sábado, 31 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
I Congresso da Associação dos Arqueólogos Portugueses
O Projeto Outeiro do Circo estará presente no I Congresso da Associação dos Arqueólogos Portugueses a realizar entre 21 e 23 de Setembro de 2013 na Biblioteca Nacional em Lisboa.
Será apresentado um poster dedicado ao estudo dos metais deste povoado da Idade do Bronze.
Programa do encontro: http://aapcongresso.wix.com/arqueologia#!programa/capi
Programa do encontro: http://aapcongresso.wix.com/arqueologia#!programa/capi
Título:
Estudo de metais e vestígios de produção do povoado fortificado do Bronze Final do Outeiro do Circo (Beja).
Autores:
Pedro Valério (Campus Tecnológico e Nuclear, Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa)
António Monge Soares (Campus Tecnológico e Nuclear, Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa)
Maria Fátima Araújo (Campus Tecnológico e Nuclear, Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa)
Rui J. C. Silva (CENIMAT/I3N, Departamento de Ciências dos Materiais, Faculdade de Ciências e Tecnologia, FCT, Universidade Nova de Lisboa)
Eduardo Porfírio (Palimpsesto, CEAUCP/CAM)
Miguel Serra (Palimpsesto, CEAUCP/CAM)
Resumo:
Artefactos e vestígios de produção metalúrgica do Outeiro do Circo foram objecto de caracterização elementar e microestrutural. A datação pelo radiocarbono dos contextos dos materiais indicou uma cronologia do último quartel do II Milénio a.C. Um cadinho encontra-se associado à produção de ouro e dois nódulos metálicos relacionam-se com operações primárias de produção de bronze. Um cone de fundição atesta o vazamento de um bronze de composição semelhante à dos restantes artefactos metálicos, com excepção de um exemplar, cujo reduzido teor em estanho será devido à utilização de sucata. As cadeia operatórias dos artefactos incluíram operações de martelagem e recozimento. Os materiais analisados enquadram-se na metalurgia coeva do sul de Portugal, caracterizada por bronzes binários com teores apropriados de estanho.
Abstract:
Metals and metallurgical remains from Outeiro do Circo were subjected to elemental and microstructural characterization. Radiocarbon dating of contexts established a chronology of last quarter of the II Millennium BC. A crucible was associated with gold production, while bronze nodules were related with bronze metallurgy. A casting jet evidenced the pouring of a bronze alloy with similar composition to the remaining metallic artefacts, with the exception of an item, which reduced tin content probably is due to the use of scrap. The manufacture involved hammering and annealing operations. The analysed materials are in aggrement with the coeval metallurgy from Southern Portugal, being characterized by binary bronzes with suitable contents of tin.
sábado, 27 de julho de 2013
Campanha de 2013
Anuncia-se a realização de nova campanha de trabalhos no Outeiro do Circo, a realizar entre 2 e 14 de Setembro de 2013.
A intervenção programada reveste-se de características muito específicas, uma vez que decorre da necessidade de efetuar uma ação de salvaguarda na sondagem 1, por motivo dos danos aí infligidos pelas chuvas fortes da Páscoa do corrente ano.
Assim, e a título excecional, não haverá lugar à abertura de inscrições para voluntariado, pois os lugares disponíveis serão totalmente ocupados pela equipa do projeto.
Os trabalhos a realizar incidem na limpeza da sondagem 1, nomeadamente dos despreendimentos de terras e elementos pétreos dos cortes e da regularização destes últimos, recorrendo-se à escavação arqueológica apenas quando necessário, de modo a recuar os cortes, garantindo a sua preservação.
Após a realização destas ações, está prevista a selagem integral da sondagem 1, de forma a evitar danos futuros por ocorrências semelhantes, apenas vindo a ser novamente intervencionada quando estiverem reunidas as condições de apoio indispensáveis à realização de novo projeto de investigação no Outeiro do Circo.
Adicionalmente será realizado o levantamento topográfico integral da área ocupada pelo povoado (17 hectares), a cargo da equipa de topografia da Câmara Municipal de Beja.
Também serão realizados trabalhos de prospeção arqueológica nos terrenos circundantes do Outeiro do Circo.
Recorde-se que estiveram previstas, novas intervenções no sítio, inseridas num projeto de investigação a implementar entre 2012 e 2015, que propunha a realização de escavações arqueológicas na zona alta do povoado e o prolongamento para o interior da sondagem 1, para além da realização de outros trabalhos em sítios arqueológicos localizados nas proximidades do Outeiro do Circo, mas que não pôde avançar, por não se terem garantido os necessários apoios da autarquia de Beja.
Á semelhança de anos anteriores, os trabalhos serão suportados pela Câmara Municipal de Beja, com o apoio da Junta de Freguesia de Mombeja e da empresa de arqueologia Palimpsesto.
Apesar do caracter diferente da intervenção para este ano, manter-se-á a disponibilidade da equipa de projeto para a realização de visitas guiadas no decorrer dos trabalhos de campo, deixando o convite a todos os interessados para visitarem o Outeiro do Circo, mas também para conhecerem a aldeia de Mombeja e a sua região, ou mesmo aproveitar para uma visita a Beja, onde, no Núcleo Museológico do Sembrano, poderão ver a exposição temporária sobre este sítio arqueológico.
Outras iniciativas programadas para este ano serão anunciadas neste espaço em tempo oportuno.
domingo, 30 de junho de 2013
Outros artigos
Disponibilizam-se alguns artigos sobre a ocupação humana do território envolvente ao Outeiro do Circo, nas freguesias de Mombeja e Beringel.
Não se tratam de trabalhos resultantes do Projeto Outeiro do Circo, mas sim de intervenções de arqueologia comercial, da responsabilidade da empresa Palimpsesto.
Os artigos disponíveis revelam a riqueza do subsolo desta região, com as intervenções realizadas em sítios arqueológicos de várias épocas, desde o calcolítico até à Época Moderna.
Aqui fica a lista de artigos disponíveis:
- Murteira 6, Calcolítico (Mombeja)
http://academia.edu/2775537/O_sitio_de_Murteira_6_Mombeja_-_Beja_no_contexto_do_calcolitico_do_sul_de_Portugal
- Arroteia 6, Idade do Bronze (Mombeja)
http://academia.edu/3782834/Arroteia_6_Mombeja_Beja_no_contexto_da_Idade_do_Bronze_do_Sudoeste_Peninsular
- Malhada de Biterres 2, Idade do Ferro (Mombeja)
http://academia.edu/3782796/Malhada_de_Biterres_2_Mombeja_Beja_._Um_forno_da_Idade_do_Ferro_nos_alvores_da_romanização
- Cortes 1, Antiguidade Tardia (Mombeja)
http://academia.edu/2773433/A_ocupacao_da_Antiguidade_Tardia_do_sitio_Cortes_1_Monte_das_Cortes_Mombeja_Beja_
- Beringel, Época Romana, Medieval e Moderna (Beringel)
http://academia.edu/3782940/Remodelacao_da_rede_de_abastecimento_de_agua_de_Beringel_Beja_dados_preliminares_dos_trabalhos_de_minimizacao_patrimoniais
E ainda um outro trabalho, este de cariz particular, centrado na coleção de metais da Idade do Bronze do Museu de Beja
http://academia.edu/3782859/Metais_da_Idade_do_Bronze_do_Museu_de_Beja
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Artigos do Projeto Outeiro do Circo - 5
Encontra-se disponível para download um artigo do Projeto Outeiro do Circo, dedicado ao programa de Educação Patrimonial aí desenvolvido. Foi publicado nas Actas do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular (Almodôvar) em 2010:
Porfírio, E. e Serra, M. (2012), Um projecto de arqueologia "social" em Mombeja (beja). Actas do V Encontro de Arqueologia do Sudoeste Peninsular. Câmara Municipal de Almodôvar: 877 - 889.
Link: http://www.academia.edu/2775614/Um_projecto_de_arqueologia_social_em_Mombeja_Beja_
Link: http://www.academia.edu/2775614/Um_projecto_de_arqueologia_social_em_Mombeja_Beja_
domingo, 23 de junho de 2013
Balanço da Conferência na British Historical Society of Portugal
Teve lugar no passado dia 13 de Junho, no Convento das Gaeiras em Óbidos, uma conferência intitulada: "Outeiro do Circo (Beja, Alentejo): an exceptional site of the Late Bronze Age in Southern Portugal", a convite da British Historical Society of Portugal.
De modo a contextualizar o público com o tema proposto, iniciou-se a sessão com a apresentação de algumas características muito gerais da Idade do Bronze no espaço europeu, para em seguida se particularizar o caso da Península Ibérica e do Sudoeste Peninsular.
Após estes enquadramentos apresentaram-se algumas características da Idade do Bronze na região de Beja, destacando as várias realidades aí conhecidas do Bronze Médio e Final.
Para melhor compreender a importância do Outeiro do Circo na região, foram também destacados alguns povoados fortificados desta época no Baixo Alentejo, bem como outros elementos individualizadores do Bronze Final regional.
Em seguida entrou-se no tema principal com a descrição do projeto de investigação subordinado ao estudo do povoado do Outeiro do Circo e dos seus principais resultados, com destaque para o estudo dos elementos do sistema defensivo.
A segunda metade da sessão foi inteiramente dedicada às atividades de Educação Patrimonial associadas a este projeto e que mereceram especial atenção do público assistente durante o debate que se seguiu, sinal do reconhecimento público da importância deste tipo de ações.
À British Historical Society of Portugal e especialmente a David Clarke deixamos expresso o nosso agradecimento pelo convite que nos foi dirigido e pelo entusiasmo e interesse que o tema gerou entre os participantes como de resto ficou comprovado pelo animado convívio que se gerou no excelente almoço que nos foi proporcionado no Convento das Gaeiras.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Tu fazes, eu parto, juntos colamos - Workshop 2 e 3
Os últimos dois workshops desta
actividade, dirigida a estudantes de arqueologia, decorreram nos dias 24 e 30
de Maio, no Palácio de Sub-Ripas (Instituto de Arqueologia) em Coimbra. Durante
a semana anterior alguns alunos experimentaram decorar as peças através de
incisão ou brunimento e o workshop de dia 24 foi destinado à cozedura dos
recipientes.
Workshop 2 - Cozedura
O primeiro passo consistiu na
avaliação da secagem das peças, para observar a sua consolidação e registar a
cor das peças. Algumas peças mostravam fracturas devido à contracção na
secagem, mas outras pareciam ter resistido bem.
A construção das fogueiras
decorreu no Campo de Jogos contíguo ao quintal do Instituto de Arqueologia,
cedido para esta actividade pela Santa Casa da Misericórdia de Coimbra (a quem
muito se agradece). As estruturas de cozedura (2 covas e lenha variada) foram
preparadas pelos participantes e em seu redor dispôs-se o equipamento para
controlar a temperatura (conjunto de 5 termopares emprestado pelo Led & Mat
do IPN e barras pirométricas). As peças acabaram de secar em volta das
fogueiras e depois deu-se início à cozedura propriamente dita.
Na primeira experiencia tentou
reproduzir-se uma fogueira com atmosfera rica em carbono, mas na seguinte o
objectivo foi que a cozedura decorresse de forma menos protegida e mais rica em
oxigénio. O tempo de cozedura foi intencionalmente curto, para comparar com
experiências prévias (mas um pouco mais longo - 1h30), e as temperaturas não
excederam os 700ºC. O registo dos termopares permitiu obter os perfis térmicos
das cozeduras e relacioná-los com a direcção dos ventos dominantes. No final as
peças foram retiradas para arrefecer e observaram-se as cores, o grau de
consolidação e as fraturas.
Como a actividade decorreu
durante o dia inteiro, vários participantes almoçaram em piquenique no
Instituto de Arqueologia. A meio da tarde contámos ainda com um excelente bolo
de chocolate feito e oferecido a todos pela Eunice.
Workshop 3 - selagem e uso
Uma semana mais tarde, o dia 30
de Maio foi dedicado a testar as peças. Mais uma vez a sessão começou com uma
pequena apresentação, neste caso sobre práticas etnográficas de “selagem” das
peças para diminuir a porosidade e recuperar fraturas.
O primeiro passo consistiu em
encher os recipientes com uma quantidade fixa de água durante 2 minutos e
voltar a medir a água para observar quanta teria sido absorvida pela superfície
dos recipientes.
Depois construiu-se uma pequena
fogueira para colocar os recipientes e ferver água. Os recipientes foram secos
em volta da fogueira e aqueles que não apresentavam fracturas evidentes foram
parcialmente cheios com água e postos sobre brasas na fogueira, controlando-se
o tempo que demorava até a água ferver. Nesta experiência tornou-se claro que boa
parte deles tinha micro-fracturas pouco visíveis e ficavam rapidamente
encharcados o que, de facto, impedia que a água entrasse em ebulição e em
alguns casos mais exagerados apagava as brasas.
Para recuperá-los os
participantes testaram materiais diferentes ou uma combinação de vários: farinha
integral; farelo; gordura animal (banha) e vegetal (azeite), sangue e cera de
abelha. Em alguns recipientes o objectivo foi apenas testar o efeito de alguns
produtos na cor: foi o caso do limão (ácido) e do vinho (por ser rico em
taninos). Alguns materiais testados não melhoraram a performance dos recipientes,
mas outros mostraram resultados muito interessantes e permitiram utilizar
recipientes que até então não o permitiam.
Mais por brincadeira e
curiosidade, no final da sessão preparou-se uma pequenina “refeição” composta
por uma perna de coelho, favas e alho, cozida com sal num dos recipientes, e
uma mistura de papas de farinha integral e água, cozida em outro. Quem provou diz
que o coelho estava bastante bom, mas as papas… bom, eram papas de farinha!
Além disso, e provavelmente devido à inspiração de dia 24, nesta actividade
contámos outra vez com um bolo de chocolate fantástico! Desta vez foi feito e
oferecido por uma das alunas participantes. Um bem-haja à Carla, e,
evidentemente, à Eunice, que deu o mote!
A equipa do Projecto Outeiro do
Circo gostava ainda de agradecer o empenho da Doutora Raquel Vilaça, a presença
de todos os participantes, e ainda o apoio das instituições envolvidas como o
Instituto de Arqueologia, CEMUC, CEAUCP e AAA, que permitiram que estas
actividades fossem possíveis e decorressem com tranquilidade. Agradece-se ainda
à Misericórdia de Coimbra a cedência do Campo de Jogos e ao Led&Mat do IPN
em Coimbra o empréstimo dos termopares.
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