrope - Série Monográfica 1, p. 270-297.
SERRA, M. (2014b), Muralhas, Território, Poder. O papel do povoado do Outeiro do Circo (Beja) durante o Bronze Final. In VILAÇA, R. e SERRA, M. (coord), Idade do Bronze do Sudoeste - Novas perspetivas sobre uma velha problemática. Coimbra [http://www.uc.pt/fluc/iarq/pub_online/], p. 75-99.
SERRA, M. e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, 1, p. 209-232
VILAÇA, R. (2008-2009) – Sobre tranchets do Bronze Final do Ocidente Peninsular. Portugália, Nova Série. Vol. XXIX-XXX, p. 61-84.

Localização dos Castelos (Baleizão) na CMP 522
Castelos (Baleizão). Corte na linha de muralha interior (retirado de Serra e Porfírio 2017)
Tranchet dos Castelos (Baleizão) (retirado de Vilaça 2008-2009)



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A ocupação do território 9

Alcarias (Mombeja) - necrópole de cistas 

Em 1898, José Leite de Vasconcellos visitou a região de Mombeja, onde na companhia do Reverendo António da Silva Pires, pároco de Santa Vitória e do Reverendo António Maria de Brito, prior de Mombeja, lhe foram mostradas três lajes de xisto decoradas aí descobertas e que se integravam na Idade do Bronze. Referimo-nos às três estelas da Idade do Bronze recolhidas por Leite de Vasconcellos e transportadas para o Museu Etnológico Nacional (actual Museu Nacional de Arqueologia), das quais uma se perdeu durante umas mudanças ocorridas no museu.
Estas estelas terão sido descobertas durante a realização de trabalhos agrícolas nuns terrenos designados por Alcarias e localizados a cerca de 2 km de Mombeja, onde serviam de paredes e tampas de sepulturas (Vasconcellos 1906: 184,185).
Uma das estelas conserva a figura de um ancoriforme decorado com uma série de linhas rectas e onduladas horizontais na sua parte superior. Também se observam duas perfurações e duas linhas que partem para cima, interpretadas como correias. Na parte esquerda, também em alto relevo, surge parte de uma espada embainhada, com empunhadura de rebites onde também existem as linhas que representam as correias ou tahali.
A outra estela apenas possui uma figura, representando possivelmente a parte inferior do ancoriforme (invertida na imagem em baixo). Apesar de não serem observados na reprodução em baixo, esta estela também possui, em baixo relevo, os extremos inferiores curvos dos cabos de alabardas ou machados.
A terceira estela, desaparecida e da qual só conhecemos um esboço de José Leite de Vasconcellos, parece representar o punho de uma espada representado em alto relevo (Díaz-Guardamino 2010).

Estelas de Mombeja (adaptado de Vasconcelos 1906: estampa II)

A localização exacta do sítio permaneceu incerta e foram infrutíferas as tentativas de o localizar ao longo dos anos, face à ausência de vestígios correlacionáveis com a existência de uma necrópole de cistas na zona do topónimo "Alcarias".
Uma breve referência de Abel Viana (1945: 330) poderá estar relacionada com este sítio. Numa curta passagem descritiva de alguns materiais cerâmicos da Idade do Bronze existentes no Museu de Beja, Abel Viana menciona um vaso decorado que seria proveniente do sítio Alcaria de Ervidel (!), que havia sido depositado no museu em 1917 pelo Conselheiro Francisco Xavier de Menezes.
Esta situação foi subitamente alterada quando em Fevereiro de 2016 a equipa coordenadora do Projecto Outeiro do Circo foi contactada pelo colega arqueólogo Rui Ribolhos, que acompanhava este blogue com regularidade, pela atenção que dedica aos temas relacionados com a História, sobretudo por se tratar da terra onde tem as suas origens.
Contou-nos então o que a seguir citamos:
"Meu avô (José Filipe do Ó) recebeu de uma
herança por volta de 1950, um terreno/fazenda da parte de um tio solteiro.
Para gente pobre, como o meu avô (casado e com dois filhos para
sustentar) foi uma dádiva dos deuses.
Este terreno fora desde tempos imemoriais, "cavado" à mão e o meu avô
querendo aproveitar ao máximo as qualidades da terra, pediu uma lavra
mecanizada. No decorrer desta operação e perante o olhar do meu avô e de
meu pai (José Filipe), eis que a máquina parou perante um obstáculo pétreo.
Ao quererem retirar a dita pedra, constataram tratar-se de uma pedra que
servia de tampa de sepultura. Foram descobertas por eles duas sepulturas
que pela descrição (esteios pétreos no fundo, laterais e servindo de tampa.
Para além da surpresa relativamente ao que estavam ali "a fazer pedras
talhadas" num sitio onde não há pedras, mais espantados ficaram ao
constatar que se tratava de duas sepulturas.
O meu pai recorda-se perfeitamente de cada uma conter um esqueleto intacto,
desfeitos por contacto com os elementos.
Uma delas continha espólio sendo constituído por, segundo a memória do
meu pai, duas peças cerâmicas intactas "tijela" (vaso?) e "jarro" (potinho/púcaro?)."

No seguimento deste contacto foi possível fazer um reconhecimento à dita propriedade na companhia de Rui Ribolhos e do seu pai, José Filipe, que nos indicou o local aproximado onde estes vestígios haviam sido identificados na década de 50 do século passado. No terreno os únicos vestígios correspondiam a fragmentos de lajes que poderão ter pertencido a cistas, uma vez que na zona envolvente já não encontramos mais materiais semelhantes, concentrando-se estes numa área relativamente restrita. Apesar da ausência de outros vestígios mais específicos, julgamos que as informações recolhidas permitiram-nos a identificação concreta da localização da necrópole de Alcarias e por inerência do local onde foram recolhidas as três estelas de Mombeja.
Bibliografia:
Díaz-Guardamino, M. (2010), Las estelas decoradas en la Prehistoria de la Península Ibérica. Madrid: Tese de Doutoramento apresentada à Universidade Complutense de Madrid.
Vasconcellos, J. L. (1906), Estudos sobre a época do Bronze em Portugal. O Archeologo Português, 11, pp. 184-185.
Viana, A. (1945), Museu Regional de Beja: alguns objectos da Idade do Bronze, da Idade do Ferro e da Época Romana, Cerâmica Árabe. Arquivo de Beja, vol. 2, fasc. III-IV, pp. 309-339

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A ocupação do território 8

Monte de Coelheira 2 (Santa Vitória) - necrópole de cistas do Bronze Médio

O sítio de Monte da Coelheira 2, situado na União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja, foi recentemente identificado no decurso de trabalhos de minimização enquadrados na rede de rega do Alqueva e foi intervencionado pela empresa Omniknos.
Os principais vestígios deste sítio relacionam-se com uma ocupação calcolítica, mas importa destacar a presença de duas cistas do Bronze Médio (Valera, Ramos, Castanheira 2014: 40) que revelam a existência de uma necrópole inédita e que se integra no grupo da Ribeira do Roxo/Ribeira da Chaminé onde são conhecidas mais 15 necrópoles deste período (Parreira 1977: 36; Serra 2014: 275).
Na cista 1 foi exumado um indivíduo em decúbito lateral esquerdo que era acompanhado de espólio fúnebre constituído por um vaso brunido com decoração em gomos e uma taça de carena baixa. Na cista 2, localizada a curta distância da cista 1, também foi identificado um indivíduo em decúbito lateral direito acompanhado por um vaso tipo Odivelas (Valera, Ramos, Castanheira 2014: 40).
A arquitetura de ambas as cistas não revela elementos diferenciadores em relação ao padrão conhecido para esta região onde as necrópoles parecem ser constituídas por pequenos agrupamentos ou núcleos e desprovidas de tumulus ou recintos delimitadores (Serra 2014: 279). No entanto é de referir a informação oral recolhida pela equipa que intervencionou o Monte da Coelheira 2 a quem o rendeiro da propriedade informou terem sido destruídas várias sepulturas ao longo dos anos o que poderia configurar uma necrópole de maiores dimensões (Valera, Ramos, Castanheira 2014: 40).

Localização de Monte da Coelheira 2 na CMP 520
Vaso com decoração em gomos da cista 1 (adaptado de Valera, Ramos e Castanheira 2014: 40)

Bibliografia: 
PARREIRA, R. (1977), O povoado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo. Arquivo de Beja. 28-32, pp. 31-45. 
SERRA, M. (2014), Os senhores da planície. A ocupação da Idade do Bronze nos "Barros de Beja" (Baixo Alentejo, Portugal). Antrope, Série Monográfica 1, pp. 270-296.
VALERA, A. C., RAMOS, R. e CASTANHEIRA, P. (2014), Os recintos de fossos de Coelheira 2 (Santa Vitória, Beja). Apontamentos de Arqueologia e Património. 10, pp. 33-45.

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quinta-feira, 4 de junho de 2015

A ocupação do território 7

 Misericórdia 2 (Beringel) - povoado de fossas do Bronze Pleno/Final

O sítio de Misericórdia 2, localizado na freguesia de Beringel a curta distância do povoado fortificado do Outeiro do Circo, corresponde a um sítio de fossas enquadrado no Bronze Pleno e Final.
Foi intervencionado por uma equipa da empresa Omniknos no âmbito da construção do IP8 em 2011, numa área de pendente junto a um conjunto de cerros entre os afluentes da Ribeira da Figueira, numa altitude média de 175 m.
No decurso da intervenção foram escavadas 6 fossas onde se recolheu um importante espólio cerâmico muito variado (taças, tijelas, taças carenadas, globulares, potes, vasos de corpo troncocónico, vasos de colo estrangulado, taças/tijelas de base plana, bases planas e vasos de base plana) e dentro do qual se destaca a presença de fragmentos com decoração incisa com paralelos em Cogotas. Também é de referir a presença de alguns elementos metálicos, sobretudo uma ponta de seta e um fragmento de uma possível fíbula, para além de vestígios de fundição entre os quais dois fragmentos de cadinhos (Castanheira, 2015).
A manutenção da ocupação humana neste sítio até ao Bronze Final poderá indiciar a sua integração na estrutura de povoamento associada ao Outeiro do Circo e que integra outros sítios de planície, e não só, localizados nas proximidades, como por exemplo Arroteia 6, Pedreira de Trigaches 2, Monte do Bolor 3, Pisões 5, Aldeia da Ribeira 6 ou Bela Vista 3, todos situados a distâncias inferiores a 7 km do Outeiro do Circo (Serra, 2014: 82).
Localização do sítio de Misericórdia 2 na CMP 509
Cerâmica com decoração tipo Cogotas (adaptado de Castanheira, 2015: 58)

Bibliografia:
CASTANHEIRA, P. (2015), Misericórdia II (Beringel, Beja): algumas notas para o estudo do Bronze Final nas Terras de Barros. Apontamentos de Arqueologia e Património. 10. ERA-Arqueologia. Lisboa, pp. 53-61.
SERRA, M. (2014), Muralhas, Território, Poder. O papel do povoado do Outeiro do Circo (Beja) durante o Bronze Final. In VILAÇA, R. e SERRA, M. (eds), Idade do Bronze do Sudoeste. Novas Perspectivas sobre uma velha problemática. Coimbra: DHEEAA-FLUC/CEAACP/Palimpsesto, pp. 73-97.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A ocupação do território - 6

Mina da Juliana

A sua descoberta vem datada de 11 de julho de 1881, sendo a concessão provisória atribuída Alonso Gomes. A sua designação oficial e inicial é Cova Redonda ou Cova da Moura, sendo chamada de Mina da Juliana por se encontrar numa herdade com esse nome.
A mina teve exploração subterrânea de cobre durante o século XIX e princípios do século XX. Esta exploração era feita através de poços e galerias que chegaram a atingir profundidades de cerca de 140m. O minério de cobre retirado (essencialmente calcopirite) era queimado em fornos (ustulação) para a obtenção do cobre. O transporte do minério era facilitado pela curta distância da mina à estação de caminho-de-ferro mais próxima, Figueirinha; cerca de 2,5 km de “bom caminho”. Da Figueirinha o minério era encaminhado para o Barreiro, onde embarcava rumo a Inglaterra.
Existem registos de trabalhos antigos, nomeadamente de lavra romana, mas de pouca relevância, dado que apenas teriam sido exploradas zonas com minério de boa qualidade e próximo da superfície.
Os minerais principais são a calcopirite (CuFeS2) e a bornite (Cu5FeS4), associadas a quartzo (SiO2), barite (BaSO4) e carbonatos (siderite (FeCO3), calcite (CaCO3) e dolomite (CaMg(CO3)2)), entre os quais alguns de origem secundária como a malaquite (Cu2CO3(OH)2) .
Trata-se de uma mina de tipo filoniano inserida no Complexo Vulcano-Sedimentar da Faixa Piritosa Ibérica (fig. 1). 
Fig. 1 - Enquadramento geológico da Mina da Juliana (in Oliveira et al, 2013)

O Complexo Vulcano-Sedimentar é representado na região por rochas vulcânicas (metavulcanitos), xistos siliciosos, xistos negros, xistos borra de vinho, jaspes e tufitos.

Referências:
Cabral, José Augusto Neves (1889), Catálogo descritivo da Secção de Minas (grupo I e II), Imprensa Nacional
Matos, J. X. & Pereira, Z. (2013), Aplicação e divulgação de modelos geológicos complexos no âmbito de projetos de património geológico-mineiro na Faixa Piritosa Ibérica, Geodinâmica e Tectónica global; a Importância da Cartografia Geológica, Livro de actas da 9a Conferência Anual do GGET-SGP
Oliveira, J. T. Coordenação (1988). Carta Geológica de Portugal, Folha 8, escala 1:200 000. Carta Geológica de Portugal. Lisboa: Serviço Geológico de Portugal.
Oliveira, J. T.  Coordenação (1992). Noticia Explicativa da Folha 8 da Carta Geológica de Portugal, 1:200 000. Carta Geológica de Portugal. Lisboa: Serviço Geológico de Portugal, 85 pp.
Oliveira, J.T., Relvas, J., Pereira, Z., Matos, J., Barriga, F., Rosa, C., Rosa, D., Munhá, J., Fernandes, P., Jorge, R. e Pinto, A. (2013). Geologia Sul Portuguesa, com ênfase na estratigrafia, vulcanologia física, geoquímica e mineralizações da faixa piritosa. Em Geologia de Portugal, Volume I, Geologia Pré-mesozóica de Portugal, (Dias, R., Araújo, A., Terrinha, P. e Kullberg, J. C, Editores), Escolar Editora, pp. 673 – 765.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A ocupação do território - 5

A necrópole do Ulmo (Monte do Ulmo, Santa Vitória, Beja)

A necrópole de cistas da Idade do Bronze do Monte do Ulmo, situada na freguesia de Santa Vitória, foi descoberta em 1941 com o aparecimento de 4 cistas, mas delas só se daria notícia anos mais tarde nas páginas do Arquivo de Beja, após a visita efetuada ao local por Abel Viana em 1943, que apenas pôde observar “três grandes lajes de chisto, as quais, conforme no-lo contaram pessoas que assistiram ao desmantelamento do achado, representavam as tampas de três cistas”. Nesta primeira notícia sobre a necrópole do Ulmo é também mencionado que a quarta sepultura era maior que as outras e nela foi encontrado um “…bocado de arma de ferro parecida com um pedaço de espada…” (Viana 1947: 10-11).

Mais tarde, Abel Viana refere que outras doze cistas foram abertas na sua presença, e foram recolhidos diversos materiais como “…uma folha de canivete, de bronze […], um bocado da ponta de uma lança de ferro […], um pedacito de haste de ferro […], uma sovela de bronze […], uma vasilha […], um punhal de bronze…”, para além de ossos humanos em diversas cistas, incluindo um possível enterramento múltiplo na sepultura n.º 12 onde foram registados quatro esqueletos, “…dois deles dobrados e, por assim dizer, completos, e os outros dois dispostos talvez já com os ossos enfeixados…” (VIANA e RIBEIRO, 1956: 158-160). 
As peças 4, 5 e 6 correspondem a achados metálicos das cistas do Monte do Ulmo (retirado de Viana e Ribeiro, 1956: 164)

Outro aspeto referente às práticas funerárias é-nos sugerido em publicação posterior de Fernando Nunes Ribeiro que dá conta de um dos crânios recolhidos no Ulmo apresentar “…uma trepanação perfeitamente cicatrizada…” (Ribeiro, 1965: 32).
Esta necrópole parece ter sido uma das maiores da região Oeste de Beja, uma vez que todas as outras conhecidas raramente atingem a dezena de sepulturas identificadas, com exceção da necrópole das Mós onde se reconheceram dez cistas (SERRA, 2014: 275, tabela 1).
Entre algumas das principais dúvidas que subsistem das informações publicadas, destacam-se a localização precisa da área de implantação desta necrópole, bem como a justificação da presença de materiais em ferro em diversas sepulturas, uma vez que não sabemos se se trata de erros de interpretação, ou se poderão dever-se a reutilizações mais tardias das sepulturas, ou se estaremos na presença de algumas cistas da Idade do Ferro.

Referências
RIBEIRO, F. N. (1965) – O Bronze Meridional Português. Beja.
SERRA, M. (2014) – Os senhores da planície. A ocupação da Idade do Bronze nos “Barros de Beja” (Baixo Alentejo, Portugal), Antrope, série monográfica 1, pp. 270-296.
VIANA, A. (1947) – Notas históricas, arqueológicas e etnográficas do Baixo Alentejo, Arquivo de Beja, vol. IV, fasc. I-II, pp. 10-11.
VIANA, A. E RIBEIRO, F. N. (1956) – Notas históricas, arqueológicas e etnográficas do Baixo Alentejo, Arquivo de Beja, vol. XIII, fasc. I-IV, pp. 153-167.

quinta-feira, 26 de março de 2015

A ocupação do território - 4

Notas curtas sobre a Mina da Juliana a partir de Estácio da Veiga

Da antiga exploração desta jazida pouco resta actualmente, para além da povoação que sobreviveu ao encerramento da mina mantendo o topónimo, e dos numerosos vestígios de escoriais que as águas da albufeira do Roxo não conseguem esconder da nossa vista, tudo o resto permanece oculto sob a barragem, restando apenas as recordações dos habitantes, as referências bibliográficas e as arquivísticas.
Os trabalhos de mineração realizados durante o século XIX trouxeram das profundezas das galerias, segundo as palavras de Estácio da Veiga (1891: 211) : “… alguns machados e escopros de bronze, assim como calhaos espheroidaes de pedra (percutores)”.

A partir do texto do autor algarvio é possível pressupor que foram recolhidas as seguintes peças: três machados (um está depositado no Museu Regional de Beja, um outro encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, quanto ao terceiro desconhece-se o seu paradeiro actual), assim como um número indeterminado de percutores e de escopros. Destes últimos, um acabou por dar entrada nas reservas do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa (Monteagudo, 1977).
Machado da Mina da Juliana. Museu Regional Rainha Dona Leonor (Beja). Foto de Carlo Bottaini

São estes os únicos elementos conhecidos que levam a pressupor a existência de actividade mineira neste local durante a Idade do Bronze, posição que não é consensual. No entanto, desconhece-se o contexto e as circunstâncias de achado, bem como a profundidade efectiva das ditas “profundezas”. Contudo, conhecem-se em território nacional outros casos de minas antigas onde se recolheram objectos metálicos, como por exemplo Alte no Algarve, Quarta-feira na Beira Alta ou Jales em Trás-os-Montes, sendo este um fenómeno com repercussões, também, ao nível peninsular e europeu (Bottaini et. al., 2008).

Referências:
BOTTAINI, C.; SERRA, M. e PORFÍRIO, E. (2008) – Metais da Idade do Bronze do Museu de Beja, Actas do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular - Almodôvar - 18 a 20 de Novembro de 2010, p. 631-646.
DOMERGUE, C. (1987) – Catalogue des mines et des fonderies antiques de la Péninsule Ibérique. Série Archeologie. VIII. Tome II. Publicaciones de la Casa de Velázquez. Madrid.
DOMERGUE C. (1990) – Les mines de la Penínsule Ibérique dans l’antiquité romaine, Collection de l’École Française de Rome,7, Roma.
MONTEAGUDO, L. (1977) – Die Beile auf der Iberischen Halbinsel. Munchen. C.H. Beck`sche Verlagsbuchhandlung (PBF, IX; Band 6).
VEIGA, E. (1891) – Antiguidades Monumentais do Algarve, IV, Imprensa Nacional, Lisboa.