segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Artigo sobre a campanha arqueológica de 2020

Já se encontra disponível um novo artigo relativo ao balanço da campanha arqueológica de 2020 do Projecto Outeiro do Circo. 

O trabalho, da autoria de Eduardo Porfírio, Miguel Serra e Sofia Silva, apresenta os principais resultados dos trabalhos arqueológicos realizados no Outeiro do Circo em 2020, bem como a descrição das principais actividades de divulgação desenvolvidas ao longo desse ano. 

O artigo foi publicado na Al Madan, dando continuidade a uma colaboração regular com esta revista, com o objectivo de promover em breves notícias o trabalho promovido pelo Projecto Outeiro do Circo. 

Clique na ligação para aceder ao artigo:

Porfírio, E., Serra, M. e Silva, S. (2022), Projecto Arqueológico Outeiro do Circo (Beja). Campanha de 2020. Al Madan, 25.1, pp. 169-173.

O novo número da edição digital da revista Al Madan está disponível integralmente AQUI.




domingo, 16 de janeiro de 2022

10 anos de Educação Patrimonial no Outeiro do Circo

Encontra-se disponível o artigo "Educación Patrimonial dentro del Proyecto Outeiro do Circo (Beja, Portugal): 10 años de actividad", publicado em 2020 no livro "Educación y divulgación del patrimonio arqueológico. La socialización del pasado como reto para el futuro", da coleção "Enseñar y Aprender", editado pela Comares Editorial de Córdoba (Espanha), um volume coordenado por Ana Ruiz Osuna, Silvia Medina Quintana e Leonor Pérez Naranjo. 

O trabalho, assinado por Miguel Serra, Eduardo Porfírio e Rafael Ortiz, efetua a síntese das ações de Educação Patrimonial sobre património arqueológico desenvolvidas no âmbito do Projeto Outeiro do Circo entre 2008 e 2018. 

Para além do artigo dedicado ao Outeiro do Circo, a publicação conta com trabalhos sobre diferentes projetos em Espanha e México. 

Para aceder ao artigo clique AQUI

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Balanço 2021

O ano de 2021 correspondeu ao fim de um ciclo de investigação sobre o povoado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo que se iniciou em 2008. O ano passado também assistiu ao final do projeto de investigação que arrancou em 2019. 

No respeitante aos trabalhos de campo, o verão de 2021 marcou o fim das escavações arqueológicas no Outeiro do Circo no âmbito do projeto de investigação em curso. Os trabalhos permitiram definir um troço da muralha da Idade do Bronze em bom estado de conservação e que apresentava um esquema construtivo semelhante ao detetado em trabalhos anteriores, mas com algumas diferenças importantes. 

A muralha é composta por um muro situado na parte mais elevada do talude, com cerca de 2,5 metros de largura, claramente delimitado por dois alinhamentos regulares de pedra e com o seu interior preenchido por um enchimento de pedra e terras de tom claro com muitas cinzas, que indicam ação do fogo. 

A inclinação do talude é preenchida por uma rampa de barro cozido que termina junto a um muro de contenção na zona exterior. 

Na zona mais interior da área de escavação detetou-se um alinhamento de pedras paralelo à muralha e um nível de barro cozido que forma um espaço aplanado junto ao alinhamento de pedras. A compreensão da funcionalidade destas duas estruturas só poderá ser clarificada com a prossecução das escavações nos próximos anos. 

Os trabalhos de escavação permitiram também a recolha de um vasto conjunto de materiais, sobretudo cerâmicas do Bronze Final e restos de faunas, para além de um pequeno conjunto de fragmentos de cobre ou bronze, e alguns artefactos em pedra ligados a atividades agrícolas, como dormentes de mós e denticulados de foice.

Durante a campanha de escavações foi promovido o habitual ciclo de Barferências, conferências científicas em regime informal destinadas ao voluntários, e que incidiram em temas tão distintos como a zooarqueologia, a divulgação patrimonial ou a fotogrametria aplicada ao património. 


Realizaram-se também outras ações de formação, com destaque para uma visita ao Museu Regional de Beja para assistir a trabalhos de levantamento digital de estelas da Idade do Bronze.
No plano de divulgação da campanha de 2021 incluíram-se ainda algumas visitas com os voluntários a monumentos e museus da região e a participação num percurso pedestre na aldeia de Mombeja, organizado pela Câmara Municipal de Beja. 



Apesar das limitações impostas pela pandemia, os trabalhos de campo tiveram visitas regulares registando-se a presença de 74 visitantes durante o mês de Agosto e a atenção dos meios de comunicação com a realização de três reportagens televisivas. 


Em relação à produção científica o ano de 2021 possibilitou a participação em diversos encontros como as jornadas internacionais "Amanhar a Terra - Arqueologia da Agricultura (do Neolítico até ao período medieval)", em Palmela, com uma comunicação sobre as evidências arqueológicas relativas a práticas agrícolas e pecuárias documentadas no Outeiro do Circo, o XXI Curso de Verão do Centro de Estudos Ibéricos, da Guarda, dedicado ao tema "Novas fronteiras, outros diálogos: cooperação e desenvolvimento", com a comunicação "Projeto Arqueológico Outeiro do Circo (Beja. Portugal): educação patrimonial e envolvimento comunitário", o XI Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular, em Loulé, com uma apresentação de balanço dos trabalhos de 2019 a 2021 e as VI Jornadas de Pré e Proto-história da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com apresentações nas sessões sobre "Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção" e "A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social". 
Para além das participações enunciadas, o Projeto Outeiro do Circo organizou um colóquio de balanço dos trabalhos realizados entre 2008 e 2021, que decorreu em Outubro no Museu Regional de Beja e contou com a participação de diversos investigadores ligados ao Outeiro do Circo. 



Foram publicados dois artigos, o primeiro enquanto capítulo do livro "Between the 3rd and 2nd Millennia B.C: Exploring Cultural Diversity and Change in the Late Prehistoric Communities, coordenado por Susana Lopes e Sérgio Gomes, publicado pela editora Archaeopress, da autoria de Miguel Serra, com o título "A Slow Awakening on the Plain: The Bronze Age in the Beja Region (South Portugal)" e o segundo no âmbito do catálogo do novo Museu de Arqueologia de Alvalade (Santiago do Cacém), "Memórias da terra, das águas e dos povos", da autoria de Miguel Serra e com o título "Guerreiros do Bronze: a Idade do Bronze nas planuras do Sado". 
Diversos outros artigos entregues em 2021 aguardam ainda publicação, de que daremos conta nas respetivas ocasiões. 


Em termos de divulgação destaca-se a participação na iniciativa "Há vida no Museu", organizada pelo Museu D. Diogo de Sousa no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, com a realização de um vídeo sobre a parceria entre o Projeto Outeiro do Circo e este museu sobre o apoio ao tratamento do espólio resultante das escavações no Outeiro do Circo e à realização de diversas ações de divulgação patrimonial.
Foram ainda produzidos alguns conteúdos online de divulgação dedicados ao público em geral, centrados em jogos didáticos inspirados na investigação científica sobre o Outeiro do Circo, como puzzles e jogos de memória

No final do ano procedeu-se à entrega de um novo projeto à Câmara Municipal de Beja, que pretende combinar uma série de estudos analíticos com ações educativas, para desenvolver entre 2022 e 2023, do qual se aguarda resposta. 

BOM ANO! 

sábado, 11 de dezembro de 2021

VI Jornadas de Pré e Proto-história da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Balanço

O Projeto Outeiro do Circo marcou presença na 6ª edição das Jornadas de Pré e Proto-história da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra dedicadas ao tema "Territórios e Materialidade - Revelações e desafios na construção do conhecimento das sociedades pré e proto-históricas". 

As jornadas, que iniciaram com uma conferência a cargo de Ana Arruda sobre a Idade do Ferro no Sul de Portugal,  foram compostas por diversas mesas redondas que permitiram abordar temáticas muito distintas, contando ainda com sessões sobre arqueologia experimental e uma sessão de posters.

O Projeto Outeiro do Circo participou na mesa redonda dedicada aos "Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção", através de uma intervenção de Eduardo Porfírio sobre a estrutura de povoamento da Idade do Bronze na Margem Esquerda do Guadiana e na sessão sobre "A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social", com uma apresentação de Miguel Serra intitulada "Arqueologia Comunitária como forma de divulgação em meio rural".

Apresentação de Eduardo Porfírio 

Mesa redonda: Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção

Mesa redonda: A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social

Resumos das apresentações:

A Arqueologia Comunitária como forma de divulgação em meio rural

Miguel Serra

Câmara Municipal de Serpa; Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património

Resumo

Em termos muito sucintos podemos definir a Arqueologia Comunitária como uma prática de integração, de envolvimento e de partilha. Esta forma de atuação procura conectar uma comunidade, que se centra num território concreto, com o património aí existente, neste caso o arqueológico, de modo a envolvê-la em todos os processos, desde a investigação, à salvaguarda ou à valorização e divulgação, criando uma nova consciência sobre a importância e a relação entre a comunidade e o seu património.

No caso concreto em análise focamos o nosso olhar no meio rural, tradicionalmente mais afastado das estratégias e processos de decisão, bem como dos investimentos e recursos, quer humanos, quer económicos, para ações de desenvolvimento. 

Nos territórios rurais confrontamo-nos com dificuldades como o despovoamento, o envelhecimento e a dispersão populacional, a escassez de oportunidades, entre outros, que, regra geral, se traduzem num certo sentimento de abandono e de desilusão.

A partir do exemplo do Projeto Arqueológico Outeiro do Circo (Beja), pretendemos mostrar o programa de envolvimento comunitário aplicado a uma comunidade concreta, a aldeia de Mombeja, a partir de um projeto de investigação dedicado ao povoado fortificado da Idade do Bronze do Outeiro do Circo. Este sítio arqueológico dista cerca de 3 km da aldeia de Mombeja e era em 2008, data de início do projeto de investigação, praticamente desconhecido da comunidade local, apesar da sua reconhecida importância no meio científico.

A ligação entre a comunidade e o sítio arqueológico foi trabalhada como um processo contínuo, assente numa abertura pública de todos os momentos e aspetos do projeto arqueológico, como forma de vencer alguma eventual desconfiança inicial, bem como de evitar o aparecimento de discursos ou expetativas desadequadas dos objetivos do projeto. A possibilidade de visitar e participar na escavação arqueológica, face mais visível do projeto, criou uma relação empática com a comunidade, traduzida na participação regular em muitas outras atividades de divulgação especialmente concebidas para a(s) comunidade(s) local(is).

Desta forma procurámos associar o sítio arqueológico a um território e a uma comunidade, criando ao longo dos anos um vínculo que hoje nos permite afirmar, com toda a certeza, que o Outeiro do Circo passou a integrar a memória identitária dos habitantes de Mombeja, que assim se tornam a linha da frente na sua divulgação, proteção e valorização, tornando esta estratégia de atuação numa forma de empoderamento.

Palavras-chave: Idade do Bronze, comunidades, meio rural, divulgação, empoderamento



"Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?" Alto de Brinches 3 (Serpa) e a estrutura de povoamento da Idade do Bronze na Margem Esquerda do Guadiana.

Eduardo Porfírio

Câmara Municipal de Sintra; Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património

Resumo

A estrutura do povoamento da Idade do Bronze na margem esquerda do Guadiana define-se por um grande polimorfismo, bem evidente ao nível das implantações topográficas dos sítios escolhidos pelas comunidades humanas deste período. No território do concelho de Serpa, que utilizamos como referencial geográfico para este trabalho, a variabilidade existente ao nível do povoamento relaciona-se com as características específicas dos recursos naturais existentes a nível local. Assim e para além do factor de atracção desempenhado pelo rio Guadiana e respectiva rede hidrográfica subsidiária sobre o povoamento, também as características da geologia, da orografia, da pedologia e a existência de recursos mineralógicos influenciaram o modo como as sociedades da Idade do Bronze se fixaram nesta região moldando a paisagem existente (Vilaça, 1997; Soares, 2005 e Baptista, 2013).

Pode subdividir-se o concelho de Serpa em duas grandes sub-regiões cuja paisagem apresenta características díspares entre si. Na região Norte encontramos um relevo constituído por colinas suaves e onduladas, pouco expressivo altimetricamente, o qual recebe tradicionalmente a designação de Campo de Serpa dada as potencialidades agrícolas dos seus solos argilosos. A sul, a orografia é dominada pelas serranias de xisto com valores altimétricos mais elevados, cujos solos, pouco espessos e de fraco potencial agrícola favorecem a criação de gado. No entanto, é nesta região que se concentram os principais recursos minerais, nomeadamente no que ao cobre diz respeito.

Palavras-chave: Idade do Bronze, povoamento, Margem Esquerda do Guadiana, polimorfismo.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A ocupação do território 19

Pedreira de Trigaches 3 (União de Freguesias de Trigaches e São Brissos) - povoado aberto do Bronze Pleno

Este sítio localiza-se a apenas 200 metros de Pedreira de Trigaches 2, e encontra-se implantado numa zona de planície rodeada por cursos de água secundários. 

No decurso de trabalhos de minimização sobre o património cultural do Bloco de Rega do Pisão, a cargo da empresa Arqueologia & Património, foram escavadas cinco estruturas negativas que genericamente podem ser enquadradas no Bronze Pleno apesar da ausência de datações radiométricas. Tal como em Pedreira de Trigaches 2, também aqui se registou a presença de uma fossa contendo sementes de cereais (Antunes et al. 2012: 286). Dada a curta distância para Pedreira de Trigaches 2 poderá tratar-se do mesmo povoado, demonstrando a extensão que estes sítios abertos de planície podem atingir.

Localização do sítio Pedreira de Trigaches 3 na CMP 509
Estrutura onde foram recolhidas sementes de cereais (Foto: Arqueologia & Património, Lda.)

Bibliografia:

ANTUNES, A., DEUS, M., SOARES, A. M., SANTOS, F., ARÊZ, L., DEWULF, J., BAPTISTA, L. e OLIVEIRA, L. (2012) – Povoados abertos do Bronze Final no Médio Guadiana. In JIMÉNEZ ÁVILA, J. (ed) – Sidereum Ana II. EL río Guadiana en el Bronce Final (Anejos de AEspA LXII). Mérida, p. 277-308.

SERRA, M., e PORFÍRIO, E. (2017), Estratégias de povoamento entre o Bronze Pleno e Final na região de Beja. Scientia Antiquitatis, Vol. 1, N.º 1. Actas do III Congresso Internacional de Arqueologia de Transição - Estratégias de Povoamento: da Pré-história à Proto-história, pp. 209.232. 

domingo, 21 de novembro de 2021

Memórias fotográficas 2019-2021

Terminamos o ciclo de pequenas memórias fotográficas de cada um dos três projetos de investigação sobre o Outeiro do Circo, com as fotos respeitantes aos primeiros e últimos momentos das campanhas de trabalhos decorridas entre 2019 e 2021. 

2019
A - Trabalhos de desmatação. B - Selagem
2020
A - Trabalhos de desmatação. B - Selagem
2021
A - Limpeza da sondagem. B - Selagem 

sábado, 6 de novembro de 2021

Projeto Outeiro do Circo presente nas VI Jornadas de Pré e Proto-História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

As VI Jornadas de Pré e Proto-História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra realizam-se no dia 10 de Dezembro no Teatro Paulo Quintela e contam com a presença do Projeto Outeiro do Circo.

O tema das jornadas será "Territórios e Materialidades - Revelações e desafios na construção do conhecimento das sociedades pré e proto-históricas", e o programa contempla uma conferência de abertura, uma apresentação sobre arqueologia experimental e quatro mesas redondas dinamizadas por diversos convidados. 

A participação do Projeto Outeiro do Circo encontra-se a cargo dos coordenadores científicos, Eduardo Porfírio, que integrará o painel da mesa redonda dedicada a "Territórios e Paisagem: formas de perceção e construção", e Miguel Serra, que intervirá na mesa redonda sobre "A (in)transmissibilidade do conhecimento a nível social". 

O Projeto Outeiro do Circo tem uma forte ligação a estas jornadas, nas quais participou desde o seu início a 22 de Maio de 2009, com uma comunicação sobre os objetivos do primeiro projeto de investigação sobre o Outeiro do Circo, iniciado pouco antes em Agosto de 2008. A 15 de Abril de 2011 o Projeto Outeiro do Circo seria mesmo coorganizador das IIas Jornadas dedicadas à "Idade do Bronze do Sudoeste: novas perspetivas sobre uma velha problemática", e que seriam as primeiras a ser editadas (publicação disponível AQUI). Por fim, assinalou-se nova presença nas últimas jornadas realizadas em 14 de Maio de 2019, a serem dedicadas a aspetos metodológicos relacionados com o estudo da pré e da proto-história e cabendo ao Projeto Outeiro do Circo uma apresentação sobre o estudo da muralha do Bronze Final do Outeiro do Circo. 

Mais informações em: https://www.facebook.com/VI-Jornadas-de-Pr%C3%A9-e-Proto-Hist%C3%B3ria-104350688710112