domingo, 15 de outubro de 2017

Balanço exposição fotográfica "Olhares" - Grupo Pro-Évora (Festival Heri Tales)

A exposição fotográfica "Olhares", dedicada ao Projecto Outeiro do Circo, esteve patente ao público na sede do Grupo Pro-Évora, enquadrada na programação do festival de cinema patrimonial Heri Tales entre 21 e 27 de Setembro.
Durante esse período foi visitada por 167 pessoas, o que perfaz uma média de quase 24 visitantes diários. 
Ao contrário do anteriormente anunciado, a exposição não pode seguir para as instalações do CIDEHUS, no Palácio do Vimioso.
Queremos aqui deixar o nosso agradecimento à organização do festival Heri Tales pelo convite que nos foi endereçado e que permitiu divulgar o trabalho realizado no Outeiro do Circo, à direcção do Grupo Pro-Évora pelo caloroso acolhimento e por toda a disponibilidade demonstrada e à Câmara Municipal de Beja pelo apoio logístico indispensável para que esta mostra fotográfica pudesse ter seguido para Évora.
A exposição "Olhares" continuará disponível para futuras mostras ao público mediante solicitação. 





sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Projecto Outeiro do Circo participa em colóquio internacional

O Projecto Outeiro do Circo vai estar presente no congresso internacional "Fortifications of the Metal Ages in Europe: Defensive, Symbolic and Territorial Aspects", a ter lugar entre 10 e 12 de Novembro em Guimarães, numa organização da UISPP - Comissão Científica "Metal Ages in Europe" e da Sociedade Martins Sarmento.
A conferência "Uma muralha no meio da planície. Análise poliorcética, técnica e simbólica da muralha do povoado fortificado do bronze Final do Outeiro do Circo (Beja, Portugal)", da autoria de Miguel Serra e Eduardo Porfírio será integrada na sessão dedicada à Idade do Bronze, no dia 10, e que inclui temas de diversos países, nomeadamente de Itália, Roménia, Alemanha, França e Portugal.


Resumo: A construção da muralha do povoado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja, Portugal) é reveladora da capacidade organizativa das comunidades deste período e pressupõe um vasto trabalho coletivo só possível numa sociedade devidamente hierarquizada.

Situado numa colina alongada de baixa altitude, o Outeiro do Circo destaca-se claramente na monotonia da planície circundante. A sua extensa muralha, com cerca de 2 km lineares, constituiria uma autêntica barreira de pedra e madeira, observável a grande distância, servindo como elemento afirmativo da soberania sobre o território e de dissuasão perante eventuais inimigos.

Os trabalhos arqueológicos realizados desde 2008 demonstram o investimento colocado na sua edificação, pois até ao momento os vestígios identificados no interior do povoado resumem-se a estruturas negativas. É de assinalar a inexistência de construções com características mais permanentes que de algum modo pudessem dar continuidade à monumentalidade colocada na construção da muralha. Esta monumentalização pétrea da colina prolongou-se para além da ocupação antiga do Outeiro do Circo, resistindo até à atualidade, como facilmente se comprova pelos vastos taludes arborizados que ainda se observam no local.

Pretende-se com este trabalho analisar o fenómeno da construção de muralhas complexas no Bronze Final do Sudoeste, partindo do exemplo do Outeiro do Circo onde a conjugação de diversos tipos de trabalhos desde a fotointerpretação, a geofísica, a prospeção e escavação arqueológica, entre outros, nos permitem tentar uma abordagem integrada para validar aspetos ligados ao simbolismo desta construção, nomeadamente no esforço despendido na sua construção e na sua relação com a paisagem envolvente, mas também nos aspetos técnicos que permitem vislumbrar soluções pragmáticas para vencer constrangimentos específicos ou na análise poliorcética que nos possibilita a verificação da eficácia defensiva desta estrutura.



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Novo artigo do Projecto Outeiro do Circo

Acaba de ser publicado um novo artigo do Projecto Outeiro do Circo, da autoria de Miguel Serra e Eduardo Porfírio, intitulado "Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região Beja", resultante da comunicação apresentada durante o III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição: Estratégias de povoamento, realizado na Universidade de Évora entre 28 a 30 de Abril de 2016.
O artigo agora publicado na nova revista científica "Scientia Antiquitatis" resulta da análise de novos elementos existentes no território do concelho de Beja cronologicamente enquadráveis desde o Bronze Pleno ao Bronze Final, onde se procura assinalar algumas das características principais das estratégias de povoamento ao longo destes períodos e destacar as suas principais mudanças. 
Este trabalho pode ser consultado no perfil do Projecto Outeiro do Circo em academia.edu ou através da página de Bibliografia neste blogue. 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Exposição fotográfica "Olhares" - Grupo Pro-Évora (Festival Heri Tales)

O Projecto Outeiro do Circo esteve presente na cerimónia de inauguração do festival de cinema patrimonial Heri Tales, no passado dia 21 de Setembro e que teve lugar nas instalações do Grupo Pro-Évora, com a apresentação da exposição fotográfica "Olhares", que junta visões e momentos da vida deste projecto arqueológico captados pelas lentes de diversos membros da equipa científica e de vários colaboradores e amigos.
O momento de inauguração contou com as intervenções de Maria Zozaya Montes, em nome da organização do festival, de Ana Paula Amendoeira da Direcção Regional de Cultural do Alentejo, de Marcial Rodrigues, vice-presidente do Grupo Pro-Évora, de Fernanda Olival, Directora do CIDEHUS - Universidade de Évora, e dos coordenadores do Projecto Outeiro do Circo, Miguel Serra e Eduardo Porfírio, para além da presença do Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Évora, Eduardo Luciano e elementos de diversas outras entidades e público em geral.
Aos coordenadores do Projecto Outeiro do Circo coube fazer uma breve apresentação acerca deste sítio arqueológico e do seu historial de investigação para além de um enquadramento sobre a exposição. Durante a inauguração estiveram também patentes ao público alguns artefactos arqueológicos recolhidos no Outeiro do Circo bem como algumas réplicas e houve ainda lugar ao visionamento do documentário de Manuel Monteiro "Outeiro do Circo: o guardião da planície". 
A exposição poderá ser visitada na sede do Grupo Pro-Évora, na Rua do Salvador, 1, junto à Praça do Sertório, todos os dias entre as 15h00 e as 18h00 até 27 de Setembro. Após esta data a exposição seguirá para as instalações do CIDEHUS no Palácio do Vimioso, junto à Sé de Évora, e em breve serão disponibilizados os horários de visita.
Resta-nos mais uma vez agradecer o honroso convite que nos foi endereçado pela organização do Heri Tales para inaugurar este festival e a excelente recepção por parte de todas as entidades envolvidas. 








quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Convite - Inauguração - Festival Heri Tales, Évora, 21 de Setembro

O Projecto Outeiro do Circo tem a honra de convidar V. Exa., em nome da organização do Festival Internacional de Cinema de Património Heri Tales , para a cerimónia de abertura, a ter lugar no dia 21 de Setembro de 2017, às 17h30 na sede do Grupo Pro-Évora, na qual será apresentada a exposição fotográfica "Outeiro do Circo: Olhares", sessão que contará igualmente com a exibição do documentário "Outeiro do Circo: o guardião da planície", e com um mostra de artefactos recolhidos nas escavações arqueológicas no Outeiro do Circo.


sábado, 2 de setembro de 2017

Artigo sobre Educação Patrimonial

Já se encontra nas bancas o novo número da revista Alentejo (Junho - Novembro), editada pela Casa do Alentejo (Lisboa), que conta com a colaboração do Projecto Outeiro do Circo através de um artigo de Miguel Serra dedicado ao programa de Educação Patrimonial desenvolvido no âmbito deste projecto de investigação arqueológica.
Esta colaboração surge na sequência da estratégia de divulgação do Projecto Outeiro do Circo através da utilização de diversas formas de comunicação generalista para um maior alcance público da informação científica. 
A revista Alentejo pode ser adquirida na Casa do Alentejo e em diversas livrarias por todo o país.




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Notas de campo (5) - Campanha de 2017

Terminada a 4ª e última semana de trabalhos da campanha de 2017 e deste projecto iniciado em 2014.
Como não poderia deixar de ser, foi mesmo no final que surgiram algumas evidências mais interessantes e directamente relacionadas com um dos principais objectivos deste projecto, que passava pela detecção de vestígios habitacionais na área intramuralhas. 
Nos anos anteriores foram efectuadas sondagens dispersas pelas áreas mais elevadas do Outeiro do Circo que permitiram a recolha de inúmeros vestígios materiais da presença humana ao longo da Idade do Bronze, mas também em períodos posteriores, nomeadamente na Idade do Ferro, Época Romana e nos períodos medieval e moderno, estes com presença mais discreta. No entanto, estas mesmas sondagens revelaram pouco potencial no que diz respeito à preservação de estruturas habitacionais, pelo facto do substrato geológico se encontrar muito superficial e toda esta área ter sido profundamente revolvida pela agricultura mecanizada. De qualquer forma ainda foi possível detectar, numa das sondagens escavadas no topo do povoado, uma estrutura ligada às actividades quotidianas, como foi o caso de uma fossa de tipo silo que embalava grande quantidade de restos faunísticos, cerâmicos e até um fragmento de um bloco rochoso decorado com "covinhas". Nos últimos dois anos do presente projecto optou-se pela abertura de duas novas sondagens junto a um troço de muralha que já havia sido alvo de escavação arqueológica entre 2008 e 2013, por aí sabermos que a potência estratigráfica era muito superior, reduzindo o risco de eventuais estruturas terem sido destruídas por lavras profundas. 
As duas sondagens realizadas revelaram-se muito distintas, a sondagem 7, que apesar de revelar grande profundidade e ter permitido a recolha de enorme quantidade de materiais, não permitiu a identificação de qualquer estrutura preservada.




Já na sondagem 8 os resultados foram mais interessantes e no alargamento efectuado para permitir uma melhor interpretação de um alinhamento de pedras confirmou-se estarmos perante uma estrutura, muito possivelmente os restos de uma cabana circular ou elíptica formada por blocos de pedra unidos por barro cozido. Infelizmente não foi possível escavá-la na totalidade no tempo disponível para terminar a campanha de 2017, pelo que se optou por selar e proteger devidamente esta estrutura, salvaguardando-a para intervenções futuras que integrem um plano de conservação dos vestígios agora detectados.

De referir que os materiais recolhidos na presente campanha enquadram-se dentro daquilo que foi exumado nos últimos anos, sendo de destacar a presença de cerâmicas da Idade do Bronze em melhor estado de conservação nos níveis finais da sondagem 7 e nas camadas da sondagem 8, quer no exterior quer no interior da possível cabana. Nesta sondagem ainda se recolheram alguns artefactos líticos, como os denticulados que foice que estão sempre muito presentes em todas as áreas intervencionadas no Outeiro do Circo e que afirmam a importância da agricultura para estas comunidades, e o aparecimento de algumas pequenas argolas em liga de cobre e uma conta de colar no mesmo material.
Terminado o projecto, procedeu-se à selagem total da sondagem 7, por não haver aí qualquer vestígio passível de conservação, e ao acondicionamento e protecção com selagem cuidada da sondagem 8, por ser viável a realização de novas escavações arqueológicas no âmbito de um eventual novo projecto.
No campo das visitas guiadas às escavações há que referir que estas se mantiveram até ao último dia de trabalho de campo o que permitiu atingir um total de 82 visitantes, sendo que muitos tiveram a oportunidade de participar directamente nos trabalhos de escavação, possibilitando uma melhor compreensão dos trabalhos efectuados.
No campo das actividades paralelas houve lugar à projecção de mais um documentário da realizadora Andrea Mendoza, que teve lugar no dia 21 de Agosto, mais uma vez no Centro UNESCO a quem agradecemos desde já toda a amabilidade e disponibilidade demonstradas. O documentário, intitulado Dandelion, incluiu filmagens em 6 países, incluindo Portugal, nomeadamente em Beja, e centrava-se no conceito da Beleza, socorrendo-se de múltiplas entrevistas destinadas a mostrar a complexidade do tema que mereceu a atenção de 44 assistentes que no final tiveram a oportunidade de conservar com a autora. 


 

Nesta última semana houve também lugar ao encerramento do ciclo de conferências dedicado aos grandes povoados da Idade do Bronze do Sudoeste Peninsular com uma conferência a cargo de uma presença assídua, António Monge Soares, que trouxe uma apresentação sobre o Passo Alto (Vila Verde de Ficalho, Serpa), que permitiu aos 17 assistentes conhecerem algumas das características que fazem deste povoado um sítio único no contexto da Idade do Bronze regional.


Terminados os trabalhos de campo segue-se agora para a fase de tratamento e estudo de materiais que será sobretudo desenvolvida nas instalações do Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa em Braga e que ficarão a cargo de Sofia Silva, colaboradora de longa data do Projecto Outeiro do Circo.
Após estes trabalhos e a elaboração dos respectivos relatórios técnicos dar-se-à por terminado o Projecto Outeiro do Circo 2014 - 2017, mas ainda haverá um longo trabalho de publicação das muitas matérias de análise surgidas ao longo destes 4 anos e que levarão ao estabelecimento de novas parcerias ao longo de 2018.
Nos próximos meses será também um período de reflexão destinado a fazer o balanço do projecto e a estudar as possibilidades de dar continuidade a este trabalho, algo que só será viável com a colaboração das várias entidades que connosco têm colaborado ao longo dos anos. No entanto, fica desde já assumido pelos responsáveis deste projecto que a eventual continuidade dos trabalhos ficará totalmente dependente da capacidade para criar melhores condições e mais apoios, indispensáveis à prossecução dos objectivos futuros a propor e à afirmação deste projecto.
Por fim deixamos os nossos agradecimentos a todos os participantes desta campanha: Diana Fernandes, que co-dirigiu os trabalhos de escavação arqueológica, e aos voluntários, Rafael Ortiz, Maria Dolores, Eduardo Matas, Bruno Reginaldo, Luís Laceiras, Denise Lima, Juan Batanero, Silvia Nuez, Ricardo Arrimar, Victor Almiron, Raquel Margalef e David Magalhães; aos trabalhadores da União de Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista e ao seu presidente, Miguel Ramalho, à União de Freguesias de Santa Vitória e Mombeja pelo apoio às exposições realizadas nas duas localidades, aos grupos de ocupação de tempos livres do Penedo Gordo (UF Santiago Maior e São João Baptista) e Zona Azul; aos responsáveis pela cedência de instalações para a realização de diversas actividades, nomeadamente à Sara Serrano do Centro Social Lidador e ao André Tomé do Centro UNESCO, à Força Aérea Portuguesa pela cedência de alojamento; ao Centro Social, Recreativo e Cultural do Bairro da Esperança; à Andrea Mendoza pelo seu interesse que a trouxe desde a Colômbia para realizar um documentário (em breve agradeceremos a todos os envolvidos neste documentário); aos nossos colegas da Palimpsesto por todo o apoio material e não só; e por fim aos colegas da Câmara Municipal de Beja, Teresa Guerreiro e Tânia Matias por todo o seu empenho e naturalmente ao executivo do município por ter acreditado e apoiado este projecto de forma incondicional.
E mesmo para terminar, o nosso enorme agradecimento a todos colaboradores e amigos deste projecto desde o seu início e que são demasiados para os enumerarmos a todos, mas sem os quais nada disto teria sido possível!